Escrituras Mineiras
   



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Faz tempo...

Carambolas... quase cinco anos sem postar nada por aqui... Vamos desempoeirar essa bagaça? ;)



Escrito por Mírian B. Rosa às 11h38
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Falha... Faltou o link do vídeo...

http://youtu.be/L16Ox66XBXE



Escrito por Mírian B. Rosa às 22h27
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Conto "musical"

Ok, vamos lá. Após uma enorme lacuna de tempo sem me lembrar que esse trem existe, venho aqui humildemente postar um conto feito ontem. Bom, em dezembro do ano passado conheci uma banda de metal progressivo da Noruega chamada Circus Maximus e logo me apaixonei pelas belas músicas e principalmente pela voz do vocalista. É um dos melhores timbres que já ouvi! Então, uma das músicas do último trabalho da banda chamado "Nine" se chama Last Goodbye e é uma música muito triste, que fala da perda (aparentemente pela morte) de alguém muito querido. Segue o conto, logo abaixo a letra da música e o link para um vídeo no youtube.

O ÚLTIMO ADEUS (Conto Inspirado na canção “Last Goodbye” do grupo norueguês Circus Maximus)

Acordei sobressaltado, imaginando que meu telefone havia tocado, bem na hora quem que atenderia a ligação. Suava frio, aquele sonho parecia bem real e aquele telefonema me traria as desejadas notícias. Tudo ficaria bem, e ela voltaria pra casa.
Assim tem sido há semanas, desde que recebi outro telefonema. Um telefonema da polícia. Aquela outra “notícia” me tirou do eixo.
Estava sentado na sala quando meu telefone tocou e um policial, do outro lado da linha me passou a pesada informação. Ela sofrera um sério acidente e corria risco de morte. Já a haviam encaminhado para o hospital, mas seu caso era muito crítico.
Imediatamente fui para lá, esperando encontra-la. Chegamos praticamente juntos. A vi sendo levada para a UTI e médicos me confirmaram as palavras da polícia: O caso era grave, eu poderia inclusive cogitar seu óbito. Aquilo me deixou totalmente desnorteado e amedrontado. Perdê-la... Não, aquilo não podia estar acontecendo! Minha vida perderia totalmente o sentido se ela morresse.
Houve um momento em que ela despertou. Eu podia ver na dor de seus olhos, todo o tormento pelo qual passava. Aquilo era angustiante. Se eu pudesse, trocaria de lugar com ela. Mas lá estávamos nós no fim de nossa jornada juntos... Era hora de nos despedirmos. Senti seu último suspiro, chorando em silêncio.
Estávamos de mãos dadas quando ela se virou para mim e disse-me seu último adeus. Abracei-a ao percebei que ela perdia suas forças. Então, faleceu em meus braços.
Passou-se de tudo por minha mente nessa hora. Principalmente as lembranças que tinha ao lado dela. Nossos passeios, as noites que passamos sem dormir, e principalmente do dia em que ela se virou pra mim e disse que sempre me amaria nunca me deixaria, seu coração me pertencia e estaria sempre comigo. Mas agora meu coração dói, já pensei que não iria aguentar...
Sua morte fez o mundo desabar sobre mim. Perdi a minha melhor amiga, meu norte... Tentaram me consolar, dizendo que o tempo iria curar essa ferida, mas tudo o que vejo é minha alma se esvair, ir com ela, e eu continuando aqui sozinho, sofrendo.
O tempo tem passado e ainda sinto a presença dela. É isto o que me mantém vivo, para viver completamente sozinho. Suas palavras ainda ecoam em minha mente “sempre irei te amar, nunca o deixarei ir”. Ela se foi e eu fiquei sozinho olhando para aquele frio céu sem nuvens sentindo minha alma chorando. Tudo me fazia lembrar dela.
A paz não chega. Nosso último adeus ainda não acabou.

 

 

Last Goodbye

Circus Maximus

It all came down the other day
I was waiting for the call
Hoping they would say
"Everything is gonna be all right"
And you would come home tonight
I've been having bad dreams since the
Day the "news" arrived
Been living in hope and facing the fear
Of losing you and have my life deprived

I can see the pain in your eyes
And the hell your going through
And if I could I would sacrifice
And give my life for you
No here we are at the end of our road
It's time to say our goodbyes
Last breath of life, with a silent cry

I remember the walks we had
The nights we never slept
I remember the time when you
turned and said to me

I will always love you
I will never let you go
In my heart that's where you follow
Now it's time for you to know
There were times my heart was aching
There were times I thought I'd make it
On my own... This is my last goodbye

I see the cloudless skies
Inside my soul it cries

Some say it's like autumn breeze
Some say it's just a game we play
I believe it will go away
But until that day
I would be here in my own misery
Misery

When you went away that day
The world came down on me
We've been best of friends forever
And now it is time to let you go
Your spirit carries on as my
Life continues on alone

I see the cloudless skies
Inside my soul it cries
The scent makes me remember you

 

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 22h22
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CRIME EM DUAS ERAS CAPÍTULOS 10, 11

Oi, pessoal desculpem a demora, mas antes tarde do que nunca, seguem os caítulos 10 e 11, conforme título do post  dessa aventura no tempo. DIVIRTAM-SE!

10) O que está acontecendo?

A imagem no monitor era um tanto horrenda. O prédio de pedra e madeira com quase três metros de altura, em cuja fachada estava exposta uma estaca um pouco maior que o prédio, contendo uma cabeça na ponta. Murilo, ao ver a imagem, contorceu o rosto em uma expressão de nojo.
— Credo!— murmurou o irmão de Júlia.
— Que foi?— perguntou Renato, que estava lendo o manual de instruções que Thiago criara da máquina.
— Uma cabeça em uma estaca. Mas relaxa que não é a do Thiago. Ele está de batina preta ao lado dela com outro padre. Caramba! Como o padre se parece com o Thiago!
— Verdade, parece mesmo! Muita coincidência!— comentou Renato.— Ah, parece que achei um jeito de reverter a ação da máquina e trazer o Thiago de volta. Mas vai levar mais umas duas semanas...
— Contanto que ele volte são e salvo...— desdenhou Murilo.— E vamos contar para o tio Luiz Antônio, ele está com vontade de comer meu fígado!
— Só o seu, Murilo? Acho que ele comeria o meu também e olha que ele não gosta de fígado. Faz cara de nojo toda vez que falam que é bom comer carne de fígado.
— Quem gosta?— retrucou Murilo.— Vamos?
— Claro.
Luiz Antônio estava na cozinha de sua casa, conversando com Vera, Ana Cristina e Danilo. Julia e Sofia assistiam a algum programa juvenil da TV Paga na sala. O clima parecia amistoso, embora o sumiço de Thiago ainda os preocupasse e de fato os preocuparia até quando Thiago ficasse na Idade Média.
— E aí, garotos, conseguiram alguma coisa?— perguntou o pai do desaparecido.
— Tem um jeito, tio, mas vai demorar mais umas duas semanas, programar a máquina e executar essa reversão vai pedir tempo.
— Ótimo!— disse Luiz Antônio. Danilo, Vera e Ana Cristina também pareceram ficar mais aliviados.
— Que bom.— disse Renato. O jovem decidiu ocultar do tio o fato de ter havido um homicídio no lugar e época em que Thiago estava. Até ele explicar que Thiago não era a vítima, sua tia morreria.
— Mas como isso foi acontecer?— perguntou Vera. Sabia que seu neto havia sumido, mas não sabia o que especificamente acontecera com ele.
— Thiago criou uma máquina do tempo e ela o despachou para a Era Medieval.— disse Luiz Antônio já se acostumando ao fato de seu filho ter voltado quase 900 anos no tempo.
— Como é?
Luiz Antônio voltou a explicar o que ocorrera a sua mãe. Logo, Dona Vera Carvalho estava a caminho da sala onde o computador responsável pelo feito estava e também de onde Murilo e Renato estavam monitorando a estadia de Thiago na Idade Média. As imagens do monitor mostravam Thiago ainda em frente ao quartel, perto da estaca com a cabeça.
— Oque é aquilo?— perguntou Luiz Antônio ao ver a estaca.
— Na ponta da estaca? É uma cabeça humana. Mas não se preocupem, não é a do Thiago. Ele está ali no canto de batina preta.— apressou-se Murilo.
— Tem dois Thiagos em cena?— perguntou Vera ao ver o, para ela desconhecido, Abade James Pouvery.
— Parece mesmo. Deve ser um monge de verdade.— deduziu Ana Cristina.— Só parece ser um bocado mais alto que o Thiago.
Logo, Luiz Antônio notou algo diferente. Thiago parecia dar ordens a um sujeito vestido como soldado. Ao lado de seu filho estava outro, só que com menos ornamentos na “farda”.
— O Thiago está investigando o caso?— perguntou-se Luiz Antônio surpreso.
— Parece mesmo! CSI das trevas!— debochou Danilo.
— Danilo, pare de chamar a Idade Média de Idade das Trevas!— censurou-o Ana Cristina.
Luiz Antônio balançou a cabeça. Aquela não era hora para discussões.
Alheio às discussões de Danilo e sua tia, Renato mexia no computador. Precisava trazer seu primo de volta.

11) “CSI” Três Bandeiras*

James e Thiago acompanhando Remy correram até o local em que a estaca com a cabeça estava.
— Misericórdia!— exclamou James ao ver a cena, levando as mãos ao rosto.
— Caramba!— disse Thiago analisando o local. O chão de pedras tinha poucas manchas que lembravam sangue. Havia alguns pingos que formavam uma trilha que aparentemente ia até atrás do quartel.— Remy, olha aqui. Tem uma trilha de manchas indo até atrás do quartel. O corpo pode estar lá.
— Certo. Pouvery, vou com o Thiago olhar aquelas manchas de sangue ali. Ele disse que elas podem nos levar ao corpo.
— Tudo bem, Legrand, depois, não se esqueça de avisar o Duque. Ele vai ficar furioso, mas, precisa saber disso.
— Claro, abade.— disse Remy curvando a coluna.— Vamos Thiago.
Atrás do quartel estava uma enorme poça de sangue, porém nem sinal do corpo.
— Caramba, que tanto de sangue!— exclamou Remy olhando para o chão.
— O decapitador deve tê-lo atacado aqui. Pelo menos foi aqui onde ele cortou a cabeça da vítima. Agora... Onde ele deixou o corpo?— perguntou-se Thiago analisando o novo local de crime.— Remy, como foram encontrados os corpos das outras vítimas?
— Na estrada que leva a Lyon.— disse Remy apontando para o norte, onde a até então a nascente cidade se instalava. Até o momento a futura cidade-sede da Interpol era apenas um aglomerado de casebres em torno de uma igreja.— A cabeça de um lado, “em pé” com o rosto virado para o castelo do Duque e o corpo do lado oposto da via, com os pés virados em nossa direção.
— Essa cabeça aí está voltada para o castelo?
— Sim.— afirmou Remy.
— Hum... Realmente o responsável por essas mortes é um só. Esse padrão na disposição dos corpos... Remy! Olhe! Uma trilha casco de cavalo e um rastro como se estivesse arrastando um saco.
— Vou pegar meu cavalo e seguir essa trilha. Volte lá para frente e fique com o abade. E conte a ele o que percebeu.
— Certo Remy.— disse Thiago voltando com o batedor para a frente do prédio, onde, além de James, estavam outros monges, incluindo François Lafonte e a maior parte do exército do Duque.
— Onde vai, Remy?— perguntou-lhe James.
— Investigar. Thiago achou algo suspeito atrás do quartel. Preciso do meu cavalo.— respondeu o batedor, ofegante. Meia hora depois, cruzou a frente do quartel em seu cavalo negro. Um dos cavaleiros olhou-o preocupado. Thiago sabia que havia algo errado com Dominique, mas não sabia exatamente o que era. Pensou na estranha conversa que ouvira no estábulo, quando fora conversar com Remy e das cavalgadas ouvidas na noite insone.
— Acharam o corpo, Thiago?— perguntou James, nervoso.
— Não, mas há uma enorme poça de sangue lá atrás. Foi lá que o atacaram. Aliás, há um padrão na disposição desses corpos. Cabeça virada para o castelo do Duque e o corpo com os pés voltados para o reino. Realmente, há chances de ser o mesmo assassino.
— Estou realmente convencido de que é uma só pessoa quem está matando os camponeses...— disse James.
François olhou firme para Thiago.
— Como sabe da disposição dos corpos?— perguntou nervoso.
— O Remy me contou.— desdenhou Thiago.
Furioso, o monge gorducho foi até o magro:
— Pouvery, eu lhe falei. Esse garoto está envolvido com as mortes.
— Que tolice Lafonte! Ele mesmo explicou que quem lhe contou foi Legrand. E se continuar desse jeito, irá para o mosteiro de Wofengang.— ameaçou Pouvery referindo-se a um rígido mosteiro no norte da Germânia.
François bufou ofendido, girou nos calcanhares e marchou, pisando duro até o mosteiro. James observava-o com o cenho franzido. Sua paciência com Lafonte estava cada vez menor.
Enquanto isso, Remy cavalgava devagar seguindo a trilha, supostamente deixada pelo cavaleiro decapitador. O rastro entrava por pastos, e plantações, chegando até as margens de um lago. Lá se encontrava o corpo sem a cabeça. Remy observou sua disposição: pés voltados para o centro do Reino das Três Bandeiras. Além, disso, o corpo estava próximo a um chalé, cujo morador, um homem de idade avançada, extremamente magro, com cabelos e barba longos e completamente brancos e vestindo uma túnica vermelha encardida saiu esbravejando, pouco se importando para o fato de o “visitante” ser um cavaleiro do alto comando. Atacou Remy, ainda montado com um pedaço de pau. O belo cavalo de Remy refugou, mas não chegou a derrubar o homem que o montava.
O batedor acalmou o animal e desceu já com a mão segurando com força o punho da espada. Aproximou-se do sujeito que deu um pulo para trás segurando o pedaço de madeira como se fosse um taco de baseball e em posição de ataque, com os joelhos flexionados e com a perna direita para trás.
— Cavalaria do Reino das Três Bandeiras. Sou Remy Legrand. O senhor sabe quem deixou esse corpo aqui?— perguntou Remy desembainhando ligeiramente a espada.— E que é o senhor?
— Foi o cavaleiro negro.— respondeu o homem sem se identificar, com uma voz cavernosa. O homem era Reymond Leroy. Morava há mais de três décadas naquele chalé, sem qualquer contato com outros seres humanos. Sobrevivia colhendo frutas silvestres no bosque atrás do chalé, pescando no lago e roubando parte do trigo e da cevada plantados pelos camponeses do Reino das Três Bandeiras. Reyond também permaneceu em posição de ataque com o grosso galho em mãos. Retirado do seu estoque de lenha.
— Cavaleiro negro?— perguntou na tentativa de manter o controle da situação.
— Ele surge das profundezas da terra e cavalga pelo reino de onde vem.— respondeu Reymond sem baixar a guarda.
— Obrigado pela informação.— disse Remy notando, então um pequeno canteiro com plantas “estranhas” ao lado do chalé do homem. Tirou uma corda da lateral da cela e amarrou os braços do corpo e jogou-o sobre o cavalo. Amarrou-o com força no animal, montou-o novamente e cavalgou de volta para o reino.
— Isso é um corpo, Remy?— perguntou o abade ao vê-lo chegando.
— Sim. Achei perto do lago. O sujeito que mora lá quase me atacou.
— Mora gente lá?— perguntou James surpreso. Para ele, a região do lago, onde pouco ia, era totalmente desabitada.
— Sim, um homem meio esquisito. Me recebeu com um pedaço de madeira na mão. Chamou o decapitador de “cavaleiro negro” e disse que ele sai da terra à noita para cortas as cabeças.
— Caramba!— exclamou James. Thiago, já cheio de ideias à respeito do eremita sem nome, ficou quieto. Não sabia se o que falaria já existia na época da Idade Média ou fora criado após a morte dos homens com quem convivia, decidiu partir para a parte prática da investigação:
— Como o corpo estava disposto, Remy?
— Com os pés voltados para o reino. Ainda não entendi o porquê disto...
— Certas coisas, só conseguiremos entender depois de encontrar o decapitador e “perguntar” isso a ele...— disse Thiago.
— Certamente. Thiago, vamos voltar ao mosteiro. Preciso resolver o problema do Lafonte. Remy, avise o Duque e o Conselheiro a cerca do ocorrido, acho que a notícia da morte ainda não chegou aos dois.
— Sim senhor, abade. E o que faço com o corpo?
— Deixe-o aí, perto da cabeça.— decidiu James. Thiago pensou que James mandaria deixar o corpo no mosteiro, mas...
— Abade, não se leva o corpo para o mosteiro?
— Não, Thiago. Só após eu descobrir quem é esse homem e conversar com sua família.— respondeu calmamente James.
— Ah, sim.
James e Thiago logo chegaram ao mosteiro, o monge Jean Savigny os recebeu preocupado.
— Pouvery, François está descontrolado, dizendo que o reino está amaldiçoado. E está colocando a culpa em Thiago.— relatou o monge que, ao contrário de Lafonte, gostava de Thiago.— E quanto ao corpo descobriram alguma coisa?
— Não, mas tudo nos leva a entender que é um assassino para as treze mortes. Além de todas as mortes serem por decapitação, os corpos estão sempre dispostos da mesma forma.— expicou Thiago.
— Interessante.— disse Savigny acompanhando os dois.— Thiago, se eu fosse você tratava de ficar a uma distância segura de Lafonte. Ele não se simpática com você e acha, como já disse que é você quem está matando esses pobres camponeses.
Ao ouvir isso, James virou-se para Jean e propôs-lhe:
— Jean, siga os passos de Lafonte. Veja com quem ele anda conversando enquanto não estou por perto. Você é novato aqui na abadia, então, ele não desconfiará que esteja sendo espionado. Qualquer coisa fora do normal me avise assim que puder.
— O senhor está desconfiando de Lafonte, abade?— perguntou Jean, assustado.
— Devo confessar que sim. Ele tem andado muito estranho nesses últimos meses, e desde que o Thiago veio para nosso reino ele piorou.
— Sendo assim, abade, faço. O senhor será avisado de qualquer alteração, conversa suspeita.— disse Jean aceitando sua missão.
Enquanto isso ocorria no mosteiro, Remy deixou o corpo, conforme instruções do Abade ao lado da cabeça que ainda estava pendurada na estaca, montou novamente em seu cavalo e rumou para o castelo. Lá, encontrou o Duque e o Conselheiro almoçando. Reinart foi o primeiro a notar a presença do batedor.
— Olá Remy!— cumprimentou-o Paul.— O que o traz aqui?
— Infelizmente não são boas notícias, Reinart, Duque Chevaliert. Hoje pelo amanhecer foi encontrado mais um corpo. A cabeça estava em uma estaca em frente ao quartel da infantaria e o corpo perto daquele lago ao sul. Aliás, sabiam que há um  sujeito estranho morando lá perto?
— Tem um homem morando perto do lago?
— Um senhor de idade, já meio biruta... Tentou me atacar.
Reinart segurou o riso. Tentou imaginar o batedor apanhando de um velho. Mas no fim deu uma nova missão o batedor.
— Descubra quem é esse senhor, Remy. E converse sobre ele com Pouvery.
— Sim, senhor.— aceitou Remy curvando sua coluna em quase noventa graus.
— Só mais uma coisa, Remy, Thiago tem participado do caso.
— Sim senhor. Se não fosse ele até agora eu estaria atrás do corpo, sem saber onde ele poderia estar. Ele encontrou uma pista que me levou direto a localização do corpo.— afirmou Remy pedindo permissão para e retirar. Permissão esta negada pelo Duque, que “ordenou” ao batedor para almoçar antes de partir de volta para o alojamento dos cavaleiros.

Comentários, pessoal?



Escrito por Mírian B. Rosa às 13h52
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CRIME EM DUAS ERAS capítulos 8 e 9

Seguem mais dois capítulos, e mais uma foto feita do AGE OF EMPIRES...

8) Tentando consertar os erros

Renato estava desorientado. O que acabara de acontecer estava totalmente fora do planejado. Murilo não sabia se estava de fato testemunhando uma viagem no tempo. Será possível? Seu melhor amigo, quase seu irmão foi parar em outra época, quase um milênio atrás no tempo?
— Renato, temos que dar um jeito de trazer o Thiago de volta...— disse Murilo.— E rápido! O problema são esses botões... Só o Thiago sabia a função de cada um deles. E... Cadê o botão de retorno?
Renato olhou para o lugar onde deveria estar um botão da máquina, branco com uma seta recurvada para a esquerda. O sangue do rapaz gelou.
— Murilo, eu acho que esse botão foi com o Thiago para a Idade Média!
— Essa não!— lamentou-se Murilo. Como consequência, seus ombros caíram ligeiramente.
— Renato, ande logo, traga meu filho de volta!— exigiu Luiz Antônio bravo.
— Eu estou tentando tio. Não é uma tarefa fácil.— justificou-se Renato.
— Compreendo.— disse Luiz Antônio ligeiramente mais compreensivo.— Mas faça o favor de demorar o mínimo de tempo possível.
Logo em seguida, Danilo e Ana Cristina souberam do ocorrido. A historiadora se desesperou, e o investigador se surpreendeu.
— Como é que é? O Thiago foi parar na IDADE MÉDIA? Isso? De que jeito?— perguntou Danilo.
— Uma máquina que ele inventou para... “trazer imagens do passado” deu tilt e o mandou para lá.
— Que bizarro.— concluiu o pai de Murilo e Júlia.— O Murilo está ajustando a máquina para trazê-lo de volta, confere?
— Sim. Mas não sei quanto tempo vão demorar. Ah, pelas imagens, Thiago está bem... Foi acolhido num mosteiro próximo ao lugar onde apareceu.
— Tomara que o Murilo dê conta do problema... Já está me dando agonia essa história... Meu filho perdido na era medieval... Espero que ele consiga se safar...— disse Ana Cristina contendo seu desespero. Passou a noite em claro.
No quarto onde a máquina estava instalada...
— Renato! O que podemos fazer para trazer o Thiago de volta? Ele não deixou um manual de instruções da máquina no notebook não?— perguntou Murilo.
— Não sei te dizer. Vou procurar.— respondeu o sobrinho de Luiz Antônio.
— Anda logo, o Tio Luiz Antônio vai ficar furioso se o Thiago não voltar pra cá são e salvo!— o filho de Danilo estava histérico.
— Acha que não sei?— retrucou Renato irritado com o nervosismo de Murilo.
Sofia e Júlia voltaram ao “local do crime” apreensivas.
— E aí, Renato, alguma novidade? Vai conseguir trazer meu irmão de volta?
— Sim, mas não tão cedo quanto queremos. Terei que reconfigurar a máquina e ajustá-la para trazer o Thiago de volta para nosso tempo. Isso vai demorar pelo menos uma semana.
— Tudo isso?— resmungou Sofia. Embora, como toda a adolescente, brigasse com o irmão mais velho, não queria ficar longe dele.
— Não posso agilizar. Fazer tudo mais rápido poderá colocar a vida de Thiago em perigo. Posso matá-lo se não respeitar o tempo necessário.— disse Renato. Murilo e Sofia engoliram seco.
— Ah, isso não pode acontecer!— soltou Júlia. Sofia olhou-a surpresa. Júlia teria muito o que explicar para sua amiga depois dessa.


9) Cabeça na estaca*

Três dias haviam se passado desde quando Thiago foi parar na Idade Média. François sempre o hostilizava, mas ele estava conseguindo “segurar as pontas”. Depois de terminar seu trabalho cuidando dos pergaminhos no porão do mosteiro, Thiago pediu permissão a James para sair e dar uma volta no reino. Pedido acatado, o jovem saiu para andar perto do estábulo da cavalaria. Lá, encontrou Remy e outros cavaleiros cuidando de seus animais.
— Boa tarde, abade Pouvery!— cumprimentaram vários deles.
— Boa tarde!— respondia Thiago sem saber se os corrigia ou não. Logo aproximou-se de Remy.
— Thiago ou Pouvery?— perguntou Remy após o rapaz se aproximar.
— Sou o Thiago, Legrand. Todos me confundiram com o abade James. Corrijo o pessoal, ou faço como fiz hoje, me passo pelo abade?
— Finja ser o abade. Até explicarmos... Mas o que vem fazer aqui?
— Nada, só estou passeando. Arejar um pouco a cabeça... Ficar trancado naquele mosteiro vai me deixar louco...
— Deve ser por isso que o Lafonte é esquisito...— calculou Remy.
— O monge François Lafonte?
— O próprio... Ele tem umas manias esquisitas, acho que é culpa da clausura... O abade Pouvery está há mais tempo que ele no mosteiro e ainda não ficou esquisito e acho que nem vai ficar. A não ser que essa história do cortador de cabeças o altere muito. Opa...— Remy havia prometido para si mesmo que não contaria a ninguém, exceto ao abade James sobre o caso. Embora todos os habitantes do reino soubessem dos crimes.
— Cortador de cabeças?
— Thiago, prometa que não vai comentar do assunto com o abade Pouvery. É o seguinte: nos últimos tempos decapitaram onze camponeses. Não temos ideia de quem são as pessoas que possam ter feito isso.
— Posse te fazer uma pergunta, Legrand?
— Claro e me chame de Remy.— aceitou e pediu o batedor.
— Já de passou pela cabeça que os onze assassinatos podem ter sido cometidos por uma pessoa só?
— Uma pessoa só?
— É. São os chamados assassinos seriais. Cometem vários crimes com curtos intervalos de tempo e de uma forma parecida.
Remy ouviu a explicação com uma das mãos no queixo. Aquela teoria era incrível. Acabou qualquer chance de Pouvery achar que apenas ele e Remy e Chavalier iriam cuidar do caso.
— Brilhante teoria Thiago. Vou comentar com o abade sobre ela. Muito interessante.
— Qualquer coisa estou às ordens.— disse Thiago omitindo o fato de ser filho de um homem que dedicava sua vida àquilo, investigar crimes.
Depois de alguns minutos, Thiago voltava ao mosteiro quando ao passar por dois cavaleiros, da tropa comandada por Remy, e um deles, comentou algo que soou suspeito a Thiago:
— Vou fazer mais um essa noite. Ninguém vai conseguir nada mesmo!
O cavaleiro em questão chamava-se Dominique Cavour, era um pouco mais novo que Remy, porém muito mais ambicioso e, ao contrário do batedor chefe, nutria profundo desprezo pelos principais nomes do Reino das Três Bandeiras: o Duque Chevalier e o abade Pouvery.
Sem comentar com ninguém sobre o ouvido, Thiago dirigiu-se ao mosteiro. Estava ajudando o abade James quando Remy apareceu e contou ao monge o que Thiago havia comentado com ele. A reação de James foi um misto de surpresa com incredulidade:
— Uma única pessoa fez tudo isso? Acho meio difícil.— ponderou o abade.
— Também acho, mas Pouvery, faz algum sentido.
— Concordo... Só acho difícil que alguém mate onze pessoas sem motivo. Aliás, quem te deu essa ideia?— perguntou o abade intrigado.
— O Thiago, abade.— contou Remy.
— Você meu jovem? De onde a tirou?
— Ouvi certa vez no reino onde vivia... Aconteceu um caso semelhante lá...— mentiu Thiago.
— E como se solucionou?— James ficara curioso.
— O suspeito foi visto por um arqueiro que estava numa torre de guarda para avisar no caso de uma invasão dos Mouros...
— Ah, entendo... Remy, vá comentar sobre isso com o duque e veja se ele concorda com a vigilância constante...
— Sim senhor.— disse Remy curvando respeitosamente a coluna em um ângulo de quase noventa graus.

Remy saiu do mosteiro, subiu em seu cavalo e trotou até o castelo do Duque que conversava com Paul Reinart, conselheiro do Reino das Três Bandeiras, que tal como ele, o batedor e o abade, estava preocupados com os ataques. O batedor se apresentou no salão curvou-se diante da dupla.
— Boa tarde Remy. O que o traz? Notícias sobre os cortadores de cabeças?— saudou-o Jacques.
— Ainda não meu caro Duque. Mas de certa forma trata-se dele.
— Dele? Como assim? Foram onze mortes!— contestou-o Paul.
— Nos foi exposta uma teoria, Duque, Conselheiro Reinart. O jovem vindo do reino de Algarves que está hospedado no mosteiro me perguntou sobre a chance de ser uma só pessoa quem executou as onze mortes.— contou Remy explicando a teoria para os dois nobres.
— Muito espantoso!— exclamou Paul.— Gostaria de conhecer esse jovem. Converse com Pouvery e o traga aqui assim que for possível, Remy.
— Sim senhor conselheiro.— Remy novamente fazia quase um ângulo reto com a coluna.
— Algo me diz que esse rapaz será valioso na solução desse caso, Remy. Quero que ele participe no que você fizer...
— Tudo bem, Reinart, Thiago participará do caso.— concordou Remy.— Peço permissão para me retirar. Voltarei ao mosteiro pedir permissão ao abade para trazer Thiago até vossa presença.
— Thiago é o nome desse jovem?— perguntou Paul.
— Sim senhor.
— Ótimo. Permissão concedida, Remy.

O batedor cavalgou de volta ao mosteiro. O sol ainda estava alto. Entrou. François o olhou com desprezo. Remy curvou levemente o tronco para o monge e foi ao encontro de James, perto do altar, ao lado de quem Thiago se encontrava.
— Com licença abade, o conselheiro Reinart deseja conhecer seu hóspede. Posso leva-lo até o castelo?
— Perfeitamente. Mas o traga antes do anoitecer, por favor. Sei que com você ele está seguro, mas estou com medo do cortador de cabeças aparecer hoje de novo por aqui.
— Fique tranquilo, Pouvery. Acredito que a mim ele não irá atacar.
— Ótimo. Thiago, acompanhe Remy até o castelo do Duque Chevalier.
— Sim senhor.— disse Thiago nervoso.

De volta ao castelo, Paul conversou por um bom tempo com Thiago. Sem se interessar pela origem do jovem, e sim pelo que sabia sobre solução de crimes.
— Fico aliviado em saber que o caso contará com uma mente como a sua, meu caro.
— Como assim, conselheiro, vou investigar esse caso?
— Sim, meu jovem, trabalhará com Remy para descobrirem o autor dessas mortes.
— Será uma honra, conselheiro Reinart. Farei o possível para descobrir quem vem matando os camponeses do Reino das Três Bandeiras.
Depois disso, Reinart e Chevalier dispensaram Thiago. “Você terá bastante trabalho, meu jovem, volte para o mosteiro e descanse.” Aconselhou-o Chevalier.

Naquela noite tudo parecia tranquilo... Thiago, ansioso pelo que conseguira, não conseguia dormir direito quando escutou o som de um cavalo andando em um ritmo razoável. Ele vinha até próximo ao mosteiro, calculou Thiago pela intensidade do barulho e cavalgava para algum ponto longe o suficiente para o som não mais chegar ao mosteiro e retornava cerca de cinco minutos. Assim foi por boa parte da noite. “Ronda” pensou Thiago. Mas no dia seguinte...
— Abade Pouvey!— chamou Remy entrando apavorado no mosteiro por volta das sete horas da manhã, quando todos os quinze monges e Thiago rezavam na capela do mosteiro conduzidos pelo abade chamado.
— O que houve Remy?
— Outro corpo... A cabeça foi colocada em uma estaca perto do quartel...
— Essa não!— resmungou James descendo do altar e suspendendo as orações.— Thiago, vamos.

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 22h19
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CRIME EM DUAS ERAS - Novo capítulo parte 2

Segunda e última parte do capítulo...

Sem coragem de perguntar ao abade o que significava aquilo, Thiago ficou quieto e desejou que houvesse paz no Reino das Três Bandeiras, que tão bem o acolhera.
Depois, o monge determinou que era hora de se recolherem em suas celas. Foi com Thiago até a dele. Assim que fechou a porta, James viu uma sombra baixinha e enfurecida se aproximando dele nos corredores do mosteiro e lhe perguntando:
— Pouvery, esse forasteiro ficará nos perturbando por quanto tempo?— era o monge François Lafonte, nada feliz com o acontecido recente.
— Pelo tempo que for necessário e o proíbo de chamar Thiago de forasteiro.— impôs-se James Pouvery.— Aliás, de onde tirou que ele nos perturba?
— Esse rapaz não veio de bom lugar não, Pouvery. Logo ele trará problemas.
— Por que essa implicância? Hoje no almoço você quase o fulminou com o olhar. É só um rapaz provindo do reino de Algarve perdido em nossas terras.
— Confie em mim pelo menos uma vez, Pouvery, ele vai nos trazer problemas.
— Não acredito nisso. E pare de insistir, não o tirarei do mosteiro. A não ser que o mesmo me peça. Em todo caso, já consegui um lugar para ele ficar caso ele não queira ficar no mosteiro. O castelo do Duque Chevalier. Mas Thiago só irá para lá SE quiser. Se eu descobrir que você o intimidou a sair daqui é você quem vai ficar desabrigado, François.
— Certo, James, finja que esse garoto é inocente.
— Do que está falando?
— Acha mesmo que ele é apenas um garoto de Algarves perdido? Você pode estar dando abrido ao cortador de cabeças...
— Ele mal consegue empunhar uma espada e subir em um cavalo...—- desvencilhou-se James.— Agora chega, já passou do momento de dormirmos. Estou de olho em você, François.
Thiago ouviu toda a conversa e ficou extremamente nervoso. Tem alguém cortando cabeças por aqui e o monge Lafonte pensa que sou eu! Mas pelo menos Pouvery acredita em mim. Passou a noite em claro, tirando apenas cochilos que não passavam de vinte minutos de duração.
No Brasil a situação estava tão tensa quando no Reino das Três Bandeiras. Só que por um motivo oposto.



Escrito por Mírian B. Rosa às 21h51
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CRIME EM DUAS ERAS - Novo capítulo parte 1

Olás, galera, segue o 7º (hum...) capítulo de Crime em duas eras. Não se esqueçam de comentar!

7) Mosteiro*

Adaptar-se à vida no século 12 não seria fácil. Embora conhecesse os costumes medievais, vivê-los não seria tranquilo. Ainda mais quando o assunto eram as rígidas regras de um mosteiro. Depois de deixar Thiago dois dias à vontade, James o levou para uma espécie de escritório do mosteiro. Lá dentro, explicou a Thiago:
— Bem Thiago, o motivo da nossa conversa aqui é o seguinte: nem todos os monges aprovam sua presença. Como você é um desconhecido em nosso reino, há um receio de que você não tenha vindo aqui em paz.
— Como assim, abade James?
— François Lafonte, um dos monges, foi bem explícito comigo ao dizer que não concorda com sua presença em nossas dependências. Então, para apaziguar os ânimos decidi uma coisa, você deverá seguir a rotina do mosteiro, acordando conosco, fazendo nossas orações e todos os trabalhos que surgirem por aqui. Como é novato, compreendo que terá algumas dificuldades. Qualquer problema é só me procurar. Ah, vista isso.— terminou o monge entregando uma batina negra ao jovem “monge”. Todos os demais monges se assustaram ao ver Thiago usando aquela batina. Se não fossem os vinte centímetros de altura que tinha a menos que James Pouvery, os dois passariam como a mesma pessoa. Mesmo tipo físico, mesmo cabelo, mesmos olhos de um azul profundo. Remy ao vê-lo, comentou:
— Meu rapaz, você está parecendo ser um irmão mais novo do abade Pouvery.
— Acha mesmo?
— Sim, antes de você se apresentar aqui pensei que fosse ele quem estivesse chegando.
Logo, o próprio James Pouvery se aproximou do local. Um calafrio percorreu a espinha do abade. Thiago era uma versão mais jovem de sua pessoa.
— Perfeito, Thiago, você está se adaptando bem às nossas regras. Legrand, se me permite, preciso levar o rapaz aqui para outro lugar. Se ele vai ficar no mosteiro, terá que viver como um monge. E... Pergunte ao duque se haverá algum problema se ele tiver de morar no castelo.
— Claro, Pouvery.— concordou Remy curvando a coluna quase dobrando-a ao meio.— Aliás, abade, percebeu como nosso hóspede se parece com o senhor? Quase os confundi.
— Realmente, somos parecidos, Legrand. Uma confusão não seria um problema. Thiago, vamos. Temos que organizar os pergaminhos do porão.
— Pergaminhos?— perguntou Thiago com os olhos brilhando. “Até que não foi tão ruim assim vir parar na idade média” concluiu o garoto lembrando-se que fora parar lá por acidente e imaginando o “pandemônio” que se instalara em sua casa... O Murilo e o Renato devem estar se matando para consertar a máquina e me levar de volta. E meu pai deve estar bravíssimo com os dois. Pensava ele no caminho, percorrido em completo silêncio por ele e pelo abade.
— Bem Thiago, chegamos. Hoje, como é seu primeiro dia nesse tipo de trabalho eu o ajudarei, mas a partir de amanhã, o fará sozinho, tudo bem?
— Sim senhor.
James e Thiago passaram o dia dentro do porão, saindo apenas no horário do almoço. Depois de aprender como arrumar o local, Thiago perguntou mais alguns detalhes para o solícito abade que lhe respondeu com toda a paciência do mundo. Às cinco da tarde, horário que Thiago supôs ser pela localização do sol na abóbada celeste, saíram e foram a igreja do mosteiro fazer as últimas orações do dia. Ajoelhado ao lado de James, Thiago ouviu claramente o abade pedir que não ocorressem mais mortes no Reino das Três Bandeiras. Principalmente as violentas.



Escrito por Mírian B. Rosa às 21h50
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CRIME EM DUAS ERAS -Amostra grátis versão 2.0-

Bem, gente, mais três capítulos do livro pra vocês... Divirtam-se e NÃO SE ESQUEÇAM DE COMENTAR!

3) Teste na tempestade

Lagoa da Prata, 10 de fevereiro. Thiago entra no quarto de seu primo mais velho, Renato. Órfão de pai (que morreu três meses antes de seu nascimento) e mãe, Renato era criado pelo tio materno, Luiz Antônio e sua esposa. A família de seu pai não o reconhecia.
Ao abrir a porta, encontrou o primo sentado em sua escrivaninha, usando o Notebook. Presente da avó, Vera, que se desdobrava para suprir as necessidades do neto. Era quem pagava algumas das despesas dele, muito embora Luiz Antônio dissesse ser desnecessário.
— O que é, Thiago?
— Vamos testar a máquina agora... Quer acompanhar?
— Acha que aquele trambolho vai funcionar, Thiago?— debochou Renato.
— O pior é que não...— desanimou-se Thiago.
Do lado de fora, Murilo e Júlia esperavam por Thiago, Renato e Sofia impacientes.
— Demoraram!— protestou a garota.
— O Thiago estava convencendo o Renato a vir...— explicou Sofia.
— Ah, tá...— consentiu Júlia.
— Não estou passando bem...— resmungou Murilo.
— Pudera, comeu uma pizza inteira ontem!— constatou Renato.
— Todo mundo que me conhece sabe que eu não resisto à uma boa pizza de frango com catupiry. E ontem a gente estava comemorando o aniversário do Thiago! Daqui dois meses é o meu... Bateu uma ansiedade agora...
— Que papo de mulherzinha é esse, Murilo? Espera o tio Danilo ouvir essa...— brincou Thiago.
Murilo pensou em responder Thiago com um sonoro palavrão, mas mudou de ideia ao ver Luiz Antônio se aproximando.
— Vocês vão tentar usar essa geringonça agora?— perguntou o investigador.
— Vamos, tio.— disse Júlia.
— Vão testar em que época?— Luiz Antônio tentava entrar no clima.
— Medieval, pai.— era Thiago.
— Interessante.— disse Luiz Antônio olhando para o monitor no qual Murilo digitara aleatoriamente o dia 25 de maio de 1137.— Murilão, por que este dia aí em especial?
— Chutei, tio. Aliás, não muito. É minha data de aniversário. Se eu tivesse nascido neste dia faria com oitocentos e setenta e seis anos.
— Está velho, hein?
Murilo só riu. Thiago logo cortou o papo para, enfim, testarem a máquina.
O céu, até então limpo, de repente fechou-se armando uma enorme tempestade. Logo começaram a ver relâmpagos e a ouvir trovoadas distantes. Danilo chegou alarmado à residência de seu colega, recém-voltado de um plantão da delegacia. Viera buscar seus filhos, mas Ana Cristina o convenceu a ficar em sua casa para o almoço. E também, seus filhos estavam ocupados com uma “invenção” de Thiago no quintal.
— Está armando uma bela tempestade... O tempo está completamente doido... Minutos atrás o céu estava completamente limpo...— comentou Danilo com Ana Cristina enquanto a ajudava a preparar a refeição.
— Verdade. O tempo está virando direto. Mas tomara que essa chuva refresque um pouco. Está quente demais!— disse a historiadora.
— Quente até demais.— concordou Danilo.
Logo a ameaça de chuva tornou-se real. Uma bela e grossa chuva caiu sobre a cidade, com muitos relâmpagos e raios.


4) Essa não!

A chuva engrossava cada vez mais enquanto a turminha ajustava a “máquina do tempo” para mostrar imagens da idade média.
— Vamos ver se vai funcionar...— decidiu Thiago apertando um botão da máquina bem na hora que um raio caía no para-raios de uma torre de celular a poucos metros da casa da família. Um clarão tomou conta da sala, como um super flash de uma câmera fotográfica houvesse disparado. Quando voltou ao normal todos notaram um problema. Estavam apalermados ao verificarem na tela da “máquina” imagens de um castelo com três bandeiras sobre a torre mais alta ao fundo e uma pessoa aparentemente inconsciente, deitada no chão de terra em frente ao castelo, há aproximadamente um quilômetro de distância.


5) Um garoto na Idade Média*

Uma chuva forte se aproximava do Reino das Três Bandeiras. O abade Pouvery se recolhera em sua cela orando para conseguir descobrir algo sobre o cortador de cabeças quando a chuva começou a cair. Logo viu um clarão imenso entrando por uma janela, do lado oposto ao que ficava seu mosteiro. Fez uma careta de susto e voltou-se para suas orações. Uma hora depois, quando a chuva amainou, recebeu a notícia. Havia um homem, de aparência bem jovem caído no chão próximo à uma mata. Bem no lugar onde ele vira o clarão, no início da tempestade.

Thiago finalmente abriu os olhos. Sua cabeça e seu corpo doíam como se ele tivesse acabado de ser atropelado por um trator. Quando conseguiu enxergar de novo viu que estava em uma área externa. Com alguma dificuldade, girou sua cabeça. Não estava nem em sua cidade natal, muito menos em seu quarto. Tateou o local em que estava deitado Era terra. Onde caíra? Sentou-se e logo viu dois vultos se aproximando. Um homem montado em um cavalo e outro vestido com uma batina negra. Girou um pouco mais o pescoço e enxergou um castelo. Finalmente entendeu o que lhe acontecera. E não era bem aquilo o que queria.
Os dois vultos se aproximaram. Thiago pode ver seus rostos, o cavaleiro parecia não ter mais que vinte e cinco anos e o monge não passava dos quarenta. “Não acredito, vim parar num reino medieval” lamentou-se. Os dois finalmente chegaram até o local em que ele se encontrava.
— Está bem, meu jovem?— perguntou o monge.
— Acho que sim, padre.— respondeu.
— De onde veio, meu caro?— o “padre” continuou perguntando. Estava claro que o rapaz não era de lá.
— Oeste. Reino de Algarve.— respondeu prontamente julgando ótimo ser filho de uma professora de história.— Onde estou?
— Reino das Três Bandeiras, acredito que seja bem longe que onde veio, meu rapaz.
— Não tenho ideia. Estou caminhando há dias, perdi a noção de distância.
— Você me parece faminto. Legrand, ajude-o a se levantar e leve-o até o mosteiro. Ele ficará sob minha responsabilidade até ter condições de retomar sua jornada.
— Sim senhor, abade Pouvery.— acatou Remy fazendo novamente um “L” com sua coluna.— Vamos, jovem.— o batedor voltou-se para Thiago que ainda estava sentado no chão, sem conseguir se levantar.
Educadamente Remy estendeu-lhe a mão e ajudou-o, assim como ajudou-o também a subir no animal. Seguiram acompanhando os passos rápidos do monge que queira chegar ao mosteiro antes de escurecer. Thiago deu uma rápida olhada para o sol. Calculou que eram aproximadamente cinco horas da tarde. Logo estavam no mosteiro. Ainda havia resquícios de sol no horizonte. James Pouvery deixou seu convidado em uma sala e dirigiu-se ao interior do mesmo. Logo reaparecendo e pedindo que o garoto o acompanhasse. Thiago logo se viu em outra sala. Pouco depois o monge voltou com um outro homem, provavelmente um criado. O segundo trazia uma tigela em mãos.
— Tome.— disse o monge quando o criado depositou a tigela de sopa sobre a mesa, em frente a Thiago, que realmente faminto tomou a sopa de legumes e carne.
— Obrigado monge...— começou Thiago sem saber como tratar seu hospedeiro.
— Abade James Pouvery. Seu nome por favor.
— Thiago Bragança.— respondeu ele tomando “emprestado” o sobrenome dos nobres Portugueses.
— Hum... O que vem fazer aqui, meu caro?
— Estou à procura de um lugar para me estabelecer. Os mouros tomaram o Reino de Algarves, senhor.
— Bom, espero que goste daqui. Amanhã te levarei até o Duque Chevalier. Nosso governante.
— Obrigado, abade Pouvery.
Após essa conversa, James se retirou do local. Escrevera uma mensagem para o Duque e aproveitaria que Remy ainda estava por perto para levar a mensagem até seu destinatário. Entregou o pergaminho e voltou-se para Thiago.
— Venha comigo, meu jovem, você vai ficar aqui no mosteiro essa noite. Temos uma cela disponível.
“Cela?” Perguntou-se Thiago até se lembrar de que é esse o nome dado aos quartos em mosteiros e abadias, nos quais os religiosos viviam enclausurados, saindo apenas em ocasiões excepcionais.


6) Bem-vindo ao Reino das Três Bandeiras*

Amanhecera. Thiago ainda sentia dores no corpo. Viajar no tempo não era brincadeira, constatou o rapaz levantando-se. Sentia tensão em cada uma de suas células. Permaneceu sentado em sua cama até que, meia hora depois que acordou, o abade Pouvery veio busca-lo.
— Vamos meu jovem. Será apresentado ao Duque agora. É ele quem vai conceder-lhe permissão para viver nessas terras ou não.
Thiago maneou a cabeça concordando com o abade e seguindo-o. Caminharam quase cinco quilômetros até chegar ao castelo imponente, o mesmo que vira quando “chegou” ao local. Pensou em elogiar, mas achou melhor reservar-se o máximo que pudesse. Estava em uma época sabidamente intolerante.
Quando passaram pelo portão encontraram-se com Remy que estava a frente de um grupo de trinta cavaleiros. Gritando instruções. Provavelmente uma batalha estava prestes a acontecer. Em um salão, o Duque esperava pelo abade e pelo jovem hóspede do mosteiro.
— Duque Chevalier, vim apresentar-lhe o jovem sobre quem escrevi na mensagem de ontem, creio que tenha chegado oportunamente a suas mãos.
— Chegou, Pouvery. É esse o jovem de que trata a mensagem?
— Sim senhor.
— Bem...— disse o Duque levantando-se e examinando Thiago detidamente.— Seja bem-vindo ao Reino das Três Bandeiras, meu caro. Qualquer coisa que quiser, fale com o Abade Pouvery. Ele será o responsável por você enquanto permanecer conosco.
— Ficarei no mosteiro, Duque?
—Exato.



Escrito por Mírian B. Rosa às 20h00
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CRIME EM DUAS ERAS -Amostra grátis-

Bem pessoal, conforme prometido no post anterior, segue eaqui os dois primeiros capítulos de "Crime em duas eras"... Só avisando que quem não comentar vai ser perseguido por um DEATHBAT!

1) A máquina das trevas

Lagoa da Prata, Minas Gerais, Brasil, sábado, nove de fevereiro de dois mil e treze. O mundo não acabara, e tudo estava se iniciando novamente para todos os habitantes da bela e pacata cidade do oeste mineiro.
Em uma casa próxima ao lago que deu nome a cidade em questão, um garoto cujo aniversário de 15 anos ocorria naquele dia, Thiago Farias Carvalho, entrou correndo na casa de seus pais, o investigador Luiz Antônio e a professora Universitária Ana Cristina atrás de sua irmã de até então 13 anos, Sofia.
— Pai, cadê a Sofia?
— No quarto dela, Thiago. O que você quer com sua irmã?
— Nada demais. Mostrar um negócio pra ela. E... Pegar um livro no quarto dela.
— Só isso mesmo?— perguntou Luiz Antônio desconfiado. Seus 20 anos de polícia o fazia sempre achar que havia algum interesse secundário escondido em cada ação de qualquer pessoa. Até mesmo em seu filho adolescente.
— É.— afirmou o garoto marchando em direção ao quarto da irmã.
— Por favor, Luiz, pare de achar que o Thiago está sempre aprontando alguma. Se há uma coisa da qual não podemos reclamar, é que ele nos dá trabalho. Tem que ver o filho da Vera.— censurou-o sua esposa, Ana Cristina.— Thiago é assim por influência do Renato. Aliás, cadê ele?
— Está na casa da minha mãe. Essa Vera de quem você está falando é aquela professora de filosofia?
— Ela mesma. Ontem mesmo ela me ligou pra dizer que o menino sumiu de casa outra vez. Quer ir morar com o pai...
— Pelo o que você me contou a separação dos dois foi conturbada... E até hoje os dois disputam a guarda do moleque no tapa...
Ana Cristina riu.
— Isso é verdade. Até a irmã dela entrou na dança...
Nisso, Thiago, acompanhado da irmã. Sofia, e de Júlia, filha de um colega de Luiz Antônio na polícia, Danilo, passam pela sala. Thiago carregava um livro de tamanho razoável sobre história medieval, possivelmente “afanado” da biblioteca de sua mãe. O investigador logo sente falta de alguém.
— Thiago, cadê o Murilo?
— Está lá fora, Pai. Estamos mexendo com uma máquina maluca...
— Epa! Podem parar! Do que você está falando, meu filho?
— Estamos trabalhando pra transformar aquele computador velho que o tio Danilo me deu.
— Hum... Trabalhando, é?  Que você está fazendo, mocinho?
— Nada demais, Pai. Estou adaptando o computador para poder ver filmes nele.
— Conta outra, Thiago, eu sei que ele já veio com leitor de DVD.
— Presta atenção no que você vai falar, Thiago!— mandou Júlia, 14 anos, a filha de Danilo e irmã gêmea de Murilo, ela e o irmão viviam na casa de Luiz Antônio e Ana Cristina, pois sua mãe, Luciana, falecera quando eles tinham 4 anos em um acidente de carro.
— Já vi tudo. Quero ver essa máquina agora!— exigiu Luiz Antônio mandando seu filho leva-lo até o local em que estava com o amigo Murilo “trabalhando” no computador. Lá chegando, não viu nada demais. Até virar-se para seu lado esquerdo e achar, escondida num canto, outra máquina aparentemente saída de um filme de ficção científica.— O computador me parece normal, quero saber é que geringonça é essa aqui.
— Esse é o “pulo do gato” tio Luiz.— começou Murilo empolgado.— Com ele vamos importar imagens de outros tempos...
— Como?
— É, tio, vamos poder ver imagens da Idade Média, Antiguidade, pré-história, igual aos documentários do Discovery Channel!
— Ainda não entendi. Seria como um sistema de vigilância? Imagens REALMENTE vindas de séculos atrás, não meras reproduções?
— Exato.
Aquilo era muito para o investigador que confiscou imediatamente a lata de guaraná que Murilo tomava.
— Isso tem droga da forte. Vou levar já pra perícia.
— Tio!
— Não vou periciar a latinha, mas Murilo, vocês estão tentando algo simplesmente impossível. Viajar no tempo?
— A gente não vai viajar no tempo, pai. Vamos é trazer o passado até nós.— tentou explicar Thiago.
— Piorou.— disse Luiz Antônio subitamente imaginando um monge medieval no meio de sua sala.
— Vamos testar amanhã.

2) Nova vítima*

Dia quinze de maio de mil cento e trinta e sete, o dia mal havia clareado e dois homens batiam às portas do mosteiro de São Tiago, no Reino das Três Bandeiras no sul da França. Atualmente essa região fica na cidade de Lyon. Batem nas pesadas portas de madeira do prédio.
Após cerca de dez minutos, são atendidos por um dos monges. Alto, magro de cabelos escuros e profundos olhos azuis. Tratava-se de James Pouvery, o abade-chefe do mosteiro.
— Desculpem a demora. Orações matinais. O que ocorreu?
Os dois homens respiram fundo e contam:
— Mais um, monge. Achamos o corpo perto do campo de trigo e a cabeça ao lado do rio...— lamentou-se o lavrador.
— Vamos rezar pela alma desse pobre homem.— disse o monge querendo, na verdade descobrir quem era o autor do assassinato.
Entretanto, nos próximos dias, muita coisa iria desconcentrar o abade, que voltou-se para o interior da igreja decidido a por um fim aos ataques do tal decapitador...
— Quem será que está fazendo isso?— perguntou-se.
— Quem está fazendo isso o que, Pouvery?— perguntou-lhe outro monge, François Lafonte. Baixinho e gordinho. Típico estereótipo de monge medieval dos filmes.
— O cortador de cabeças fez mais uma vítima, Lafonte. E já lhe disse que prefiro ser chamado de James!
— Tudo bem, James.—- concordou François.— Isso é obra de algum bruxo possuído pelo demônio.
— Mesmo?— duvidou James. O monge apesar da época em que vivia, não acreditava piamente em seres possuindo corpos alheios e fazendo qualquer tipo de coisa assim.
— E há outra explicação?— rebateu François desafiadoramente.
— Ainda não...— desistiu James.
Em outro canto do reino, havia outros dois homens preocupados com o ataque... Esse homens eram o Duque Jacques Chevailer, um homem de estatura mediana, cabelos ralos e grisalhos, responsável pelo Reino das Três Bandeiras e Remy Legrand, jovem batedor, alto, robusto, chefe da cavalaria do reino. Muitos camponeses estavam debandando de lá para não serem atacados. Jacques por mais que quisesse impedir essas saídas, via-se impedido de agir, ninguém queria morar em um lugar no qual as pessoas eram decapitadas pelo simples fato de saírem de suas casas quando ainda estava escuro. Muitas vezes por necessidade.
— Legrand, está em suas mãos descobrir quem é esse homem e leva-lo os Abade Pouvery.— decretou o duque.
— Missão aceita senhor.— concordou o batedor curvando-se até quase fazer um “L” com a coluna.— Mas não tenho ideia de como proceder. O Abade Pouvery poderia me ajudar?
— Certamente. Duvido que ele esteja gostando dos ataques...— disse o Duque.
— Certo. Irei falar com ele. Com sua permissão, retiro-me daqui.
— Pode ir, Legrand.
Feito isso, Remy Legrand saiu do castelo do duque e à sombra das 3 Bandeiras que tremulavam no alto da torre de vigia do castelo avistou o mosteiro de São Tiago, local onde encontraria o homem com quem precisava falar. Subiu em seu cavalo e cavalgou as quase três milhas que separavam o castelo do mosteiro.
Mal desceu de seu animal, viu o monge François Lafonte se aproximando, extremamente solícito.
— O que deseja, nobre Legrand?
— Monge Lafonte, desejo conversar com o abade Pouvery em particular.
— Pouvery encontra-se recolhido em sua cela. Um momento que irei avisá-lo.
— Obrigado.— disse Legrand desconfortável com o excesso de pompa com o que Lafonte o tratava.
Enquanto o batedor esperava pelo abade, um criado aproximou-se e ofereceu-lhe água em uma tigela de barro. O cavaleiro aceitou e bebeu a água. Logo depois viu o alto e magro monge chegar sem a sombra baixinha e gorda de Lafonte. “Pelo menos isso ele entendeu”. Levantou-se imediatamente.
— Abade Pouvery. Nós estamos com um grande problema aqui no Reino das Três Bandeiras.— começou Remy.
— Refere-se às mortes, não?— disse o Abade.
— Perfeitamente. O Duque Chevalier me incumbiu de descobrir quem é que está matando essas pessoas. O senhor tem ideia do que podemos fazer para achar os responsáveis?
—Nenhuma, Legrand. Também estou pensando no que fazer com isso. Temos que descobrir antes que ocorra outra morte.
— É...— lamentou-se o batedor.
Os dois homens permaneceram em pé, pensativos, sem terem sequer uma ideia que os ajudasse a descobrir quem executara aqueles crimes. Todas as mortes eram bem parecidas, mas, pior, sequer tinham ideia de que era apenas um o assassino. Não existia, no século doze, o conceito hoje amplamente difundido do assassino em série, o popular Serial Killer.



Escrito por Mírian B. Rosa às 15h33
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Novo livro no ar...

Livros de mistérios são sempre legais, têm um público muito bacana e um dos clássicos do gênero é o romande "Em Nome da Rosa" do escritor italiano Umberto Eco no qual há um crime dentro de um mosteiro medieval... Bem, graças ao joguinho AGE OF EMPIRES eu me apaixonei pela idade média... E então, usarei disto para escrever a história mais "non sense" que já escrevi na minha vida. O dito-cujo chamar-se-á "Crime em duas eras" e terá inclusive viajem no tempo. Já pensando como escritora "profissional" será uma obra que vai atrair o público na casa dos 11-15 anos. Bem, pra quem se interessou e vai continuar lendo o post, a sinopse segue abaixo... Avisando desde já É UM LIVRO DE FICÇÃO!

No ano de 1137 d.C. o Abade James Pouvery e o Duque Jacques Chevalier tentam resolver um mistério no Reino das 3 Bandeiras, localizado no interior da França (onde hoje está situada a cidade de Lyon) quando quinze camponeses apareceram decapitados. No Brasil dos tempos atuais, um grupo de jovens (Thiago, Murilo, Renato, Sofia e Júlia) aficionados em ciências e história medieval criam uma máquina para mostrar cenas que qualquer período histórico como se fosse um documentário. Só que a máquina, ajustada para mostrar cenas da Europa Medieval estava ligeiramente desregulada e transporta Thiago para o Reino das Três Bandeiras em plena época em que o decapitador estava em ação.

O Jovem é acolhido pelo Abade Pouvery enquanto ele tenta resolver o mistério das decapitações.

Por aqui, Renato, Murilo, Sofia e Júlia tentam de tudo para trazer Thiago de volta.

Na época medieval, Thiago (que sempre foi aficionado por mistérios e romances policiais, além de história medieval) tenta, da forma menos suspeita possível usar seus conhecimentos sobre investigações (ele é filho de um policial) para ajudar a resolver o mistério. O chefe da guarda do Duque, o Batedor Remy Legrand, é o responsável pelo caso e não consegue sequer cogitar quem pode ser o decapitador, logo, as suspeitas recaem sobre Reymond Leroy, um sujeito solitário e estranho que vivia em uma cabana à beira de um lago.

Thiago tenta convencer a pesquisar melhor, mas a falta de tecnologia na época e também há o impasse cultural.

Resta saber, agora, se o Abade, o Duque e o Batedor irão conseguir encontrar o decapitador e se Thiago conseguirá retornar ao seu real tempo.

 

Bem galera já deu pra ver QUEM vai aparecer por aqui... JIMMY SULLIVAN! E em dose quádrupla! Além do James Pouvery, o monge protagonista do tempo medieval, há também o Jacques (Variante francesa de James) e o protagonista "atual" da história, Thiago (Variação brasileira do nome - Tem Jaime também, mas acho meio feio).

Agora, essa é pra quem nunca viu o jogo Age of Empires... Segue abaixo a foto de um mosteiro que construí em uma das vezes que joguei AOE, faz teeeeeeeeeeeeempo que não jogo!

Bem galera, é isso. Seguirá, no post seguinte os dois primeiros capítulos do livro, sem promessas de novos em breve não! Ando sem tempo para pensar muito nisso! :)



Escrito por Mírian B. Rosa às 14h05
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Novidades do Sangue em Pó

Oi galera! Após um enorme hiato estou de volta! E trazendo boas, não, ótimas, não, excelentes notícias sobre o Sangue em Pó: ELE SERÁ PUBLICADO! Sai em mafrço do ano que vem! Aliás estou devendo essa notícia aqui desde abril deste ano, quando recebi a proposta da editora. Bem, é isso, mais detalhes, em breve. Atenção aos próximos posts.



Escrito por Mírian B. Rosa às 13h50
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MOMENTO CULINÁRIO 3.0

Dia 12/11 foi aniversário de dois sobrinhos meus... O Pedro e o Caio, por consequencia, fiz um bolo... Dessa vez sem o auxílio de nenhuma das minhas trocentas revistas de culinária (Tenho quase 400). Inventei a receita misturando umas três diferentes que tinha. Segue abaixo com uma foto dessa tentação com cobertura de trufa de chocolate, essa copiada do site da nestlé (http://www.nestle.com.br/site/cozinha/receitas/Trufas_de_Chocolate.aspx)

 

BOLO DE AMENDOIM

Ingredientes:
2 xícaras de chá de amendoim torrado descascado e BEM moído. (Compacte o máximo que puder na xícara, ao medi-lo).

1 xícara de chá de farinha de trigo

2 xícaras de chá de açúcar

3 ovos (claras e gemas separas)

3 colheres de sopa de margarina

1 vidro de leite de coco

1 colher de sopa de fermento em pó

 


Preparo:


Bata as claras em neve. Sem parar de bater, acrescente as gemas, uma a uma, o açúcar, a margarina e o leite de coco.

Misture o amendoim com a farinha e agregue à massa ainda batendo. Desligue a batedeira e misture o fermento.

Coloque em uma forma untada e enfarinhada de 25cm de diâmetro e asse na temperatura de 200º até que enfiando um palito no centro,

saia limpo. Desenforme e decore a gosto. Sirva frio.

 

Segue agora uma foto, mas fica uma advertência: para o bolo da foto foram três receitas!!!

Até mais!!!

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 22h31
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Capítulo 6 - Descobrindo a História

Mais um capítulo de Dossiê DNA pra vocês!!! Divirtam-se!

Assim, dois dias depois já tinham o resultado: Todas as crianças que processavam Jefferson foram geradas na mesma clínica de fertilização. As outra nove golpistas/oportunistas (palavras usadas por João Paulo para qualificá-las), contaram basicamente a mesma história que Leandra.
Então, Jefferson foi chamado para aparecer na delegacia, o que fez tão logo recebeu o aviso, claro, acompanhado de Victor Castilho. Assim que entrou no distrito foi para a sala de interrogatórios com Paula, a agente encarregada do mesmo.
— Bem, Jefferson.— começou a investigadora.— Já sabemos como você se tornou pai dessas crianças.
— Duvido que seja eu.— interrompeu Jefferson.
— Vai devagar com o andor, Jefferson. A pergunta que vou fazer é meio delicada, mas tenho de fazê-la. Alguma vez na sua vida você foi doador de sêmen?
— O quê? Como? Nunca tive essa ideia... De onde foi que você tirou essa ideia maluca?
— Jefferson, acalme-se.— pediu Victor, seco.— Agora, investigadora, refaço a pergunta dele: de onde veio essa hipótese?
— Entrevistamos as mulheres que ingressaram com as ações de paternidade. Todas elas confessaram, por assim dizer terem feito fertilização in vitro. E que funcionários da clínica disseram ser o seu cliente o doador do material.
— Doutor Victor, eu nunca cogitei a ideia de ser doador de sêmen. Aí está algo que eu nunca faria.
— Jefferson, agora é hora de falar a verdade. Tem certeza de que você nunca doou sêmen na vida?
— Tenho. Isso deve ter dedo do inescrupuloso do Davi...— disse Jefferson irritado.

—X—X—X—X—X—

Do lado de fora da sala...
— Davi de novo?— resmungou Yuri ao ouvir Jefferson citar o nome de seu antigo empresário.— Vendo meu rim, meu fígado e até minha alma pro capeta, mas com ele eu não falo de novo.
— Calminha, Yuri, tem muita gente pra botar na parede. Ele, a Lara, de novo, se o Jeff falar algo que a comprometa e, também, o pessoal da clínica. Você a Lillian vão “prensar” a Lara, a Gabriela e a Paula vão falar com o Davi e o Nery vai à clínica do Roger.— disse João Paulo.

—X—X—X—X—X—

De volta à sala de interrogatório...
— Jefferson, escave a fundo sua memória aí e veja de descubra alguma coisa que possa ajudar no caso.
— Hum...— disse Jefferson apertando os olhos.

—X—X—X—X—X—

Lara. Aquela mulher era maravilhosa. A noite fora ótima. Mas...
— Jeff, vou sair. Tem uma amiga minha hospedada aqui, vou falar com ela.— disse ela com uma ligeira apreensão na voz.
— Tudo bem, mas, às duas e meia da madrugada?
— É... Fui.
— Ok...— Jefferson estava intrigado. E a moça carregava um envelope pardo visivelmente molhado. Tentou pensar no que poderia ter acontecido com o envelope, mas nada lhe veio à mente.

—X—X—X—X—X—

— Tem ideia do que poderia haver dentro do envelope?— perguntou-lhe Paula.
— Só uma coisa, mas acho que é um tanto absurda a ideia.— respondeu Jefferson.
— Não importa, diga.— tranquilizou-o Paula.
— O preservativo usado.— disse Jefferson com cara de nojo.

—X—X—X—X—X—

— Já pra agência da Lara, Lillian; o Yuri vai com você.— ordenou João Paulo.— Nery, vá ao hotel e tente descobrir quem mais esteve hospedado por lá naquele dia. Paula e Gabriela, vão lá falar com o empresário metido a Don Juan do Davi...
— Sim senhor. E pra clínica, ninguém vai?— perguntou Paula despretensiosamente.
— Depois eu decido, Paula.— disse João Paulo.— Vamos, turma, circulando!
— Delegado, preciso conversar com você sobre o caso!— disse Victor Castilho.
— Ah, pode falar, Doutor.
— Seguinte... Tem como me arrumar os depoimentos das mães? Preciso juntar provas nos autos... Só tenho mais dois dias de prazo...
— Ê Vitinho, Você, como sempre perdendo prazos.
— Ainda não perdi, Jotapê! Tenho quarenta e oito horas ainda... Aliás, só falta esse papel. E eu protocolo as contestações na secretaria da 3ª Vara de Família do Fórum...
— Ok, Fale com a Clarissa ali... Dispersei o resto da equipe pra interrogar o pessoal.

—X—X—X—X—X—

Várias garotas de quinze a dezoito anos se acumulavam nos corredores da agência Master Models de Lara Franco. Um rosto já conhecido de Yuri é visto no local coordenando o grupo de meninas.
— Calma, garotas!— dizia a mulher que Lillian e Yuri procuravam, a dona da tal agência.— Opa, Luiza, cuide do serviço aqui e ligue pro Horácio... O manézão esqueceu que tinha que vir aqui hoje. Estão procurando por mim na porta. Qualquer coisa, estou no meu escritório.
— Beleza.— disse Luiza, também ex-modelo de Davi que tornara-se sócia de Lara na agência...
Lara deixou as candidatas a cargo de sua assistente quando um homem entrou de supetão na agência com uma mochila preta em mãos.
— Estou atrasado, Lara?— perguntou beijando a modelo.
— Um pouquinho, Hora... A Luiza está cuidando das garotas, preciso falar com esse casal aqui.
— Oi, tudo bem?— disse Horácio Fialho Júnior para os agentes.— Ok, Depois a gente se fala então. Até mais. Tenho muito que arrumar antes de começar as sessões de fotos...
— Certo. Até.— disse Lara despachando Horácio para o interior da agência.
— Pois não? É algo relacionado ao caso do Jefferson, por acaso?
— Adivinhona! Isso mesmo! Por que razão você quis levar a camisinha usada para um quarto onde supostamente estava uma “amiga” sua em vez de simplesmente jogá-la no lixo?— perguntou Gabriela.
— Quê? Mas que absurdo! Que coisa nojenta! Nem encostei a mão naquele negócio.
— Então, por que o envelope estava molhado?— agora era Yuri.
— Ah! Eu sou uma desastrada de marca maior! Derrubei água no dito-cujo. Isso é crime, por acaso?
— Isso é o que você diz... Mas... Iremos averiguar... Ah, tem outra... Levar o envelope pra ela no meio da madrugada? Não dava pra esperar o dia clarear?
— Era urgência...— disse Lara após uma breve hesitação.
Yuri sabia que Lara estava mentindo. Tinha de descobrir um jeito de desmascarar a ex-modelo rápido. Respirou fundo e arriscou:
— Quanto te pagaram pra fazer isso?
— Como?— perguntou Lara mostrando ligeira irritação.
— Foi o que você ouviu... Quanto te pagaram pra você ir pra cama com o Jefferson e guardar o preservativo usado?
O rosto de Lara tornou-se rubro e sua respiração pesada. O sangue da ex-modelo parecia querer sair pelos poros de tão quente.
— Escuta aqui seu investigadorzinho de merda! Está me achando com cara de prostituta, é?— gritou Lara.
Luiza impediu que as modelos saíssem da sala para ver porque Lara gritara.
Yuri não perdeu a empáfia:
— Prostituta? Não!— disse em tom cínico.— Estou te achando com cara de quem faria qualquer coisa pra encher o bolso. Inclusive o que fez: transar com um cara que nunca havia visto antes na vida.
— Eu sei que eu transei com ele, aliás, me arrependo disso a cada segundo de minha vida. Mas o que entreguei para minha amiga não era a camisinha usada. Era dinheiro. A coitada vivia apertada e eu havia conseguido um bom contrato. Emprestei um pouco de dinheiro a ela. Nada muito grande. Duzentos reais só.
— Como se chama essa sua amiga, Lara?— perguntou Lillian.
Ah, perdi o contato com ela... Era Ana, se não me engano...
— Ela era modelo do Davi também?— perguntou Yuri.
— Não.
— Ok. Vamos checar essa história de amiga sua...— disse Yuri.— Aguarde nossa volta, Larinha.— debochou.
— Vão perder seu tempo. Não tenho nada com esse caso. Só vi esse infeliz uma vez na minha vida!
— Ok, tchau!— disse Lillian.

—X—X—X—X—X—

— Ô mulherzinha nervosa!— irritou-se Lillian.
— Verdade. Está precisando de um calmante.— brincou Yuri.
— Verdade...

—X—X—X—X—X—

Na delegacia, Victor Castilho e João Paulo trocaram mais algumas palavras. Tinham sido colegas na faculdade de Direito, mas raramente se viam, já que Victor virara advogado da área cível, dificilmente precisando aparecer numa delegacia. Depois, quando Clarissa entregou os papéis, o advogado “666” saiu da delegacia com seu cliente. Ao observar os dois saindo do prédio João Paulo tinha um olhar cansado.
— Estou ferrado.— disse o delegado para Clarissa.
— Han? Por quê?— perguntou a perita.
— A prova que tiraria Jefferson desse enrosco se perdeu. Ninguém vai...
João Paulo não conseguiu concluir sua última frase. Rodrigo Nery, despachado para o hotel entrou como um foguete na sala onde estava o delegado:
— Jotapê! Acertei na Megassena!— gritava o policial.
— Ahn?— perguntou João Paulo.
— Que susto, Nery!— exclamou Clarissa.
— Desculpe, Cla.— disse Rodrigo ofegante.
— O que você quis dizer com esse papo de acertei na megassena? Até onde sei você nem joga...— desdenhou João Paulo.
— Meu caro Jotapê, reconhece esses nomes?— perguntou Nery exibindo um papel para o Delegado.
— Leandra... Clarissa, cadê o inquérito?— perguntou João Paulo atônito.— Eu vi esses nomes no depoimento dela...
Clarissa trouxe o inquérito, e João Paulo o folheou freneticamente.
— Achei!— disse mostrando um dos nomes.— Nery, quer visitar a clínica do Roger?
— Com todo o prazer.— animou-se ainda mais o detetive que, meia hora depois, saiu da delegacia rumo à clinica de Roger.

—X—X—X—X—X—

Paula e Gabriela voltaram ao escritório de Davi.
— Olá, garotas! Vocês aqui de novo?— recebeu-as Davi.
Gabriela revirou os olhos. “Ô sujeitinho impertinente”. Pensou, irritada, a “Kat Miller” da equipe.
— Sem piadinhas, seu sem-vergonha.— cortou Gabriela antes que o velhaco viesse com mais cantadas à Joey Tribbiani.
— Por acaso eu contei alguma piada?— perguntou Davi estranhando a hostilidade da agente.
— Havia mais alguém no hotel, além da Lara, ligado a você que pudesse ou quisesse receber uma camisinha usada?— perguntou Paula.
O rosto de Davi torceu-se de nojo:
— O quê? Você acha que vou ter ligações com alguém que... Meu Deus! Que nojeira! E... O que eu faria com um preservativo usado?
— Você? Nada, mas talvez alguém que você conheça...— insinuou Gabriela.
— Desculpe, mas não conheço ninguém que veja utilidade em camisinhas usadas. A não ser alguém que queira guardar de souvenir...
— Olha, Davi, vou te poupar de mais perguntas por hoje, mas saiba que voltaremos.— disse Gabriela.
— Ok. Voltem quando quiser! Serão sempre bem-vindas!— disse Davi acenando para as duas, que já saíam de sua sala.

—X—X—X—X—X—

— Atiradinho esse Davi, não?— comentou Paula.
— Isso foi só uma amostra grátis.— disse Gabriela.

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CLINICA FERTILIZAE: DOUTOR ROGER PONTES 13 ANOS DE TRADIÇÃO. O letreiro na fachada da clínica denunciava o tempo de existência da mesma. Rodrigo Nery observada tal fachada. Diversas crianças foram geradas naquele laboratório. Dez delas eram supostamente filhas de Jefferson Lipreri. Sentindo-se desconfortável, respirou fundo e entrou. No balcão da recepção da clínica, encontrou uma moça de trinta e poucos anos, cabelos escuros e lisos cortados na altura do queixo, usando um jaleco branco no qual vinha bordado seu nome em preto: Anne. Ao lado dela estava um rapaz que também usava um jaleco branco com seu nome escrito: Amanto. “Anne”, pensou Nery, “Foi esse nome que a Leandra falou.” Por conta disso decidiu abordá-la.
— Polícia.— começou Nery com sua típica “sutileza”, mostrando seu distintivo.— Preciso dos registros dos doadores de sêmen da clínica desde a fundação.
— Ah... Um minuto.— pediu Anne, nervosa, chamando Amanto para acompanhá-la.— E agora, cara o que a gente faz?
— Entrega os registros pra ele, oras. Não deve ser nada demais.— Amanto fazia pouco caso da história.
— O que um policial iria querer com esses registros! Descobriram algo!— Anne tinha uma crise histérica.
— Relaxa Aninha... Como o Doutor Roger está viajando, vamos falar com a Júlia, que ficou no cargo dele durante essa viagem.
— Ok. Ah, cuidado com o Deyvis. Ele não pode ouvir nem uma sílaba dessa conversa, senão estamos fritos!
— Beleza.— disse Amanto puxando Anne pelo braço até a sala de Júlia. Simplesmente deixando Rodrigo Nery sozinho na recepção.
— Pode entrar.— disse Júlia ao ouvir batidas na porta.
— Júlia tem um policial ali fora querendo o registro dos doadores de sêmen da clínica desde o primeiro dia de funcionamento.— contou Anne num fôlego só, completamente nervosa.
— E o que tem demais nisso? Vai tomar um rivotril, Anne!— mandou Júlia. Amanto caiu na gargalhada.
— O que a polícia iria querer com o registro de doadores de Sêmen de uma clínica? Coisa boa é que não é.— provocou Anne.
— Relaxa e goza, Anne. Aqui, sua nervosinha, entregue isso pro tira lá.— disse Júlia imprimindo e organizando em uma pasta a lista dos doadores.
— Se isso der problemas pra clínica, quero ver o que você vai falar!— disse Anne, ofendida.
— Ah, vamos lá. Quero ver a cara do dito-cujo agora.— decidiu Júlia indo com Anne e Amanto para a recepção da clínica. Os três demoraram tempo o suficiente para que Nery lesse metade das revistas disponíveis.
— Boa tarde, você é o policial que veio buscar os registros?— perguntou Júlia cordialmente.
— Eu mesmo. Oficial Nery.
— Aqui estão eles. Posso saber o motivo, pelo menos?
— Investigação confidencial, por enquanto.— atalhou Nery.
— Ok.
— Beleza. Ah, Anne, venha comigo. Meu chefe quer falar com você.
— Como? Eu vou pra delegacia?— Anne perguntou num fio de voz e prestes a chorar.
— Sim senhora, venha comigo antes que eu precise fazer uso de força.
Tremendo, Anne acompanhou Nery até o carro do agente.

—X—X—X—X—X—

— Quem era esse cara que saiu daqui com a Anne?— perguntou outro funcionário da clínica.
— Um policial, Deyvis. Só não sei porque...— respondeu Júlia.— Ele também pediu registros dos doadores de sêmen da clínica.
— Também não explicou por que, confere?— era Deyvis.
— Exato.

—X—X—X—X—X—

Na delegacia, Anne tremia como vara verde ao ser interrogada por João Paulo. Paula e Gabriela acompanhavam o interrogatório do lado de fora da sala, prontas para interferirem e Paula, óbvio, não aguentou:
— Alguém tem um Lorax pra dar pra criatura ali? Ela está a beira de um colapso nervoso!
— Ai!— disse Gabriela.
— Ei, duas, quem é essa mulher aí?— perguntou Yuri.
— Anne não-sei-o-quê. Trabalha na clínica que usou o sêmen do Jefferson. Aliás, aqui está a lista dos doadores de sêmen da mesma. Faça bom proveito.— respondeu Paula atirando a pasta contra o peito de Yuri.
— Sim senhora, dona Paula Rush.
— Vai nessa, Yuri Valens...
— Ai...— Yuri revirou os olhos e saiu do local com a pasta. Levaria até Clarissa para que ela procurasse o nome de Jefferson lá.



Escrito por Mírian B. Rosa às 17h43
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Capítulo 5 - Revelação Bisonha

Aqui vai mais um capítulo de Dossiê DNA... Divirtam-se!

Nery e Yuri voltaram ao escritório de Davi.
— Poderia nos explicar uma coisa?— Nery começou de forma de “sutil”. Yuri só esboçou um sorriso pela “delicadeza de seu colega e também pela expressão de espanto que tomou o rosto do empresário.
— Como?— Davi não entendia nada.— Quem são vocês?
— Agentes Nery e Costa.— o primeiro se apresentou e ao colega, ambos mostrando seus distintivos.
— Ah, sim... O que vocês querem que eu explique?— perguntou Davi.
— Por que você pôs dois de seus agenciados num quarto de hotel sendo que você reprovava relacionamentos entre eles?
— De novo aquela historinha do Jefferson?— reclamou Davi, cansado do assunto.
— Isso mesmo, cara. Explique-se.— disse Rodrigo.— Foi uma atitude um tanto contraditória, não?
— Já disse isso para suas colegas que estiveram aqui uns dias atrás. E... Quanto ao Jefferson, estou pouco ligando para o que aconteceu com aquele perna-de-pau.— Davi estava emburrado.
— Jefferson perna-de-pau?— espantou-se Yuri.— Só diz isso por ter sido chutado da carreira dele, suponho.
— Humpf...— resmungou Davi.— Aquele pereba me tirou da jogada por não querer mais me pagar os cinco por cento de taxa de agenciamento!
— E de quanto é essa taxa?— Yuri tentou pegar Davi desprevenido, mas...
— Cinco por cento da renda líquida dele.
— Mesmo se esse porcentual for o correto, cinco por cento de dezenas de milhõs todo o mês representam uima bela soma!— era o cético Nery.
— Será que não havia nenhum outro motivo?— alfinetou Yuri.— Como ele perceber que foi usado para ajudar a promover modelo iniciantes...
— Te garanto que não... Foi só aquela vez com a Lara.— disse Davi.
— Voltando ao assunto... Por que você os colocou juntos em um quarto de hotel?
— Eu já contei isso pras colegas suas, promover a carreira dos dois, especialmente a da Lara. Vida de inciante é fogo...— respondeu Davi com tom de displicência e cansaço na voz.
— Promover carreiras às custas de escândalos sexuais?— perguntou Nery.— Que porra você bebeu pra ter essa ideia, cara?
Yuri ria.
— Isso é o de menos. Agora, deem o fora daqui que minha paciência se esgotou.— desconversou Davi enxotando os policiais pra fora do escritório.

—X—X—X—X—X—

— Ô carinha estúpido!— esbravejou Yuri na saída.
— Em breve lhe daremos o troco Valens.— gracejou Nery.
— Com certeza, Vera.— Yuri também debochou do colega usando Nick Vera, o tira linha-dura/bonachão do Cold Case para apelidá-lo.
— Falta um Jeffries e uma Miller naquela delegacia.— comentou Nery rindo da brincadeira.
— A Gabriela fica com o posto da Miller e o próximo que agente que for trabalhar lá fica com o posto do Jeffries.— decidiu Yuri.
— Negócio fechado, vamos voltar pra delegacia. As Rush, a Miller e o Stillman dever estar a fim de saber que fim levou nossa conversa com o Bipolar do Davi.

—X—X—X—X—X—

De volta à Delegacia...
— E aí, Nery? Onde o Khadaffi está?— debochou Jotapê.
— Pediu asilo pro presidente do Irã, cujo nome nunca vou conseguir pronunciar. Ahmadinejad ou coisa parecida.
— Lillian, me diga que eu não ouvi isso, por favor...— pediu Gabriela, nervosa.
— Desculpe, mas não posso fazer isso...— lamentou-se Lillian que, tal como sua colega, achara ridícula a piada de Rodrigo “Vera” Nery.
— Ok, Enquanto o Yuri escreve o relatório da visita, você liga pro Obama.— decidiu Jotapê.
— Beleza.— disse Nery.

—X—X—X—X—X—

Três dias depois de começarem as investigações, João Paulo começou a estudar a probabilidade de Jefferson ser pai daquelas crianças. A vida amorosa do Atleta sempre parecera pacata. Típico solteirão despreocupado com sexo. Fez as contas. Quando a primeira criança foi concebida, o atleta estava na Alemanha, jogando contra o time de Frankfurt por um campeonato Europeu e assim foi. Em todas as possíveis datas, o atleta estava em território Europeu no meio de uma competição. Um enorme ponto de interrogação surgiu sobre a cabeça do Delegado.
— Eu, hein?— disse, confuso com o que descobrira.
— Qual o problema, Jotapê?— perguntou Lillian que passava em frente a porta do gabinete do Delegado quando o viu com a expressão intrigada.
— Esse caso do Jefferson, Lillian. Definitivamente alguém o está passando pra trás. Ele realmente estava na Europa jogando quando essas crianças foram concebidas. Espero que o Advogado dele saiba disso.
— Nossa, que estranho. Que tal chamarmos essas mulheres pra depor?
— Boa ideia. Proceda as intimações dessas oportunistas.
— Lillian chamou Gabriela e, munidas de dez intimações, foram às casas das dez mulheres a intimando para depor na delegacia. No dia seguinte...

—X—X—X—X—X—

Ela nunca estivera em uma delegacia antes. Arquiteta bem-sucedida, Leandra, 34 anos, era mãe solteira de um menino de oito anos e meio. Esperava pacientemente para ser chamada, mesmo tomando alguns sustos com os “tipos” que lá entravam. Ela estava em uma Delegacia não em um salão de beleza, também...
Passados alguns minutos, uma mulher foi chamá-la. Confirmou a identidade e a levou para uma sala escura onde dois homens a esperavam: João Paulo Lima e Rodrigo Nery.
— Pois bem, dona Leandra...— Nery tentava dar um tom de terror ao interrogatório.— Alguma vez na vida você foi pra cama com Jefferson Lipreri?
— Eu? Lógico que n]ao! Mas que absurdo! Jamais eu dormiria com um homem que não conheço!
— Ah! Que estranho... Se nunca transou com ele... Como pode afirmar que ele é o pai de seu filho? Se o DNA der resultado negativo, você que vai ter de pagar uma indenização pra ele!
— Eu não transei com ele, mas na clínica de fertilização me disseram que era sêmen dele que seria utilizado.— disparou a arquiteta.
— Produção independente, não? Agora a situação aperta e você corre atrás de um ricaço pra arrancar uma pensão?— disse Paula, bravíssima, também participava do interrogatório.
— Não tem nada a ver com dinheiro. Meu filho queria saber quem era o pai dele. Decidi entrar com a ação. Pra ser honesta, nem sei como é a cara desse tal Jefferson Lipreri.
— Assista aos jogos do Barcelona que você vai saber. Camisa nove.— contou João Paulo.
— Voltando à vaca fria, em que clínica você fez o procedimento?
— Foi na Fertilizae.— disse Leandra.

—X—X—X—X—X—

Deitada na maca, Leandra estava nervosa. Duas funcionárias manipulavam tubos de ensaio e um galão de nitrogênio líquido. A fertilização in vitro resultar em três embriões mas um foi descartado, por não parecer aos olhos da embriologista, em bom estado. Os outros dois foram implantados e durante o processo, um rapaz entrou na sala:
— Qual é o código desse doador, Anne?
— É o Jefferson Lipreri, Amanto, esqueceu?
— Ah, é verdade. Obrigado.
— Por que está perguntando isso?
— Formalidades. Tenho que marcar na lista, Júlia. Senão o Doutor Roger acaba com a gente.
— Ah, é verdade. Tinha me esquecido disso. Desde que ele contratou vocês dois eu fico praticamente só no laboratório...

—X—X—X—X—X—

— Bem, foi isso.— disse Leandra.— Mais alguma coisa?
— Por enquanto não. Mas, aguarde, poderemos te chamar de novo em breve.
— Ah, sim. Ajudarei no que for possível.— disse Leandra saindo da sala. Paula a levou até a saída.

—X—X—X—X—X—

— Era só o que me faltava! O bonitão lá esqueceu de falar de doação de sêmen!— disse Lillian, que ouvira o depoimento de fora da sala.
— Assim que ouvirmos as outras, o chamaremos aqui para esclarecer essa questão.



Escrito por Mírian B. Rosa às 18h02
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Capítulo 4 - Culpa linha pingue-pongue

Segue mais um capítulo de Dossiê DNA!

O depoimento de Jefferson fez com que Jotapê pusesse seus agentes na cola dos dois nomes mencionados pelo atleta: Davi Holl, seu antigo empresário e Lara, até então sem sobrenome, uma modelo cuja carreira também era agenciada por Davi. Gabriela e Lillian, 26 anos, outra agente da equipe foram até o endereço passado por Jefferson e porcamente rabiscado em um pedaço de papel por Nery.
— Será que é aqui mesmo?— perguntou Lillian tentando ler a garranchada ltrea de Nery.
— Parece que sim. Ah, tem uma farmácia na esqujina, podemos ir lá pedir ajuda.— debochou Gabriela.
Lillian caiu na risada.
— Ai, meu pai! Só você mesmo, Gabriela! Gostei dessa.
— Vamos entrar e ver.— disse Gabriela descartando a entrada na farmácia.

—X—X—X—X—X—

— Com licença, quem é Davi Holl?— perguntou Gabriela para um sujeito de meia didade que lia um jornal debruçado em uma escrivaninha de madeira escura.
— Sou eu mesmo, mocinha, o que deseja?— perguntou Davi galantemente.
— Polícia. O que o nome Jefferson Lipreri te lembra?— soltou Gabriela mostrando seu distintivo.
— Um excelente atleta. O agenciei no começo da carreira. Mais alguma coisa?
— Lembra-se de algo acontecido dia cinco de fevereiro de dois mil e um? O que o senhor queria colocando ele e a modelo Lara em uma suíte presidencial de um hotel cinco estrelas?— ainda era Gabriela.
— Ah, isso! Minha querida, queria promover os dois. Principalmente a Lara. Início de carreira não é fácil. Ainda mais nesses últimos anos. A concorrência e as exigências são cada vez maiores.— desconversou o empresário.
— Então... Como o nome dele foi parar em dez ações de investigação de paternidade?— era Lillian.
— Das aventuras amorosas e sexuais dos meus agenciados eu não cuido. Aliás, ex-agenciado. Aquele ingrato me chutou fora de sua vida há alguns anos. Justo eu que o levei ao estrelato nos gramados...
— Como e por que ele e Lara oram parar na mesma suíte de um Hotel no centro?— era Gabriela cética. O teatrinho de Davi não a comovera.
— Fale com a Lara. Essa foi outra mal-agradecida que me deu as costas quando alcançou a fama. Tem uma agência de modelos no bairro Santo Ivo. O sobrenome dela é Franco, para vossa informação. Eu só apresentei um ao outro.
— Só? Jefferson nos disse que você os enfiou num quarto de hotel e os largou lá sem explicar nada.— dessa vez era Lillian,l que também não engolia o “chororô” do empresário.
— Mentira dele.
— Que planos tinha pra “promover a carreira” deles os enfiando num quarto de hotel?— Lillian, de novo.
— Jefferson já era famoso. Talvez se Lara aparecesse ao lado dele ela seria mais visada pela mídia. O que lhe renderia mais contratos e...
— Mais dinheiro na sua conta, não?— alfinetou Gabriela.
— Obviamente, mas não era nisso que eu pensava, detetive. Isso sem contar que quando os apresentei, vi que se sentiram atraídos um pelo outro. Só facilitei as coisas. Mas, o que quer que tenham feito naquele quarto de hotel não é de minha responsabilidade.— esquivou-se Davi.
— Ok, Davi. Por hoje é só isso. Mas, não pense que se livrou de nós. Poderemos voltar mais cedo do que você pensa.— disse Gabriela retirando-se da sala do empresário.
— Será um prazer recebê-las novamente, queridas.— soltou o empresário quando ambas estavam fechando a porta.
— Mas que atrevido!— resmungou Lillian.
— Atrevido mesmo. Tentou nos cantar o tempo inteiro. Tenho dó dos clientes dele.

—X—X—X—X—X—

Enquanto isso, Rodrigo fora ao hotel e conseguira uma informação interessante sobre a tal noite de Jefferson e Lara na suíte presidencial com o gerente do estabelecimento que já ocupava o cargo na época. Conversaram com a equipe e João Paulo encarregou Yuri e Paula de interrogarem Lara, após localizarem o endereço da agência dela na internet.

—X—X—X—X—X—

— Procuramos por Lara Franco.— disse Paula ao chegar na agência, um lugar pequeno, porém bem decorado e arrumado. Havia uma mulher de aproximadamente trinta anos folheando uma revista de moda na recepção.
— Sou eu. O que desejam?— apresentou-se e perguntou a ex-modelo.
— Somos da polícia. Agentes Yuri Costa e Paula Biazus.— apresentou-se o primeiro mostrando seu distintivo.
— E... Vocês acham que estou envolvida em algum crime?— zombou Lara.
— Mais ou menos. Lembra-se de uma noite de fevereiro em que você, modelo em início de carreira dormiu com Jefferson Lipreri, astro do futebol? Refresquei sua memória?— Paula devolvia o tom zombeteiro.
— Davi me ligara naquela manhã, mas quem atendeu o telefone foi meu namorado, Horácio. Ele queria que eu fosse a uma reunião com ele em seu escritório fechar um contrato para um catálogo de uma loja de roupas. Depois, tivemos num almoço em que ele me apresentou Jefferson.
— E você se interessou pelo Jefferson?— perguntou Paula.
— Vou ser franca com você, Paula. Ele é até bonitinho, mas não faz meu tipo. E eu namorava o Horácio naquela época.
— Certo.— disse Paula segurando a risada.— Lara, você ainda tem contato com o Horácio, sabe onde poderemos encontrá-lo?

—X—X—X—X—X—

Nery parecia nervoso. Ia sozinho interrogar mais um suposto envolvido no escândalo. A imprensa já havia noticiado algo, mas sem muito fundamento. Ao entrar no local, encontrou-o vazio, mas ouviu barulhos vindos dos fundos. Chamou por um nome.
— Alguém me chamou?— perguntou um homem de trinta e poucos anos, alto, magro, com cabelos escuros, um pouco compridos e ligeiramente encaracolados postando-se diante do investigador.— desculpe a demora, estou sozinho aqui hoje.
— Tudo bem. Horácio Fialho Júnior?
— O próprio.— respondeu o homem, Horácio.
— Rodrigo Nery, polícia.— apresentou-se o investigador.
— Pois não o que deseja?
— Lembra-se do que aconteceu no dia cinco de fevereiro de dois mil e um, em um almoço promovido por Davi Holl? Ele é seu empresário, por acaso?
— Era. Há cinco anos e meio rescindi o contrato pra virar fotógrafo. Mas, comecei minha carreira como modelo fotográfico agenciado por ele sim. Quanto ao almoço... Ah, lógico! Ele apresentou a Lara, minha namorada, para um jogador de futebol, o Jefferson. E também, falou comigo num tom de voz de poucos amigos quando nos falamos por telefone. Era o celular da Lara. Eu atendi por que ela estava tomando banho.
— Sim. E...

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Horácio ainda estava grogue de sono. A televisão, ligada em um canal pago, passava um seriado e o som de água caindo indicavam que Lara já havia se levantado e estava tomando banho. Pouco depois, ainda estava deitado quando ouviu o celular de Lara tocando e ela gritando do banheiro “Atende pra mim, Horácio!”. Atendeu o aparelho.
— Alô?
— Horácio?— disse Davi surpreso de ouvir a voz de seu agenciado.
— Davi?— Horácio também reconheceu a voz de seu agente imediatamente.
— Eu mesmo. Cadê a Lara?— Davi respondeu com a voz seca, típica de quem escuta o que não deseja na hora errada.
— Está tomando banho. Recado?
— Peça a ela que me ligue assim que sair do chuveiro. E você sabe que eu não gosto disso.— encerrou Davi desligando o telefone na cara de Horácio.

—X—X—X—X—X—

— Do que é que ele não gostava?— perguntou Rodrigo, após a digressão de Horácio.— Você se lembra ainda?
— Pode soar irônico em vista do que aconteceu, mas... O que ele não gostava era de que seus agenciados tivessem qualquer relacionamento. Acho até que ele apresentou o Jefferson pra Lara pra me provocar e fazer com que eu terminasse o namoro.
— Funcionou?
— Não.— riu Horácio.— Ainda estamos juntos. O que nos atrapalha agora é o trabalho. Mas eu sempre fotografo as modelos da agência dela...
— Ok. Muito obrigado Horácio, mas qualquer problema a gente volta.
— Beleza.

—X—X—X—X—X—

— Como? Ele não gostava que seus agenciados tivessem qualquer relacionamento entre si, e enfia dois deles num quarto de hotel?— era Jotapê intrigado com o trazido por seus agentes.— Acho bom colocarmos esse empresário bipolar na parede.
— Pode deixar.— disse Nery.— Vamos Yuri. Eu faço esse sujeito contar até onde o Khadaffi está escondido.
— Ótimo, Nery. Aí nos dividimos os três milhões da recompensa.— riu João Paulo.



Escrito por Mírian B. Rosa às 15h31
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