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MOMENTO CULINÁRIO 3.0

Dia 12/11 foi aniversário de dois sobrinhos meus... O Pedro e o Caio, por consequencia, fiz um bolo... Dessa vez sem o auxílio de nenhuma das minhas trocentas revistas de culinária (Tenho quase 400). Inventei a receita misturando umas três diferentes que tinha. Segue abaixo com uma foto dessa tentação com cobertura de trufa de chocolate, essa copiada do site da nestlé (http://www.nestle.com.br/site/cozinha/receitas/Trufas_de_Chocolate.aspx)

 

BOLO DE AMENDOIM

Ingredientes:
2 xícaras de chá de amendoim torrado descascado e BEM moído. (Compacte o máximo que puder na xícara, ao medi-lo).

1 xícara de chá de farinha de trigo

2 xícaras de chá de açúcar

3 ovos (claras e gemas separas)

3 colheres de sopa de margarina

1 vidro de leite de coco

1 colher de sopa de fermento em pó

 


Preparo:


Bata as claras em neve. Sem parar de bater, acrescente as gemas, uma a uma, o açúcar, a margarina e o leite de coco.

Misture o amendoim com a farinha e agregue à massa ainda batendo. Desligue a batedeira e misture o fermento.

Coloque em uma forma untada e enfarinhada de 25cm de diâmetro e asse na temperatura de 200º até que enfiando um palito no centro,

saia limpo. Desenforme e decore a gosto. Sirva frio.

 

Segue agora uma foto, mas fica uma advertência: para o bolo da foto foram três receitas!!!

Até mais!!!

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 22h31
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Capítulo 6 - Descobrindo a História

Mais um capítulo de Dossiê DNA pra vocês!!! Divirtam-se!

Assim, dois dias depois já tinham o resultado: Todas as crianças que processavam Jefferson foram geradas na mesma clínica de fertilização. As outra nove golpistas/oportunistas (palavras usadas por João Paulo para qualificá-las), contaram basicamente a mesma história que Leandra.
Então, Jefferson foi chamado para aparecer na delegacia, o que fez tão logo recebeu o aviso, claro, acompanhado de Victor Castilho. Assim que entrou no distrito foi para a sala de interrogatórios com Paula, a agente encarregada do mesmo.
— Bem, Jefferson.— começou a investigadora.— Já sabemos como você se tornou pai dessas crianças.
— Duvido que seja eu.— interrompeu Jefferson.
— Vai devagar com o andor, Jefferson. A pergunta que vou fazer é meio delicada, mas tenho de fazê-la. Alguma vez na sua vida você foi doador de sêmen?
— O quê? Como? Nunca tive essa ideia... De onde foi que você tirou essa ideia maluca?
— Jefferson, acalme-se.— pediu Victor, seco.— Agora, investigadora, refaço a pergunta dele: de onde veio essa hipótese?
— Entrevistamos as mulheres que ingressaram com as ações de paternidade. Todas elas confessaram, por assim dizer terem feito fertilização in vitro. E que funcionários da clínica disseram ser o seu cliente o doador do material.
— Doutor Victor, eu nunca cogitei a ideia de ser doador de sêmen. Aí está algo que eu nunca faria.
— Jefferson, agora é hora de falar a verdade. Tem certeza de que você nunca doou sêmen na vida?
— Tenho. Isso deve ter dedo do inescrupuloso do Davi...— disse Jefferson irritado.

—X—X—X—X—X—

Do lado de fora da sala...
— Davi de novo?— resmungou Yuri ao ouvir Jefferson citar o nome de seu antigo empresário.— Vendo meu rim, meu fígado e até minha alma pro capeta, mas com ele eu não falo de novo.
— Calminha, Yuri, tem muita gente pra botar na parede. Ele, a Lara, de novo, se o Jeff falar algo que a comprometa e, também, o pessoal da clínica. Você a Lillian vão “prensar” a Lara, a Gabriela e a Paula vão falar com o Davi e o Nery vai à clínica do Roger.— disse João Paulo.

—X—X—X—X—X—

De volta à sala de interrogatório...
— Jefferson, escave a fundo sua memória aí e veja de descubra alguma coisa que possa ajudar no caso.
— Hum...— disse Jefferson apertando os olhos.

—X—X—X—X—X—

Lara. Aquela mulher era maravilhosa. A noite fora ótima. Mas...
— Jeff, vou sair. Tem uma amiga minha hospedada aqui, vou falar com ela.— disse ela com uma ligeira apreensão na voz.
— Tudo bem, mas, às duas e meia da madrugada?
— É... Fui.
— Ok...— Jefferson estava intrigado. E a moça carregava um envelope pardo visivelmente molhado. Tentou pensar no que poderia ter acontecido com o envelope, mas nada lhe veio à mente.

—X—X—X—X—X—

— Tem ideia do que poderia haver dentro do envelope?— perguntou-lhe Paula.
— Só uma coisa, mas acho que é um tanto absurda a ideia.— respondeu Jefferson.
— Não importa, diga.— tranquilizou-o Paula.
— O preservativo usado.— disse Jefferson com cara de nojo.

—X—X—X—X—X—

— Já pra agência da Lara, Lillian; o Yuri vai com você.— ordenou João Paulo.— Nery, vá ao hotel e tente descobrir quem mais esteve hospedado por lá naquele dia. Paula e Gabriela, vão lá falar com o empresário metido a Don Juan do Davi...
— Sim senhor. E pra clínica, ninguém vai?— perguntou Paula despretensiosamente.
— Depois eu decido, Paula.— disse João Paulo.— Vamos, turma, circulando!
— Delegado, preciso conversar com você sobre o caso!— disse Victor Castilho.
— Ah, pode falar, Doutor.
— Seguinte... Tem como me arrumar os depoimentos das mães? Preciso juntar provas nos autos... Só tenho mais dois dias de prazo...
— Ê Vitinho, Você, como sempre perdendo prazos.
— Ainda não perdi, Jotapê! Tenho quarenta e oito horas ainda... Aliás, só falta esse papel. E eu protocolo as contestações na secretaria da 3ª Vara de Família do Fórum...
— Ok, Fale com a Clarissa ali... Dispersei o resto da equipe pra interrogar o pessoal.

—X—X—X—X—X—

Várias garotas de quinze a dezoito anos se acumulavam nos corredores da agência Master Models de Lara Franco. Um rosto já conhecido de Yuri é visto no local coordenando o grupo de meninas.
— Calma, garotas!— dizia a mulher que Lillian e Yuri procuravam, a dona da tal agência.— Opa, Luiza, cuide do serviço aqui e ligue pro Horácio... O manézão esqueceu que tinha que vir aqui hoje. Estão procurando por mim na porta. Qualquer coisa, estou no meu escritório.
— Beleza.— disse Luiza, também ex-modelo de Davi que tornara-se sócia de Lara na agência...
Lara deixou as candidatas a cargo de sua assistente quando um homem entrou de supetão na agência com uma mochila preta em mãos.
— Estou atrasado, Lara?— perguntou beijando a modelo.
— Um pouquinho, Hora... A Luiza está cuidando das garotas, preciso falar com esse casal aqui.
— Oi, tudo bem?— disse Horácio Fialho Júnior para os agentes.— Ok, Depois a gente se fala então. Até mais. Tenho muito que arrumar antes de começar as sessões de fotos...
— Certo. Até.— disse Lara despachando Horácio para o interior da agência.
— Pois não? É algo relacionado ao caso do Jefferson, por acaso?
— Adivinhona! Isso mesmo! Por que razão você quis levar a camisinha usada para um quarto onde supostamente estava uma “amiga” sua em vez de simplesmente jogá-la no lixo?— perguntou Gabriela.
— Quê? Mas que absurdo! Que coisa nojenta! Nem encostei a mão naquele negócio.
— Então, por que o envelope estava molhado?— agora era Yuri.
— Ah! Eu sou uma desastrada de marca maior! Derrubei água no dito-cujo. Isso é crime, por acaso?
— Isso é o que você diz... Mas... Iremos averiguar... Ah, tem outra... Levar o envelope pra ela no meio da madrugada? Não dava pra esperar o dia clarear?
— Era urgência...— disse Lara após uma breve hesitação.
Yuri sabia que Lara estava mentindo. Tinha de descobrir um jeito de desmascarar a ex-modelo rápido. Respirou fundo e arriscou:
— Quanto te pagaram pra fazer isso?
— Como?— perguntou Lara mostrando ligeira irritação.
— Foi o que você ouviu... Quanto te pagaram pra você ir pra cama com o Jefferson e guardar o preservativo usado?
O rosto de Lara tornou-se rubro e sua respiração pesada. O sangue da ex-modelo parecia querer sair pelos poros de tão quente.
— Escuta aqui seu investigadorzinho de merda! Está me achando com cara de prostituta, é?— gritou Lara.
Luiza impediu que as modelos saíssem da sala para ver porque Lara gritara.
Yuri não perdeu a empáfia:
— Prostituta? Não!— disse em tom cínico.— Estou te achando com cara de quem faria qualquer coisa pra encher o bolso. Inclusive o que fez: transar com um cara que nunca havia visto antes na vida.
— Eu sei que eu transei com ele, aliás, me arrependo disso a cada segundo de minha vida. Mas o que entreguei para minha amiga não era a camisinha usada. Era dinheiro. A coitada vivia apertada e eu havia conseguido um bom contrato. Emprestei um pouco de dinheiro a ela. Nada muito grande. Duzentos reais só.
— Como se chama essa sua amiga, Lara?— perguntou Lillian.
Ah, perdi o contato com ela... Era Ana, se não me engano...
— Ela era modelo do Davi também?— perguntou Yuri.
— Não.
— Ok. Vamos checar essa história de amiga sua...— disse Yuri.— Aguarde nossa volta, Larinha.— debochou.
— Vão perder seu tempo. Não tenho nada com esse caso. Só vi esse infeliz uma vez na minha vida!
— Ok, tchau!— disse Lillian.

—X—X—X—X—X—

— Ô mulherzinha nervosa!— irritou-se Lillian.
— Verdade. Está precisando de um calmante.— brincou Yuri.
— Verdade...

—X—X—X—X—X—

Na delegacia, Victor Castilho e João Paulo trocaram mais algumas palavras. Tinham sido colegas na faculdade de Direito, mas raramente se viam, já que Victor virara advogado da área cível, dificilmente precisando aparecer numa delegacia. Depois, quando Clarissa entregou os papéis, o advogado “666” saiu da delegacia com seu cliente. Ao observar os dois saindo do prédio João Paulo tinha um olhar cansado.
— Estou ferrado.— disse o delegado para Clarissa.
— Han? Por quê?— perguntou a perita.
— A prova que tiraria Jefferson desse enrosco se perdeu. Ninguém vai...
João Paulo não conseguiu concluir sua última frase. Rodrigo Nery, despachado para o hotel entrou como um foguete na sala onde estava o delegado:
— Jotapê! Acertei na Megassena!— gritava o policial.
— Ahn?— perguntou João Paulo.
— Que susto, Nery!— exclamou Clarissa.
— Desculpe, Cla.— disse Rodrigo ofegante.
— O que você quis dizer com esse papo de acertei na megassena? Até onde sei você nem joga...— desdenhou João Paulo.
— Meu caro Jotapê, reconhece esses nomes?— perguntou Nery exibindo um papel para o Delegado.
— Leandra... Clarissa, cadê o inquérito?— perguntou João Paulo atônito.— Eu vi esses nomes no depoimento dela...
Clarissa trouxe o inquérito, e João Paulo o folheou freneticamente.
— Achei!— disse mostrando um dos nomes.— Nery, quer visitar a clínica do Roger?
— Com todo o prazer.— animou-se ainda mais o detetive que, meia hora depois, saiu da delegacia rumo à clinica de Roger.

—X—X—X—X—X—

Paula e Gabriela voltaram ao escritório de Davi.
— Olá, garotas! Vocês aqui de novo?— recebeu-as Davi.
Gabriela revirou os olhos. “Ô sujeitinho impertinente”. Pensou, irritada, a “Kat Miller” da equipe.
— Sem piadinhas, seu sem-vergonha.— cortou Gabriela antes que o velhaco viesse com mais cantadas à Joey Tribbiani.
— Por acaso eu contei alguma piada?— perguntou Davi estranhando a hostilidade da agente.
— Havia mais alguém no hotel, além da Lara, ligado a você que pudesse ou quisesse receber uma camisinha usada?— perguntou Paula.
O rosto de Davi torceu-se de nojo:
— O quê? Você acha que vou ter ligações com alguém que... Meu Deus! Que nojeira! E... O que eu faria com um preservativo usado?
— Você? Nada, mas talvez alguém que você conheça...— insinuou Gabriela.
— Desculpe, mas não conheço ninguém que veja utilidade em camisinhas usadas. A não ser alguém que queira guardar de souvenir...
— Olha, Davi, vou te poupar de mais perguntas por hoje, mas saiba que voltaremos.— disse Gabriela.
— Ok. Voltem quando quiser! Serão sempre bem-vindas!— disse Davi acenando para as duas, que já saíam de sua sala.

—X—X—X—X—X—

— Atiradinho esse Davi, não?— comentou Paula.
— Isso foi só uma amostra grátis.— disse Gabriela.

—X—X—X—X—X—

CLINICA FERTILIZAE: DOUTOR ROGER PONTES 13 ANOS DE TRADIÇÃO. O letreiro na fachada da clínica denunciava o tempo de existência da mesma. Rodrigo Nery observada tal fachada. Diversas crianças foram geradas naquele laboratório. Dez delas eram supostamente filhas de Jefferson Lipreri. Sentindo-se desconfortável, respirou fundo e entrou. No balcão da recepção da clínica, encontrou uma moça de trinta e poucos anos, cabelos escuros e lisos cortados na altura do queixo, usando um jaleco branco no qual vinha bordado seu nome em preto: Anne. Ao lado dela estava um rapaz que também usava um jaleco branco com seu nome escrito: Amanto. “Anne”, pensou Nery, “Foi esse nome que a Leandra falou.” Por conta disso decidiu abordá-la.
— Polícia.— começou Nery com sua típica “sutileza”, mostrando seu distintivo.— Preciso dos registros dos doadores de sêmen da clínica desde a fundação.
— Ah... Um minuto.— pediu Anne, nervosa, chamando Amanto para acompanhá-la.— E agora, cara o que a gente faz?
— Entrega os registros pra ele, oras. Não deve ser nada demais.— Amanto fazia pouco caso da história.
— O que um policial iria querer com esses registros! Descobriram algo!— Anne tinha uma crise histérica.
— Relaxa Aninha... Como o Doutor Roger está viajando, vamos falar com a Júlia, que ficou no cargo dele durante essa viagem.
— Ok. Ah, cuidado com o Deyvis. Ele não pode ouvir nem uma sílaba dessa conversa, senão estamos fritos!
— Beleza.— disse Amanto puxando Anne pelo braço até a sala de Júlia. Simplesmente deixando Rodrigo Nery sozinho na recepção.
— Pode entrar.— disse Júlia ao ouvir batidas na porta.
— Júlia tem um policial ali fora querendo o registro dos doadores de sêmen da clínica desde o primeiro dia de funcionamento.— contou Anne num fôlego só, completamente nervosa.
— E o que tem demais nisso? Vai tomar um rivotril, Anne!— mandou Júlia. Amanto caiu na gargalhada.
— O que a polícia iria querer com o registro de doadores de Sêmen de uma clínica? Coisa boa é que não é.— provocou Anne.
— Relaxa e goza, Anne. Aqui, sua nervosinha, entregue isso pro tira lá.— disse Júlia imprimindo e organizando em uma pasta a lista dos doadores.
— Se isso der problemas pra clínica, quero ver o que você vai falar!— disse Anne, ofendida.
— Ah, vamos lá. Quero ver a cara do dito-cujo agora.— decidiu Júlia indo com Anne e Amanto para a recepção da clínica. Os três demoraram tempo o suficiente para que Nery lesse metade das revistas disponíveis.
— Boa tarde, você é o policial que veio buscar os registros?— perguntou Júlia cordialmente.
— Eu mesmo. Oficial Nery.
— Aqui estão eles. Posso saber o motivo, pelo menos?
— Investigação confidencial, por enquanto.— atalhou Nery.
— Ok.
— Beleza. Ah, Anne, venha comigo. Meu chefe quer falar com você.
— Como? Eu vou pra delegacia?— Anne perguntou num fio de voz e prestes a chorar.
— Sim senhora, venha comigo antes que eu precise fazer uso de força.
Tremendo, Anne acompanhou Nery até o carro do agente.

—X—X—X—X—X—

— Quem era esse cara que saiu daqui com a Anne?— perguntou outro funcionário da clínica.
— Um policial, Deyvis. Só não sei porque...— respondeu Júlia.— Ele também pediu registros dos doadores de sêmen da clínica.
— Também não explicou por que, confere?— era Deyvis.
— Exato.

—X—X—X—X—X—

Na delegacia, Anne tremia como vara verde ao ser interrogada por João Paulo. Paula e Gabriela acompanhavam o interrogatório do lado de fora da sala, prontas para interferirem e Paula, óbvio, não aguentou:
— Alguém tem um Lorax pra dar pra criatura ali? Ela está a beira de um colapso nervoso!
— Ai!— disse Gabriela.
— Ei, duas, quem é essa mulher aí?— perguntou Yuri.
— Anne não-sei-o-quê. Trabalha na clínica que usou o sêmen do Jefferson. Aliás, aqui está a lista dos doadores de sêmen da mesma. Faça bom proveito.— respondeu Paula atirando a pasta contra o peito de Yuri.
— Sim senhora, dona Paula Rush.
— Vai nessa, Yuri Valens...
— Ai...— Yuri revirou os olhos e saiu do local com a pasta. Levaria até Clarissa para que ela procurasse o nome de Jefferson lá.



Escrito por Mírian B. Rosa às 17h43
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Capítulo 5 - Revelação Bisonha

Aqui vai mais um capítulo de Dossiê DNA... Divirtam-se!

Nery e Yuri voltaram ao escritório de Davi.
— Poderia nos explicar uma coisa?— Nery começou de forma de “sutil”. Yuri só esboçou um sorriso pela “delicadeza de seu colega e também pela expressão de espanto que tomou o rosto do empresário.
— Como?— Davi não entendia nada.— Quem são vocês?
— Agentes Nery e Costa.— o primeiro se apresentou e ao colega, ambos mostrando seus distintivos.
— Ah, sim... O que vocês querem que eu explique?— perguntou Davi.
— Por que você pôs dois de seus agenciados num quarto de hotel sendo que você reprovava relacionamentos entre eles?
— De novo aquela historinha do Jefferson?— reclamou Davi, cansado do assunto.
— Isso mesmo, cara. Explique-se.— disse Rodrigo.— Foi uma atitude um tanto contraditória, não?
— Já disse isso para suas colegas que estiveram aqui uns dias atrás. E... Quanto ao Jefferson, estou pouco ligando para o que aconteceu com aquele perna-de-pau.— Davi estava emburrado.
— Jefferson perna-de-pau?— espantou-se Yuri.— Só diz isso por ter sido chutado da carreira dele, suponho.
— Humpf...— resmungou Davi.— Aquele pereba me tirou da jogada por não querer mais me pagar os cinco por cento de taxa de agenciamento!
— E de quanto é essa taxa?— Yuri tentou pegar Davi desprevenido, mas...
— Cinco por cento da renda líquida dele.
— Mesmo se esse porcentual for o correto, cinco por cento de dezenas de milhõs todo o mês representam uima bela soma!— era o cético Nery.
— Será que não havia nenhum outro motivo?— alfinetou Yuri.— Como ele perceber que foi usado para ajudar a promover modelo iniciantes...
— Te garanto que não... Foi só aquela vez com a Lara.— disse Davi.
— Voltando ao assunto... Por que você os colocou juntos em um quarto de hotel?
— Eu já contei isso pras colegas suas, promover a carreira dos dois, especialmente a da Lara. Vida de inciante é fogo...— respondeu Davi com tom de displicência e cansaço na voz.
— Promover carreiras às custas de escândalos sexuais?— perguntou Nery.— Que porra você bebeu pra ter essa ideia, cara?
Yuri ria.
— Isso é o de menos. Agora, deem o fora daqui que minha paciência se esgotou.— desconversou Davi enxotando os policiais pra fora do escritório.

—X—X—X—X—X—

— Ô carinha estúpido!— esbravejou Yuri na saída.
— Em breve lhe daremos o troco Valens.— gracejou Nery.
— Com certeza, Vera.— Yuri também debochou do colega usando Nick Vera, o tira linha-dura/bonachão do Cold Case para apelidá-lo.
— Falta um Jeffries e uma Miller naquela delegacia.— comentou Nery rindo da brincadeira.
— A Gabriela fica com o posto da Miller e o próximo que agente que for trabalhar lá fica com o posto do Jeffries.— decidiu Yuri.
— Negócio fechado, vamos voltar pra delegacia. As Rush, a Miller e o Stillman dever estar a fim de saber que fim levou nossa conversa com o Bipolar do Davi.

—X—X—X—X—X—

De volta à Delegacia...
— E aí, Nery? Onde o Khadaffi está?— debochou Jotapê.
— Pediu asilo pro presidente do Irã, cujo nome nunca vou conseguir pronunciar. Ahmadinejad ou coisa parecida.
— Lillian, me diga que eu não ouvi isso, por favor...— pediu Gabriela, nervosa.
— Desculpe, mas não posso fazer isso...— lamentou-se Lillian que, tal como sua colega, achara ridícula a piada de Rodrigo “Vera” Nery.
— Ok, Enquanto o Yuri escreve o relatório da visita, você liga pro Obama.— decidiu Jotapê.
— Beleza.— disse Nery.

—X—X—X—X—X—

Três dias depois de começarem as investigações, João Paulo começou a estudar a probabilidade de Jefferson ser pai daquelas crianças. A vida amorosa do Atleta sempre parecera pacata. Típico solteirão despreocupado com sexo. Fez as contas. Quando a primeira criança foi concebida, o atleta estava na Alemanha, jogando contra o time de Frankfurt por um campeonato Europeu e assim foi. Em todas as possíveis datas, o atleta estava em território Europeu no meio de uma competição. Um enorme ponto de interrogação surgiu sobre a cabeça do Delegado.
— Eu, hein?— disse, confuso com o que descobrira.
— Qual o problema, Jotapê?— perguntou Lillian que passava em frente a porta do gabinete do Delegado quando o viu com a expressão intrigada.
— Esse caso do Jefferson, Lillian. Definitivamente alguém o está passando pra trás. Ele realmente estava na Europa jogando quando essas crianças foram concebidas. Espero que o Advogado dele saiba disso.
— Nossa, que estranho. Que tal chamarmos essas mulheres pra depor?
— Boa ideia. Proceda as intimações dessas oportunistas.
— Lillian chamou Gabriela e, munidas de dez intimações, foram às casas das dez mulheres a intimando para depor na delegacia. No dia seguinte...

—X—X—X—X—X—

Ela nunca estivera em uma delegacia antes. Arquiteta bem-sucedida, Leandra, 34 anos, era mãe solteira de um menino de oito anos e meio. Esperava pacientemente para ser chamada, mesmo tomando alguns sustos com os “tipos” que lá entravam. Ela estava em uma Delegacia não em um salão de beleza, também...
Passados alguns minutos, uma mulher foi chamá-la. Confirmou a identidade e a levou para uma sala escura onde dois homens a esperavam: João Paulo Lima e Rodrigo Nery.
— Pois bem, dona Leandra...— Nery tentava dar um tom de terror ao interrogatório.— Alguma vez na vida você foi pra cama com Jefferson Lipreri?
— Eu? Lógico que n]ao! Mas que absurdo! Jamais eu dormiria com um homem que não conheço!
— Ah! Que estranho... Se nunca transou com ele... Como pode afirmar que ele é o pai de seu filho? Se o DNA der resultado negativo, você que vai ter de pagar uma indenização pra ele!
— Eu não transei com ele, mas na clínica de fertilização me disseram que era sêmen dele que seria utilizado.— disparou a arquiteta.
— Produção independente, não? Agora a situação aperta e você corre atrás de um ricaço pra arrancar uma pensão?— disse Paula, bravíssima, também participava do interrogatório.
— Não tem nada a ver com dinheiro. Meu filho queria saber quem era o pai dele. Decidi entrar com a ação. Pra ser honesta, nem sei como é a cara desse tal Jefferson Lipreri.
— Assista aos jogos do Barcelona que você vai saber. Camisa nove.— contou João Paulo.
— Voltando à vaca fria, em que clínica você fez o procedimento?
— Foi na Fertilizae.— disse Leandra.

—X—X—X—X—X—

Deitada na maca, Leandra estava nervosa. Duas funcionárias manipulavam tubos de ensaio e um galão de nitrogênio líquido. A fertilização in vitro resultar em três embriões mas um foi descartado, por não parecer aos olhos da embriologista, em bom estado. Os outros dois foram implantados e durante o processo, um rapaz entrou na sala:
— Qual é o código desse doador, Anne?
— É o Jefferson Lipreri, Amanto, esqueceu?
— Ah, é verdade. Obrigado.
— Por que está perguntando isso?
— Formalidades. Tenho que marcar na lista, Júlia. Senão o Doutor Roger acaba com a gente.
— Ah, é verdade. Tinha me esquecido disso. Desde que ele contratou vocês dois eu fico praticamente só no laboratório...

—X—X—X—X—X—

— Bem, foi isso.— disse Leandra.— Mais alguma coisa?
— Por enquanto não. Mas, aguarde, poderemos te chamar de novo em breve.
— Ah, sim. Ajudarei no que for possível.— disse Leandra saindo da sala. Paula a levou até a saída.

—X—X—X—X—X—

— Era só o que me faltava! O bonitão lá esqueceu de falar de doação de sêmen!— disse Lillian, que ouvira o depoimento de fora da sala.
— Assim que ouvirmos as outras, o chamaremos aqui para esclarecer essa questão.



Escrito por Mírian B. Rosa às 18h02
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Capítulo 4 - Culpa linha pingue-pongue

Segue mais um capítulo de Dossiê DNA!

O depoimento de Jefferson fez com que Jotapê pusesse seus agentes na cola dos dois nomes mencionados pelo atleta: Davi Holl, seu antigo empresário e Lara, até então sem sobrenome, uma modelo cuja carreira também era agenciada por Davi. Gabriela e Lillian, 26 anos, outra agente da equipe foram até o endereço passado por Jefferson e porcamente rabiscado em um pedaço de papel por Nery.
— Será que é aqui mesmo?— perguntou Lillian tentando ler a garranchada ltrea de Nery.
— Parece que sim. Ah, tem uma farmácia na esqujina, podemos ir lá pedir ajuda.— debochou Gabriela.
Lillian caiu na risada.
— Ai, meu pai! Só você mesmo, Gabriela! Gostei dessa.
— Vamos entrar e ver.— disse Gabriela descartando a entrada na farmácia.

—X—X—X—X—X—

— Com licença, quem é Davi Holl?— perguntou Gabriela para um sujeito de meia didade que lia um jornal debruçado em uma escrivaninha de madeira escura.
— Sou eu mesmo, mocinha, o que deseja?— perguntou Davi galantemente.
— Polícia. O que o nome Jefferson Lipreri te lembra?— soltou Gabriela mostrando seu distintivo.
— Um excelente atleta. O agenciei no começo da carreira. Mais alguma coisa?
— Lembra-se de algo acontecido dia cinco de fevereiro de dois mil e um? O que o senhor queria colocando ele e a modelo Lara em uma suíte presidencial de um hotel cinco estrelas?— ainda era Gabriela.
— Ah, isso! Minha querida, queria promover os dois. Principalmente a Lara. Início de carreira não é fácil. Ainda mais nesses últimos anos. A concorrência e as exigências são cada vez maiores.— desconversou o empresário.
— Então... Como o nome dele foi parar em dez ações de investigação de paternidade?— era Lillian.
— Das aventuras amorosas e sexuais dos meus agenciados eu não cuido. Aliás, ex-agenciado. Aquele ingrato me chutou fora de sua vida há alguns anos. Justo eu que o levei ao estrelato nos gramados...
— Como e por que ele e Lara oram parar na mesma suíte de um Hotel no centro?— era Gabriela cética. O teatrinho de Davi não a comovera.
— Fale com a Lara. Essa foi outra mal-agradecida que me deu as costas quando alcançou a fama. Tem uma agência de modelos no bairro Santo Ivo. O sobrenome dela é Franco, para vossa informação. Eu só apresentei um ao outro.
— Só? Jefferson nos disse que você os enfiou num quarto de hotel e os largou lá sem explicar nada.— dessa vez era Lillian,l que também não engolia o “chororô” do empresário.
— Mentira dele.
— Que planos tinha pra “promover a carreira” deles os enfiando num quarto de hotel?— Lillian, de novo.
— Jefferson já era famoso. Talvez se Lara aparecesse ao lado dele ela seria mais visada pela mídia. O que lhe renderia mais contratos e...
— Mais dinheiro na sua conta, não?— alfinetou Gabriela.
— Obviamente, mas não era nisso que eu pensava, detetive. Isso sem contar que quando os apresentei, vi que se sentiram atraídos um pelo outro. Só facilitei as coisas. Mas, o que quer que tenham feito naquele quarto de hotel não é de minha responsabilidade.— esquivou-se Davi.
— Ok, Davi. Por hoje é só isso. Mas, não pense que se livrou de nós. Poderemos voltar mais cedo do que você pensa.— disse Gabriela retirando-se da sala do empresário.
— Será um prazer recebê-las novamente, queridas.— soltou o empresário quando ambas estavam fechando a porta.
— Mas que atrevido!— resmungou Lillian.
— Atrevido mesmo. Tentou nos cantar o tempo inteiro. Tenho dó dos clientes dele.

—X—X—X—X—X—

Enquanto isso, Rodrigo fora ao hotel e conseguira uma informação interessante sobre a tal noite de Jefferson e Lara na suíte presidencial com o gerente do estabelecimento que já ocupava o cargo na época. Conversaram com a equipe e João Paulo encarregou Yuri e Paula de interrogarem Lara, após localizarem o endereço da agência dela na internet.

—X—X—X—X—X—

— Procuramos por Lara Franco.— disse Paula ao chegar na agência, um lugar pequeno, porém bem decorado e arrumado. Havia uma mulher de aproximadamente trinta anos folheando uma revista de moda na recepção.
— Sou eu. O que desejam?— apresentou-se e perguntou a ex-modelo.
— Somos da polícia. Agentes Yuri Costa e Paula Biazus.— apresentou-se o primeiro mostrando seu distintivo.
— E... Vocês acham que estou envolvida em algum crime?— zombou Lara.
— Mais ou menos. Lembra-se de uma noite de fevereiro em que você, modelo em início de carreira dormiu com Jefferson Lipreri, astro do futebol? Refresquei sua memória?— Paula devolvia o tom zombeteiro.
— Davi me ligara naquela manhã, mas quem atendeu o telefone foi meu namorado, Horácio. Ele queria que eu fosse a uma reunião com ele em seu escritório fechar um contrato para um catálogo de uma loja de roupas. Depois, tivemos num almoço em que ele me apresentou Jefferson.
— E você se interessou pelo Jefferson?— perguntou Paula.
— Vou ser franca com você, Paula. Ele é até bonitinho, mas não faz meu tipo. E eu namorava o Horácio naquela época.
— Certo.— disse Paula segurando a risada.— Lara, você ainda tem contato com o Horácio, sabe onde poderemos encontrá-lo?

—X—X—X—X—X—

Nery parecia nervoso. Ia sozinho interrogar mais um suposto envolvido no escândalo. A imprensa já havia noticiado algo, mas sem muito fundamento. Ao entrar no local, encontrou-o vazio, mas ouviu barulhos vindos dos fundos. Chamou por um nome.
— Alguém me chamou?— perguntou um homem de trinta e poucos anos, alto, magro, com cabelos escuros, um pouco compridos e ligeiramente encaracolados postando-se diante do investigador.— desculpe a demora, estou sozinho aqui hoje.
— Tudo bem. Horácio Fialho Júnior?
— O próprio.— respondeu o homem, Horácio.
— Rodrigo Nery, polícia.— apresentou-se o investigador.
— Pois não o que deseja?
— Lembra-se do que aconteceu no dia cinco de fevereiro de dois mil e um, em um almoço promovido por Davi Holl? Ele é seu empresário, por acaso?
— Era. Há cinco anos e meio rescindi o contrato pra virar fotógrafo. Mas, comecei minha carreira como modelo fotográfico agenciado por ele sim. Quanto ao almoço... Ah, lógico! Ele apresentou a Lara, minha namorada, para um jogador de futebol, o Jefferson. E também, falou comigo num tom de voz de poucos amigos quando nos falamos por telefone. Era o celular da Lara. Eu atendi por que ela estava tomando banho.
— Sim. E...

—X—X—X—X—X—

Horácio ainda estava grogue de sono. A televisão, ligada em um canal pago, passava um seriado e o som de água caindo indicavam que Lara já havia se levantado e estava tomando banho. Pouco depois, ainda estava deitado quando ouviu o celular de Lara tocando e ela gritando do banheiro “Atende pra mim, Horácio!”. Atendeu o aparelho.
— Alô?
— Horácio?— disse Davi surpreso de ouvir a voz de seu agenciado.
— Davi?— Horácio também reconheceu a voz de seu agente imediatamente.
— Eu mesmo. Cadê a Lara?— Davi respondeu com a voz seca, típica de quem escuta o que não deseja na hora errada.
— Está tomando banho. Recado?
— Peça a ela que me ligue assim que sair do chuveiro. E você sabe que eu não gosto disso.— encerrou Davi desligando o telefone na cara de Horácio.

—X—X—X—X—X—

— Do que é que ele não gostava?— perguntou Rodrigo, após a digressão de Horácio.— Você se lembra ainda?
— Pode soar irônico em vista do que aconteceu, mas... O que ele não gostava era de que seus agenciados tivessem qualquer relacionamento. Acho até que ele apresentou o Jefferson pra Lara pra me provocar e fazer com que eu terminasse o namoro.
— Funcionou?
— Não.— riu Horácio.— Ainda estamos juntos. O que nos atrapalha agora é o trabalho. Mas eu sempre fotografo as modelos da agência dela...
— Ok. Muito obrigado Horácio, mas qualquer problema a gente volta.
— Beleza.

—X—X—X—X—X—

— Como? Ele não gostava que seus agenciados tivessem qualquer relacionamento entre si, e enfia dois deles num quarto de hotel?— era Jotapê intrigado com o trazido por seus agentes.— Acho bom colocarmos esse empresário bipolar na parede.
— Pode deixar.— disse Nery.— Vamos Yuri. Eu faço esse sujeito contar até onde o Khadaffi está escondido.
— Ótimo, Nery. Aí nos dividimos os três milhões da recompensa.— riu João Paulo.



Escrito por Mírian B. Rosa às 15h31
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Capítulo 3 - Tudo pela primeira página

Com um mês cravado de iontervalo, posto aqui o 3º capítulo de Dossiê DNA! Comentários pelamor...

Não é todo o dia que uma oportunidade como aquela caía no colo de Mariana Pelúcio. Notícia fresca, fácil e polêmica. Aquele tipo de pessoa entrando naquele prédio desacompanhado era, sim, notícia das boas para os veículos que aceitavam comprar suas matérias. A jornalista de 26 anos desconhecia os limites éticos da profissão e parecia ter se esquecido de outro detalhe: as técnicas para a apuração das matérias. Simplesmente inventou o quer o sujeito poderia ter ido fazer lá e redigiu o texto. Publicou-o em seu blog e escreveu alguns tweets divulgando o post. Logo em seguida...

—X—X—X—X—X—

Logo que saiu da delegacia, Jefferson, seguindo um conselho de João Paulo que qualquer pessoa sensata o daria, foi procurar um advogado. Encontrou um num famoso prédio comercial, também próximo a sua casa. A OAB dele chamou a atenção do atleta: 341.666.
— Sua OAB é curiosa...— disse Jefferson ao homem assim que este o chamou para entrar em sua sala.
— É. Eu também acho. Mas, o que o traz aqui? Acredito que não era apenas ver quem era o advogado número meia-meia-meia. Qual foi a encrenca em que você se meteu?— respondeu o advogado, chamado Victor Castilho. Tinha 37 anos, 13 deles na profissão.
— Ah, aqui, Doutor. Pode parecer mentira, mas nunca vi nenhuma dessas mulheres na minha vida. Estava fora do Brasil quando elas engravidaram. As datas estão nesses papéis.
— Ok. Verei o que posso fazer no seu caso. Ah, vou precisar que você me traga os seguintes documentos.— disse Victor escrevendo-os em uma folha de papel.
— Ok.

—X—X—X—X—X—

Computador ligado, conexão da internet boa e estável. Um post começou a ser escrito em um blog de fofocas com aproximadamente quinze mil visitas diárias.
“Não é especulação” começava o texto do post tecendo, em seguida, um monte de comentários sobre a cena vista por sua autora. Incluindo uma foto em baixa resolução do “alvo” do post entrando no prédio que gerou a matéria.
Logo depois, o post era copiado por dezenas de outros blogs e sites do assunto e seu protagonista virou um dos mais comentados assuntos do twitter.

—X—X—X—X—X—

Uma situação estranha ocorria num hotel cinco estrelas no centro da cidade. Um sujeito ligara lá reservando o salão do hotel para uma confraternização de vinte pessoas e, também, a única suíte de luxo do hotel no nome de duas pessoas.. sem questionar, fez as reservas no computador, onde o nome do autor dessas reservas ficou registrado.

—X—X—X—X—X—

No dia seguinte Jefferson voltou à delegacia, furioso, com alguns papéis na mão.
— Olhe o que fizeram comigo.— disse, nervoso, jogando os papéis em cima da mesa de João Paulo.
— Site de fofocas?— revidou o delegado, sem se alterar com a fúiria do homem, estava revisando o relatório final de um caso no qual indiciava cinco réus por homicídio triplamente qualificado. Ver alguém tendo uma crise histérica era o de menos.
— Sim.— disse Jefferson se acalmando.
— Sobre você ter vindo aqui ontem. Confere?— era o delegado ainda pensando bem, Jefferson “irado” Lipreri aparecera em boa hora. Precisava esfriar a cabeça depois de passar quatro horas debruçado sobre o inquérito do homicídio.
— Exato.
— Tire cópias desses papéis e os entregue ao seu advogado, caso já tenha um. E entregue para a Gabriela ou para o Nery. Sinceramente, isso será mais útil para um advogado que no nosso caso.
— Ok.— disse Jefferson saindo da delegacia e indo até a papelaria da esquina. Tiradas as cópias, levou-as para Gabriela.
— Ah, oi, Jefferson, o que é isso?— perguntou a policial pega de surpresa.
— Saiu a meu respeito na imprensa ontem, especulando por que vim aqui.
— Hum...— Gabriela folheava os papéis.— Notícias de sites de fofocas. Podem render um processo por danos morais. Leve cópias para seu advogado.

—X—X—X—X—X—

Jefferson saiu da delegacia e foi até o escritório de Victor Castilho, levando, tanto os documentos pedidos por ele, quanto os papéis dos sites de fofocas e assinou a tão temida procuração.

—X—X—X—X—X—

Exceto pela fúria de Jefferson e comentários sem-noção no twitter, o caso não repercutira muito, mas tudo estava apenas começando... Muita água passaria debaixo da ponte até a resolução do caso...



Escrito por Mírian B. Rosa às 21h17
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Capítulo 2 - Relembrando uma noite

Pronto, aqui está o 2º capítulo de "DOSSIÊ DNA". Divirtam-se! É bem curo esse capítulo, estou usando um estilo diferente do que eu usava no Geometria Brompton.

 

          Jotapê leu as petições, que Paula lhe passou, incrédulo. Ficou ainda mais intrigado com as histórias que leu. Em nenhum momento mencionava envolvimento das mães das crianças com Jefferson.
          — Nunca li histórias mais mal-contadas na minha vida...— comentou enquanto Rodrigo acenava com a cabeça.— Como isso foi acontecer com você, meu caro?
          — Se eu soubesse...— Jefferson parecia irritado.— A última vez que estive no Brasil foi há dez anos.
          — Dez anos é? E o que você fez nessa ocasião?— perguntou Jotapê.

—X—X—X—X—X—

          Luzes, penumbra, risadas, uma bela mulher. Quarto de hotel. Hotel cinco estrelas, certamente. Centro da cidade. Sexo. Um bilhete. Era só disso que Jefferson se lembrava do que fizera de mais relevante nas 6 últimas semanas que passara no Brasil.
          — Lara. Era esse o nome dela. Agora, não me lembro do sobrenome.
          — Como conheceu essa tal Lara sem sobrenome?— perguntou Rodrigo.
          — Tínhamos o mesmo empresário, Davi Holl. Há oito anos me desliguei dele, não sei onde é o escritório dele hoje, mas antigamente era na rua Machado de Assis número 21. Aliás, nem sei se ele ainda está na ativa.
          — Certo.— disse Rodrigo rabiscando o endereço numa folha de papel.— Mais alguma coisa?

—X—X—X—X—X—

          Jantar. Não, era um almoço. Daqueles que Davi Holl; um bem sucedido agente de atletas, modelos, cantores e atores; organizava de vez em quando para vigiar a vida de seus clientes. Entre eles, se encontrava Lara, uma modelo de apenas vinte e dois anos. Davi fez questão de apresentá-los.
          — Jefferson!— começou o empresário empolgado.— Futuro astro da seleção brasileira! Gostaria que você conhecesse a Lara...
          — Prazer.— disse Jefferson. Ficara evidente que ele se sentira atraído pela modelo.
          — Prazer.— devolveu a modelo também atraída pelo jogador, ao menos pareceu.
          — Ok, maravilha que estão se dando bem. Quero vocês lá no Hotel Parque Imperial, no centro, às nove da noite sem falta! Tenho planos os dois.— terminou em tom levemente debochado.
          — Do que você está falando, Davi?— perguntou Jefferson, desconfiado.
          — Aguarde e verás.— disse o empresário fazendo suspense e deixando os dois para falar com um outro artista cuja carreira gerenciava.

—X—X—X—X—X—

          — De que espécie de plano ele estava falando?— perguntou Rodrigo.
          — Achei que era uma campanha publicitária, ou entrevista, mas quando cheguei lá ele nos enfiou imediatamente na suíte presidencial e virou as costas...
          — Que estranho...— comentou Paula.
          — Não sei quanto à vocês, mas me deu uma vontade de falar com esse empresário...
          — Deixe isso comigo, Jotapê.— ofereceu-se Gabriela.— Vou com a Lillian conversar com esse empresário...
          — Ótimo. Bom trabalho.— disse Jotapê aprovando a iniciativa de sua subordinada.— Ah, Paula, chame o Yuri e vão atrás dessa modelo e peça para a Clarice vir aqui...
          — Tudo bem.

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 19h43
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Capítulo 1 - Armadilha de veludo

COM VOCÊS O PRIMEIRO CAPÍTULO DE "DOSSIÊ DNA"

Tudo parecia bem naquele quarto de hotel cinco estrelas. O mais luxuoso na cidade, quiçá da região. Suíte presidencial. O casal que a ocupava parecia se divertir.
— Bem que não nosso empresário me falou que você era gostoso, Jefferson.— suspirou Lara, embevecida com o homem com quem dividia o quarto.
— Ah, você ainda não viu nada, gatinha... E pode me chamar de Jeff.— permitiu o mesmo.
— Hum, certo. Jeff... Vai ficar no Brasil quanto tempo ainda?
— No máximo uma semana. O campeonato começa dentro de três meses e o técnico quer ver todo mundo em boa forma pra começarmos bem.
— Hum, bacana...
— Vamos ao que interessa, gata.— convidou o jogador já atirando a jovem modelo na cama.
— Hum, apressadinho...— debochou Lara tirando a camisa do jogador, a mais jovem estrela do futebol europeu, recentemente vendido por seu clube de origem por nada mais, nada menos que 50 milhões de dólares, dos quais 20 milhões foram embolsados por seu empresário, o mesmo da jovem modelo com quem dividia o quarto.
— Me chame do que quiser. Está afim mesmo, não?— desdenhou Jefferson.
— Se você acha...
— Vamos logo ao que interessa então.— era o atleta que já havia retirado a blusa de Lara e, agora, investia contra o sutiã da modelo.
Logo, o casal estava transando. Algumas horas depois, Lara sai do quarto com um pequeno pacote em mãos. Bate à porta do quarto vizinho e entrega a encomenda ao sonolento casal de hóspedes. Volta à suíte onde estava; pega seus objetos e rabisca um pequeno bilhete. Vira as costas e sai, encontrando-se com outro homem na recepção do hotel. Este sujeito conversa com o gerente e acerta as contas. Vão embora.
Mais algumas horas se passam e, finalmente, Jefferson acorda. Pouco se lembra o que aconteceu na noite anterior, exceto da reunião que teve com seu empresário, quando este lhe pediu para ir ao hotel onde estava, mas não se lembrava dos detalhes. Virou a cabeça e viu a apressada nota de Lara no criado-mudo. Riu e guardou o bilhete. Mais um pra sua coleção de aventuras amorosas de férias no Brasil. Não teria qualquer consequência. Deu de ombros e saiu do quarto, após se vestir. Na recepção, soube que sua dívida já havia sido quitada. Apenas acenou afirmativamente com a cabeça e voltou para o apartamento de sua propriedade, em uma região nobre da cidade. Doze dias depois, embarcou de volta para a Europa.

—X—X—X—X—X—

Dez anos passaram-se daquela noite. Jefferson, já consagrado, três vezes eleito melhor jogador do mundo, com milhões na conta bancária, está de férias no Brasil, desde aquela vez não vinha mais para o país, mas pretendendo voltar para a Europa o quanto antes. Parecia ter uma manhã normal quanto seus planos de regresso ao velho mundo foram interrompidos por uma campainha.
O jogador abriu a porta, apesar de seu dinheiro não havia empregados na casa a não ser a mulher que ia duas vezes por semana fazer faxina. Quem estava do outro lado era um homem de estatura mediana e roupas sociais, que se apresentou como oficial de justiça. Leu os dez mandados de citação que tinha de entregar ao atleta deixando-o pasmo. Era réu em 10 ações de investigação de paternidade! Todas as crianças tinham oito ou sete anos agora.
— Deve haver algum engano.— argumentou Jefferson.— Não conheço nenhuma dessas mulheres e faz dez anos que não venho ao Brasil.
— É o que todos dizem.— debochou o oficial enquanto Jefferson assinava os mandados. Devia ouvir essa desculpa todas as vezes que fazia uma citação naquele tipo de ação. Após conferir que Jefferson havia assinado todos os dez mandados, o oficial retirou-se da residência do mesmo deixando com ele as contrafés.
Por alguns minutos, Jefferson ficou estático e atônito. Não acreditava no que lhe acontecera. Um golpe! Só podia ser. Quando conseguiu reagir não foi atrás de um advogado, como a maioria dos citados num processo desses faria, e sim foi até o 7º distrito policial, algumas quadras distante de sua casa cujo delegado titular no momento era João Paulo Lima, trinta e seis anos, conhecido pelo apelido de “Jotapê”. Estava “escondido” atrás de uma pilha de inquéritos quando ouviu algumas batidas na porta de sua sala.
— Pode entrar.— autorizou erguendo a cabeça por sobre uma das várias pilhas de futuros processos penais que se formaram ao longo dos últimos dias em sua mesa.
— Jotapê.— começou Gabriela Diniz, uma das várias agentes lotadas naquela delegacia, tinha 29 anos.— Tem um sujeito aqui dizendo que foi vítima de um golpe. O Nery e a Paula Rush já estão falando com ele.
— Um-sete-um de novo? Fala sério!— exclamou Joçao Paulo farto dos inquéritos de estelionato que tinha pra encerrar e encaminhar a promotoria.— Deviam abrir um distrito especializado nesse tipo de crime, tal como existe para narcóticos e homicídios.
— Concordo Jotapê, esse crime está cada vez mais comum, mas creio não ser esse o nosso novo caso.— disse Gabriela.— Ele diz que dez mulheres entraram com ações de investigação de paternidade contra ele, mas que ele não pode ser o pai de nenhuma das crianças já que ele estava fora do Brasil na época em que ele, teoricamente, teria engravidado essas mulheres.
— Essa desculpa é nova...— debochou João Paulo entrando na sala onde o agente Rodrigo Nery conversava com um nervoso Jefferson.
— Jefferson Lipreri?— disse perplexo ao reconhecer o sujeito.— Você ainda está jogando no Barcelona?
— Estou. E não posso ser o pai de nenhuma dessas crianças.
— Hum... E por que não?
— Ele estava fora do Brasil, Jotapê. E, pelos processos, todas essas crianças foram concebidas em território nacional.— disse Paula Biazús, chamada pelos colegas de Paula Rush por sua semelhança com a personagem do seriado Cold Case.
— Até onde sei, sexo virtual não engravida.— debochou Nery.
— Verdade.— disse Paula entregando as petições que Jefferson levara para a delegacia para seu chefe.
— Como? Você não veio para o Brasil e elas não foram para a Espanha?— perguntou João Paulo com as petições em mãos.



Escrito por Mírian B. Rosa às 13h39
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Capa.

Ficou meio sem-graça, mas foi o que pude fazer... Com vocês a capa de "DOSSIÊ DNA"




Escrito por Mírian B. Rosa às 21h21
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LIVRO NOVO Personagens

  1. Olá, como prometido, hoje trago a lista de pesonagens. São todos amigos meus do twitter, exceto o médico Roger Pontes, inspirado no famoso médico homônimo. Ah, o livro se chamará "Dossiê DNA" 
  2. Amanto Moura: O mais inescrupuloso funcionário da clínica do Dr. Roger. Tanto que é cotado a suceder o médico no comando da clínica. E é incapaz de perceber o quão antiético é;
  3. Anne Angélico: Outra funcionária da clínica do Dr. Roger antiética. Cuida da parte burocrática da empresa, adulterando registros para acobertar os erros de Roger e de seus colegas;
  4. Clarissa Faria: Investigadora da equipe que pega o caso. Não é designada para interrogatórios, mas sim para a perícia de lugares e documentos, armas e outros objetos relacionados ao crime;
  5. Davi Holl: Ambicioso, inescrupuloso, corrupto. Essas palavras definem bem o empresário, que não conhece limites. Agente de atletas e modelos, ele faz da vida de seus agenciados um inferno. E, para faturar mais dinheiro, bota pra escanteio seus já reduzidos valores morais e éticos;
  6. Deyvis Andrade: Único funcionário decente da clínica de Roger, mas, temendo perder o emprego, não colabora tanto quanto deveria no começo, só depois que a corda já arrebentou totalmente é que decide dar a “cara à tapa”.
  7. Gabriela Diniz: Investigadora da equipe que paga o caso. Será a primeira a falar com o ludibriado atleta. E irá atrás de informações que esclareçam o caso. Tenta estar sempre um passo à frente dos suspeitos;
  8. Horácio Fialho Jr: Modelo que tem um caso com Lara há tempos. Eram agenciados por Davi e hoje, sem vínculos com ele, mantém um estúdio de fotografia;
  9. Jefferson Lipreri: Estrela em ascensão do futebol nacional, atuante em um grande clube europeu, agenciado pelo empresário Davi Holl. Entra em um enrosco gigantesco, cujas consequências aparecem apenas depois de 10 anos. Entretanto, foi induzido a essa situação;
  10. João Paulo Lima: Delegado de polícia chefe da equipe. Conhecido pelo apelido de “Jotapê”. Correto e ético, desconfia um pouco de quando Jefferson chega a sua delegacia com os papéis, argumentando que nunca tivera nada com aquelas mulheres, mas, mesmo assim, põe seus agentes para investigar o caso e acaba descobrindo coisas muito estranhas;
  11. Júlia Junqueira: Funcionária da clínica do Dr. Roger, competente, porém antiética. Adultera os tratamentos para que não funcionem na primeira tentativa e, com isso, obrigar o casal a fazer outras vezes;
  12. Lara Franco: Modelo subornada por seu empresário para ser a isca da armadilha a Jefferson. Tem um caso com Horácio e no presente virou dona de uma agência de modelos. É extremamente ambiciosa, topa qualquer coisa para ganhar mais dinheiro, inclusive negócios sujos, sendo adepta da filosofia do “pagando bem, que mal tem?”;
  13. Lillian “Rush” Buarque: Investigadora da equipe que pega o caso. Graças à semelhança com o nome da protagonista de COLD CASE é chamada pelos colegas de Lillian Rush. Obstinada em resolver todos os casos que aparecem na sua mão;
  14. Mariana Pereira Pelúcio: Jornalista sensacionalista e inescrupulosa, que fica de plantão na porta da delegacia de João Paulo à procura de algum escândalo para escrever suas matérias. Ver Jefferson entrando na delegacia com aquele monte de papéis na mão vira um “prato cheio” para ela que começa a especular inúmeras coisas para vender suas matérias, que escreve sem muita pesquisa e que pode lhe acarretar vários processos.
  15. Matheus Amaral: Funcionário do banco de Victor Medeiros, também está envolvido nas maracutaias tanto do patrão quanto de Davi e de Roger. Sabe como ninguém a movimentação financeira do trio, mas, ambicioso como só ele é, reluta em contar à equipe de João Paulo. A investigadora Paula é quem o coloca na parede.
  16. Paula “Rush” Biazús: Investigadora da equipe que pega o caso. Também tem o apelido de Rush, mas por ser determinada e “teimosa” como Lilly Rush;
  17. Roberto Lages: Detetive particular contratado pelo banqueiro Victor Medeiros para “investigar” os clientes do banco com o intuito de descobrir os podres deles e fazer com que Victor consiga mais benefícios para seu banco;
  18. Rodrigo Nery: Investigador da equipe que pega o caso. Tira da linha “durão” como Nick Vera do seriado Cold Case, precisa se controlar para não agredir suspeitos de crimes que não confessavam sua participação nos delitos. É designado para interrogar os suspeitos mais dissimulados ao lado de Paula, que também é durona;
  19. Roger Pontes: Médico inescrupuloso e antiético. Com doutorado em reprodução humana, fará inúmeras coisas para receber retorno do dinheiro investido na clínica recém-montada. Amigo do empresário Davi, aceitará a proposta dele;
  20. Victor Castilho: Advogado que Jefferson Contrata para se defender. Um obstinado defensor das leis, fará de tudo para provar que Jefferson não doou sêmen voluntariamente para a clínica de Roger;
  21. Victor Medeiros: Banqueiro que empresta o dinheiro para Roger e descobre o que este fez para poder pagá-lo e o chantageia. Além de cobrar juros astronômicos de seus clientes, contrata um detetive particular (Roberto Lages) para descobrir os podres deles e com isso, poder cobrar ainda mais juros e agilizar o pagamento das dívidas e poder descumprir os contratos, tornando-os mais benéficos ao banco;
  22. Yuri Costa: Investigador da equipe que pega o caso. Apelidado de “Yuri Valens” por ser teimoso como o investigador do Seriado e sempre ficar na companhia das agentes apelidadas de Rush;



Escrito por Mírian B. Rosa às 20h50
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LIVRO NOVO Sinopse

Oi, galera, faz um tempinho que não dou as caras por aqui... Bem, o título desse post é o motivo de eu estar de volta. Estava no facebook quando recebi um recado do Vítor Romeiro, meu professor de Medicina Legal, pedindo meu e-mail, dizendo que tinha uma ideia para meu próximo livro. Bem, ele me mandou uma proposta sensacional! Que segue abaixo:


Bem, então de posse dessa ideia central, desenvolvi a ideia abaixo, recheando a história de escândalos e com uma pegada bem policial. Como tenho assistido muito ao seriado COLD CASE, no qual se soluciona casos antigos, decidi fazer uma história nesse estilo. Não sou uma Meredith Stiehm (Quem criou e idealizou a série) mas pretendo chegar lá perto.

Aqui está, os personagens ponho amanhã.

Logo após terminar seu mestrado em reprodução humana, o médico Roger Pontes faz um volumoso empréstimo no banco do também inescrupuloso Victor Medeiros para abrir sua clínica de fertilização e contratar seus funcionários.
Endividado até o pescoço e sem conseguir retorno financeiro da clínica; Roger recorre ao seu amigo, o inescrupuloso empresário Davi Holl que agencia a carreira dos modelos Horácio Fialho Junior e Lara Franco e do astro do futebol Jefferson Lipreri.
Davi articula com Roger um plano pra que ele consiga o que deseja. Vai se aproveitar que Lara é ambiciosa “até a raiz dos cabelos” e colocá-la na cama com Jefferson, cujo passe vale uma verdadeira fortuna e utilizar o produto da relação dos dois.
Dois funcionários da clínica (Amanto Moura e Júlia Junqueira) ficam no hotel enquanto Lara, muito bem subornada para tal, faz o “serviço” num quase dopado Jefferson.
Lara entrega o preservativo e recebe o combinado por seus serviços e some do mapa.
Jefferson acorda no dia seguinte sem entender absolutamente nada ao ver que Lara sumira e deixara apenas um bilhete.
O atleta dá de ombros e vai embora. Descobre que já pagaram a conta do hotel e acredita que o responsável foi Davi. Dois dias depois embarca para a Europa, onde joga num dos maiores times do continente.
Jefferson está de férias no Brasil, dez anos após o caso quando recebe a visita de um oficial de justiça em seu apartamento.
Através dele, descobre que tem 10 ações de investigação de paternidade contra si em trâmite na justiça.
Estupefato, Jefferson desconfia que foi vítima de uma armação. Vai até a delegacia mais próxima de sua casa a 21ª regional, cujo titular é o delegado João Paulo Lima, conhecido pelo apelido de “Jotapê”. Que designa os investigadores Gabriela Diniz, Lillian “Rush” Buarque, Clarissa Faria, Yuri Costa, Paula “Rush” Biazús e Rodrigo Nery para o caso, supondo a repercussão midiática que isso terá.
Paula interroga Jefferson que afirma nunca ter visto qualquer daquelas mulheres na vida. Jefferson também revela que à época em que todos aquelas crianças foram concebidas, estava na Europa. Estivera no Brasil apenas dois meses antes.
João Paulo, após confirmarem o “álibi” de Jefferson, intima cada uma daquelas mulheres, que passa a classificar de golpistas, para explicar como um cara na Europa poderia tê-las engravidado. Elas revelam que fizeram inseminação artificial e que isso (o sêmen era de Jefferson) foi dito na clínica, pela funcionária Anne Angélico.
Rodrigo se encarrega de ir à clínica e leva Anne para interrogatório. Ela diz que quem lhe contou sobre a origem do sêmen lhe foi passada por sua colega Julia que foi com outro colega, Amanto a um hotel um mês antes de a primeira inseminação ser feita.
Os próximos interrogados, o casal de funcionários, não revela muita coisa que não que fora Roger quem os mandara pra lá. E que receberam o sêmen em um preservativo entregue pela modelo Lara Franco, vista na clínica acompanhada de seu empresário Davi, dias antes do “acontecimento” e ela dissera que seu namorado não gostaria nada dessa atitude, exceto pelo dinheiro.
Não foi nada difícil encontrar Lara. Dona de uma movimentada agência de modelos da cidade. Lillian e Clarissa vão até ela que revela que recebeu a proposta de seu antigo empresário, Davi e que seu namorado, Horácio, não gostaria de vê-la transando com outro homem.
Yuri e Rodrigo, de posse das informações passadas por Lara, vão atrás de Horácio, hoje dono de um estúdio de fotografia que ainda tem um relacionamento com Lara. Ele revela que atendeu o celular de Lara certa vez e quem ligava era o empresário que pareceu não ter gostado de estar falando com ele.
João Paulo decide que está na hora de por o empresário Davi contra a parede. Ele, juntamente com Rodrigo, vai ao escritório do famoso empresário de artistas e atletas descobrir o quão envolvido no caso ele estava. Davi apenas diz que conhece Roger, o dono da clínica onde hipoteticamente o sêmen de Jefferson foi usado, mas que não sabe de como isso foi acontecer.
Enquanto isso, Yuri e Paul interrogam Roger, que diz não saber o porquê essa maluquice toda. Faz-se de desentendido e diz que tinha mais com que se preocupar na época, que devia ainda muito dinheiro para Victor, o banqueiro que lhe emprestara dinheiro para a montagem da clínica.
Nesse meio tempo a jornalista Mariana Pelúcio, sempre atrás de uma “boa” reportagem pra vender, vê Jefferson entrando na delegacia com vários papéis na mão e já começa a especular o que poderia ter acontecido. E escreve as matérias sem averiguar as informações.
O caso cai na imprensa. Jefferson vira alvo das mais absurdas especulações, já que ninguém sabe o que ele foi fazer na delegacia e Mariana não apurou as informações e já espalhou suas invencionices em seu blog e no twitter.
Roger continua se fazendo de desentendido, mas está cada vez mais enrolado, já que um de seus funcionários (Deyvis Andrade) resolve falar.
Para se ver livre das ações Jefferson contrata o advogado Victor Castilho. Victor (advogado) vai conversar com João Paulo, de quem foi colega na faculdade de Direito, pra ver o que já se descobriu sobre os casos. TODAS as mães que alegam terem filhos de Jefferson fizeram inseminação artificial na mesma clínica.
Castilho pergunta a seu cliente se ele foi doador de sêmen. O que é veementemente negado.
Yuri decide averiguar o banco de sêmen da clínica e não encontra o nome de Jefferson lá. Os dados lhe foram entregues pela funcionária Julia Junqueira.
Cansado das canalhices de seu chefe e de seus colegas Deyvis Andrade conta que ouviu recentemente uma conversa estranha entre Roger, Davi e um funcionário do Banco Medeiros chamado Matheus Amaral.
Deyvis disse que a conversa foi, em suas palavras, “sinistra”. Matheus disse o tempo todo que sabia o que os dois (Roger e Davi) haviam feito como um cara, sem dizer quem era esse cara.
Vítor Castilho começa a achar que há uma conspiração contra seu cliente. E, para confirmar sua suspeita, começa a virar “arroz de festa” na delegacia de João Paulo.
Matheus é interrogado, e não revela absolutamente nada interessante, mas fica claro que é um dissimulado. João Paulo resolve reinterrogá-lo e Paula é a designada para esse trabalho. Usando toas as técnicas LEGAIS de interrogatório ela consegue tirar informações úteis de Matheus que posteriormente serão usadas contra o banqueiro Victor Medeiros, Roger, Davi, Lara...

Bem, essa sinopse aqui é provisória. Em breve vocês verão uma versão 2.0 dela aqui...



Escrito por Mírian B. Rosa às 21h33
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GEOMETRIA BROMPTON - Trechos do Capítulo VIII Parte 3

Agora sim, os últimos trechos. Segue foto de Kiefer Sutherland, Santeri Korhonen, o pai do Alex.

François entregou os frascos a Pierre. O sangue do pediatra ferveu. Furioso, entregou os frascos para Henry e disse a François cuspindo as palavras.
— Eu te desprezo, François. Quem o senhor acha que é? O melhor médico do mundo? Pois está muito enganado. Qualquer pessoa nesse hospital é mais médico que você. Henry, chame a polícia e o conselho de medicina do hospital. Esse filho da puta asqueroso não pisa mais aqui.
Em pouco tempo, o conselho e a polícia, chamados por Hery estavam no “local do crime” Pierre, Henry e alguns outros funcionários e até parentes de pacientes que testemunharam a cena tiveram que conversar com os responsáveis. Depois que eles deixaram o local, cerca de duas horas depois, Pierre desabafou com seu amigo:
— Não acredito que ele queria que eu injetasse Cloreto de Potássio e Morfina no Alex.— disse o pediatra.”

 

Pouco antes de resolver ir ao quarto de Alex, Pierre se refugiou em sua sala. Tremia de tanta raiva que sentia de François. Não tinha condições de ir ver nenhum paciente. Pôs Avenged Sevenfold pra tocar no computador para ver se se acalmava. A primeira que rolou foi “God Hates Us”. A introdução lenta da música de fato tinha um fator calmante embora Pierre já estivesse esperando a virada da música. Finalmente podia se considerar calmo de novo. Pensou então em COMO aquilo fora acontecer. Iria pegar os frascos de François sem qualquer suspeita até que viu Henry. Algo lhe despertara a desconfiança, mas o quê? Olhou para o monitor de seu computador. A foto do Avenged Sevenfold fora substituída por uma colagem de diversas fotos da banda e de seus integrantes, incluindo aí James Owen Sullivan, falecido em 2009. O sangue de Pierre gelou ao ver uma das fotos do falecido baterista do grupo. “Será que foi ele?” perguntou-se.”

 

Dois dias depois, o humor de Pierre era outro. O pediatra estava feliz e bem-humorado. O Motivo: François Bouvier fora destituído de seu cargo no hospital e nunca mais poderia entrar naquele prédio, só se precisasse de cuidados médicos.
— Resumindo a ópera: o “Doutor House” já era!— explicou Pierre animado para Sofia, naquele dia. Contara para a italiana que ele pedira para um dos médicos matar um paciente, mas, claro, não disse que o paciente alvo de Bouvier era o filho da italiana.
— Que bom. Não gostava do jeito que ele tratava o Alex. Ele tratava todos assim?— perguntou Sofia.
— Era. Principalmente com crianças, pacientes terminais, estrangeiros e pessoas que não tem boas condições financeiras.— respondeu Pierre.
— Quem é o chefe do hospital agora?
— O cirurgião que o apelidou de Doutor House. Esse é gente fina, pode ficar tranquila.
Logo depois, o novo chefe do hospital, um médico de pouco mais de 50 anos entrou no quarto.
— Com licença, é aqui o quarto de Aleksanteri Rossini Korhonen?— perguntou.
— É sim.— respondeu Pierre.
— Vim visitá-lo.— justificou o novo chefe.— Como o mocinho tem passado?
— Bem.— respondeu Sofia.
— Você é a mãe dele? Eu acertei a pronúncia do nome dele?
— Acertou. Sou sim. Sofia Rossini Korhonen.— apresentou-se a própria.
— Prazer. Doutor Jacques Montagny. Sou o novo chefe do hospital. Acho que Pierre já lhe contou que houve uma substituição.
— Prazer.— devolveu Sofia.— Ele contou sim.— a italiana já se simpatizara com o novo diretor do hospital. Chamara seu filho de “mocinho”, e o chamara pelo nome e ainda perguntara se havia pronunciado o nome da criança corretamente.
— Bem, foi bom conhecê-los.— disse Jacques acariciando Alex.— E o pai dele, onde está.
— Santeri viajou a trabalho. Não sei quando ele volta. Espero que em breve.— respondeu Sofia.
— Certo. Bem, vou passar para ver os demais pacientes, e, qualquer problema, estou por aí.— disse Jacques saindo do quarto.”

 

Santeri entrou correndo no laboratório assustando Thierry que estava sentado à bancada tentando desvendar a composição do pó.
— Que é isso, Santeri?— perguntou o bioquímico.
— Acabou, Thierry. Aqui está ela.— disse Santeri mostrando a folha onde vinha escrita a composição do pó para Thierry.
— Brincadeira! Cara, onde conseguiu isso?
— Um colega meu que achou lá na pedreira.
— Hum, bom. Vamos testar isso aqui. Se forem essas as substâncias presentes nesse pó mesmo.
— É...
Dois dias, Thierry confirmou que era aquilo mesmo que havia no pó e contou o seu irmão o resultado das reações. Então, Pierre pode, finalmente curar Alex.”



Escrito por Mírian B. Rosa às 17h19
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GEOMETRIA BROMPTON - Trechos do Capítulo VIII Parte 2

Mais uma... Talvez a última...

Os agentes saíram dos quartos e se dispersaram pela pedreira. Logo, chegou um sujeito de cabelos desgrenhados, jaleco encardido e com uma enorme e pesada caixa de papelão nas mãos. Nikolas e Jean, os primeiros a vê-lo, não conseguiram segurar o riso. “Que figura!”, pensavam.
— Será que esse aí é o tal do Boris, Michael?— perguntou Jean a Nikolas entre risos.
— Deve ser, Antoine.— respondeu o Alemão.
— Bem que o Scott disse que ele era meio esquisito.— disse Jean.
— Esquisito é elogio, Antoine.
Nisso, Dario veio ao encontro deles, cruzando com o suposto Boris. O italiano não pode deixar de perceber a presença do sujeito e acompanhou-o virando a cabeça. Ao se aproximar dos colegas, perguntou-lhes:
— De que laboratório de filme de ficção científica aquele sujeito escapou?
— Teve fuga de algum hospício da região?— perguntou Renato ao ver a bizarra criatura.— Gente, imaginem o Markos conversando com isto...
Dario, Jean e Nikolas se entreolharam e dispararam a rir imaginando a surreal conversa entre Markos, ou melhor, Santeri e o “fugitivo do hospício”, como passaram a chamar o “cientista”.
— Essa foi boa, Felipe! Essa conversa não vai render nada, será “chutar cachorro morto”.
— Ei, me contem a piada!— pediu Matthew chegando ao local.
— Você viu aquela figura que chegou aqui carregando uma caixa de papelão?— perguntou Jean.
— Vi. Parecia um cientista maluco de desenho animado. O que tem ele?— perguntou Matthew.
— Então, estávamos imaginando esse cara “trocando figurinhas” com o Markos. Não vai rolar.— explicou Jean vendo Matthew reagir imediatamente gargalhando.
— Ei, pessoal, qual é a graça?— dessa vez era Jonathan, que chegara ao local acompanhado de Brian e Gillian.
— Um cientista, desses que parecem ter escapado de um desenho animado ou de um filme de ficção científica, ou ainda de terror passou por aqui a pouco. Estamos imaginando o quão surreal seria uma conversa dele com o Markos.— Matthew tratou de responder.
Jonathan franziu a testa, tentando visualizar a cena pitoresca enquanto Brian e Gillian tinham um acesso de riso.
— Eu não posso perder essas.— sentenciou Brian.
— Nem eu.— decidiu Jean, concordando com Brian.
— Esse cientista maluco que vocês viram, por acaso trazia uma caixa de papelão quase do tamanho dele?— perguntou Jonathan, o único que não achara a cena engraçada.
— Trazia.— respondeu Jean. Renato, Nikolas, Dario e Matthew confirmaram.— Por que?— era o francês de novo.
— Vocês acabaram de cruzar com Boris Poisonovski.— contou Jonathan.
— Ele mesmo? O Boris?— perguntou Renato.— Ele deve estar no escritório do Li Zhou agora. Vamos lá?— convidou o brasileiro.
— Vamos, claro, mas, pessoal, cuidado. Não podemos deixar transparecer nosso real objetivo aqui.— disse Brian.
— Nós sabemos disso Zacky.— cortou Jean.
— Ô Scott, você já viu a figura antes?— perguntou Dario a Jonathan.
— Já, Stephano. Da primeira vez que estive aqui. Querendo que fosse a última, diga-se de passagem. Mas...
— Todd, e você?— era Dario de novo.
— Só em algumas fotografias. Pessoalmente ainda não tinha tido esse “prazer”.— respondeu debochando Matthew.
Os agentes caminharam pela pedreira até o escritório de Li Zhou. Já pareciam indiferentes às crianças que lá trabalhavam. Meiying, ao vê-los, cumprimentou-os:”

 

Naquela noite, munidos de um gravador, uma garrafa de vodka e de 150 mililitros de um xarope anti-histamínico, Gillian/Kelsey e Nikolas/Michael se viam na mais pitoresca situação de suas vidas. Ambos estavam utilizando trajes mínimos (uma lingerie vinho para Gillian e uma cueca azul-marinho para Nikolas) embebedando, ou melhor, dopando Li Zhou e Meiying Guo com vodka misturada com remédio para a rinite alérgica de Santeri.
— Li.— disse Gillian ao entregar mais uma dose para sua “presa”.— Como você começou a pedreira?
— Sempre quis ter um negócio próprio. Conheci a Meiying e começamos a montar isso aqui.— os efeitos da mistura já apareciam no chinês.
— E quando os outros entraram?— perguntou Gillian ciente de que seu gravador estava funcionando desde o início da conversa, gravando inclusiva a hora em que convenceu Li Zhou que o gosto adocicado da bebida era por uma mistura de suco de frutas, algo que lera em uma revista.
— Que outros?
— Esses que vieram aqui esses dias...
— Ah, sim! Eles são conhecidos de Iajuddin, amigo meu do Minamar, em razão de outros negócios. Depois de um tempo nos tornamos sócios.
— Certo.— disse Gillian dando mais uma dose da mistura para Li Zhou.
Bêbado, o chinês pôs uma das suas mãos na coxa de Gillian.
— Sabia que você é linda, Kelsey?
— Já me falaram.— disse Gillian, sem graça.— E as crianças, Li?
— Foi ideia do Iajuddin também. Ele conhece gente que precisa de dinheiro, quem, afinal não precisa dele? E que a única coisa que tinham eram os filhos. E por aqui se acha muita criança abandonada. Resolvemos dar uma utilidade para elas.— disse Li Zhou bêbado, com a voz arrastada e sem ter ideia de que acabara de confessar algo inconfessável a uma estranha.
— Mas por que vocês as matam?— soltou Gillian suando frio.
— Aff... Esse povo daqui se reproduz como coelhos. Tem inúmeros filhos e estão sempre querendo se livrar deles. E o Boris, este que esteve aqui hoje é amigo do Max, criou aquele pó e pediu que eu o testasse. Foi um sucesso tot...— disse Li Zhou até finalmente dormir por conta do álcool. Gillian esperou alguns minutos, e, ao ter certeza de que Li Zhou não acordaria tão cedo, desligou o gravador e guardou-o na bolsa. Jogou o resto da vodka e do xarope no vaso sanitário, vestiu-se, pôs a garrafa, o frasco e os copos numa sacola, virou-se e saiu, largando o chinês embriagado para trás.”

 

Enquanto Gillian embebedava Li Zhou, Nikolas fazia o mesmo com Meiying Guo só que a situação ficava ainda bem mais inusitada, pois ainda sóbria, Meiying começou a investir pra cima de Nikolas, que a repelia com mais vodka com xarope. Meiying pensava que Mike, como chamava Nikolas, por conta de seu nome falso, realmente queria algo com ela.
Tal como sua namorada de verdade, Gillian, Nikolas fez uma série de perguntas sobre a pedreira e as crianças para Meiying. Ouviu respostas muito similares às ouvidas por Gillian, entre elas, que foi ideia de Iajuddin Wajedd usar crianças compradas de suas paupérrimas famílias para trabalhar lá.
Mas, logo, os efeitos mais bizarros do álcool começaram a se manifestar em Meiying: extremamente alcoolizada/dopada, a chinesa tentou tirar a cueca de Nikolas, mas antes de conseguir algo visível, desabou na cama no meio do serviço enquanto o alemão recuava. Caiu em uma posição constrangedora e incômoda. Estava de joelhos com o rosto no colchão, tal como um muçulmano rezando, só que estava nua. E nem conseguira deslocar a cueca de Nikolas mais que três centímetros.
— Meiying?— perguntou Nikolas sem ter resposta. Concluiu que a mistura de Santeri havia funcionado. Arrumou o local, vestiu-se, pegou o gravador e pôs no bolso, jogou o que sobrara da bebida e do xarope fora juntou as garrafas na sacola e saiu. Foi para o prédio em que estavam, lá encontrando seus colegas de malas prontas. Arrumou suas coisas e as de Gillian e aguardaram a volta a americana na entrada do prédio, o que aconteceu vinte minutos depois.
Assim que a americana chegou, partiram para o lugar onde Brian deixara o carro, coisa que ele checara à tarde naquele dia.

 

— Ela tentou te pagar um, Nikolas?— perguntou Jonathan rindo incontrolavelmente.
— Tentou, Johnny, exatamente. Foi tentar tirar minha cueca, mas apagou no meio do caminho e caiu de cara na cama. Pena que eu não tive presença de espírito para fotografá-la naquela posição de...— era Nikolas respondendo à pergunta de Jonathan e empacando ao final, sem ter palavras para descrever a situação de Meiying.”

 

Em Lyon, Sofia estava angustiada com a falta de notícias de Santeri. Imaginava sempre o pior, que Li Zhou havia assassinado seu marido. E passara a maior parte do tempo ao lado de Alex, ainda inconsciente. Thierry nada conseguira nas análises. Dario trazia a solução na mochila.
Estava insone, na madrugada do dia dezesseis de novembro, à uma hora e meia da manhã, quando ouviu o telefone tocar. Atendeu-o com o coração disparado:
— Alô?— perguntou com voz trêmula.
— Sofia? Tudo bem aí, querida?
— San! Graças a Deus você me ligou! Tudo bem aqui sim. E com você?
— Estou bem também, querida. E estou voltando hoje pra casa. Saio daqui às três da tarde, hora local, sete horas da manhã aí. Às três da tarde daí devo estar chegando. E nossos filhos?
— Graças a Deus você volta. Os dois estão bem.
— Alguma novidade do Alex?
— Ainda não, querido. Aparentemente não descobriram nada.
— Eu encontrei o criador do pó, mas não consegui que ele me dissesse nada.— contou Santeri aborrecido.
— Paciência...— disse Sofia.
— Verdade. So, tenho que desligar. A gente se encontra em dez horas. Não se esqueça de dar um beijo no Alex por mim. Assim que chegar aí vou direto pro hospital vê-lo.
— Claro, San. Tchau. Te amo.
Depois do telefonema, Sofia, relaxada, finalmente dormiu. E sentiu que o bebê também parecia mais calmo ao ouvi-la falando com seu pai. E lembrou-se de ir ao hospital logo que se levantasse. Alex tinha de saber que seu pai estava voltando da China.
— Está com saudade do papai, filho?— perguntou para o bebê.
Em Hong Kong, depois de falar com sua mulher, Santeri dirigiu-se ao balcão da companhia aérea com Brian para comprar as passagens de volta da turma toda para Lyon. No voo das quinze horas. Só conseguiram falar com Wang e Carlson meia hora antes do embarque.”

 

— Certo. Obrigado. Até amanhã então.— agradeceu Jean, que se reuniu com Nikolas, Gillian, Brian, Jonathan, Dario, Renato e Matthew em seu apartamento para escrever o relatório, numa noite regada a pizza e cerveja. Haviam combinado no avião e Santeri pediu pra ser dispensado. Queria ficar com Sofia e Alex. O que foi rapidamente concedido.
— Depois dessa viagem, nunca mais tomo vodka na minha vida.— brincou Renato tomando um gole de cerveja.
— Nem eu. Que mistura explosiva o Santeri criou.— disse Jonathan.
— Verdade. Também, o cara é doutor em bioquímica. Mais precisamente em toxicologia.— disse Nikolas elogiando o finlandês.
— Gente, queria estar lá na pedreira agora, só pra ver como o Li Zhou e a Meiying Guo estão...— confessou Gillian.
— De ressaca. Nem precisei estar lá pra adivinhar.— disse Matthew, nem um pouco afim de voltar ao Triângulo Dourado.
— Com certeza. Ressaca. Só física ou será que moral também? Encher a cara não é algo socialmente aceito lá. E... Será que deu amnésia alcoólica neles?— perguntou Brian rindo de Matthew.
— Espero que sim.— disse Nikolas passando a se preocupar com as próximas ações dos chineses.
— Brian, tomara que eles tenham deletado os últimos cinco dias do disco rígido.— disse Renato em tom de brincadeira.
— É, tomara.— disse Brian apreensivo.
— Santeri poderá lhe responder. Nessas horas temos que agradecer a Deus que temos um amigo toxicologista.— disse Dario mastigando um pedaço de Pizza quatro queijos.
— Verdade.— disse Brian.
Os agentes ficaram até as onze horas da noite discutindo e comendo. Brian e Nikolas foram para suas casas, o segundo com Gillian, com boa parte do trabalho pronto. O alemão era o “reserva” de Santeri e provavelmente assumiria a frente do grupo quando o finlandês viajasse para seu país para o nascimento de seu segundo filho.”

 

Na pedreira de Li Zhou, enquanto os agentes deixavam definitivamente o território Chinês...
Iajuddin Wajedd chegou ao local sem trazer crianças em seu ônibus enferrujado. Li Zhou teria que, antes, dar cabo das que estavam lá. E o avisaria. Ele queria era mostrar dessa vez os potenciais vendedores de aproximadamente 70 crianças. Cada uma lhes sairia por quinze dólares. Devendo Li Zhou já lhe dar dois mil dólares para pagar pelas crianças, as despesas da viagem e sua comissão. No entanto, em vez de encontrar a costumeira agitação de uma tarde, A pedreira estava deserta. As crianças ainda estavam trancadas no galpão onde dormiam.
— O que aconteceu aqui?— perguntou-se o birmanês.— Li! Meiying!— gritou sabendo que, pelo contexto, não teria respostas.
Decidiu, então, ir ao prédio nos fundos da pedreira, onde Li e Meiying moravam. Eram dois pequenos apartamentos, cujo estilo e sua boa condição de conservação destoavam do resto, praticamente caindo aos pedaços. Lá dentro, encontrou o casal administrador da pedreira em péssimas condições: ambos nus, passando mal, com uma violenta dor de cabeça e sem ter ideia de como ficaram naquele estado. Sequer se lembravam do grupo de estrangeiros que estava por lá.”

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Escrito por Mírian B. Rosa às 17h12
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GEOMETRIA BROMPTON - Trechos do Capítulo VIII Parte 1

Consegui e bati meu recorde! Este capítulo tem 28 páginas! Aqui vai a primeira seleção de trechos dele. Divritam-se foto junto com o último post de trechos!

— Um minuto!— começou Jacobson.— A criança que trouxemos da China e tentamos, por um longo período devolver à Rússia, o que foi recusado sem explicações convincentes, é FILHA de um figurão do alto escalão do governo de lá?— perguntou, confuso, o presidente da Interpol.
— Sim, Jacobson, um filho que o figurão em questão não quis reconhecer até umas semanas atrás.— disse Brian. Santeri se segurava para não corrigir Jacobson e Brian com um enfático “ele é MEU FILHO!”, mas lançou um olhar de reprovação ao chefe que, para sua sorte, não percebeu.
— Isso deve ter alguma motivação que vá além de um simples arrependimento.— deduziu Harrell.”

 

— Pode ser que ele e essa pessoa estejam em uma caçada desses dados. Quem achar a criança primeiro, leva a melhor.— disse Dario.
— Se descobrir que Alex estava na pedreira que utiliza trabalho infantil escravo pra ter mais lucro e que pra piorar, mata as crianças por razões ainda não esclarecidas, se for pra aumentar ainda mais os lucros e essa informação cair na mão de alguém ligado a imprensa russa: “Igor Azarov põe o próprio filho em um esquema de tráfico de crianças para trabalho escravo”. “E as crianças são assassinadas numa pedreira da China um mês depois”.— Matthew brincava de jornalista.
— Manchete macabra, não Matt?— perguntou Jonathan.
— Possivelmente. Imagine a repercussão que isso terá no Kremlin.— era Matthew de novo.”

 

— Um minuto.— disse Matthew mexendo nos papéis.— Minha nossa! Ele pega a heroína produzida por Iajuddin e a distribui na região de Moscou! Igor mexe os pauzinhos para que ninguém incrimine Maxim. Sempre acha um bode expiatório pra ficar com a culpa e com a vaga na cadeia.
— Caramba! Quanto mais eu rezo, mais assombração aparece!— comentou Renato. Carlson riu.
— Nesse ritmo, teremos de chamar um exorcista em breve.— disse o chefe americano.
— Tenho de concordar com você, Carlson.— disse Wang rindo.— Em breve surgirão fatos de que Li Zhou e Meiying fazem sacrifícios humanos com aquelas crianças. Que estão possuídos e por aí afora...
— Credo, Wang, que é isso? Acho que nem Stephen King pensaria numa história de terror dessas.— disse Brian assustado.
— É o meu lado trash.— gracejou Wang. Brian resistiu à ideia de comparar seu chefe, outrora austero, a Carlson, que sempre tivera fama de engraçadinho nos bastidores da Interpol. Apenas riu junto com os demais da brincadeira.”

“Há algumas quadras de distância da Interpol, no laboratório de toxicologia da polícia de Lyon, Thierry Lefebvre continuava, persistentemente, a tentar descobrir o que havia naquele pó estranho. Somente descobrira que tinha carvão em pó no meio. Entretanto, a ingestão de carvão não provocava todos aqueles sintomas descritos minuciosamente por Brian, muito menos explicava por que uma criança estava há mais de três meses inconsciente.
— Minha nossa! Nunca vi algo tão difícil em toda a minha vida. Tudo o que eu testei até agora deu negativo. Eu não estou aguentando mais, essa merda está me estressando!— reclamou Thierry dando um soco na bancada. Então, Santeri, que havia saído da Interpol assim que se encerrou a discussão sobre a paternidade de seu filho, entrou na sala.
— Ê Thierry, que é isso?— perguntou o finlandês, referindo-se ao soco que o francês dera na bancada.
— Ah, oi, Santeri. Estou chateado com esse caso, que não vai a lugar nenhum. Só descobri que tem carvão no meio desse pó. Mas carvão não faz nada do que você me descreveu.”

 

— Eu sei, cara, mas me incomoda analisar esse pó sem descobrir nada. E a demora da análise pode prejudicar seu filho. Esse pó ainda pode estar fazendo algum estrago no corpo dele e, enquanto não sairmos da estaca zero, meu irmão não pode fazer nada por ele. E Alex não é um ratinho de laboratório para testarem “n” medicações nele. Se fizerem esses testes, o tiro pode até sair pela culatra.
— Tem razão, Thierry. Não aguento mais ver meu filho naquele estado. Nunca me senti tão triste na minha vida quando como o vi pela primeira vez. Um garotinho daquela idade não merece sofrer tanto.— disse Santeri recordando-se do dia em que ele e Sofia conheceram Alex. Um lindo menino, porém extremamente doente e cheio de manchas arroxeadas e esverdeadas pelo corpo.”

 

No laboratório, Santeri ainda conversava sobre Alex com Thierry:
— Ele, Sofia, nosso outro filho, meus pais e meus dois irmãos são tudo o que tenho na minha vida. Acho que enlouqueceria se perdesse qualquer um deles.— disse o finlandês.
— Compreendo.— disse Thierry.
— Ah, Thierry, vou te deixar sozinho nessa análise aí por alguns dias. Vou viajar com a equipe pro Triângulo Dourado. Espero ficar lá por no máximo uma semana. Vamos coletar dados sobre o envenenamento.
— Sei. Você vai pra lá, cara? Boa sorte. Eu não iria nem se me pagassem.— declarou Thierry.
— Como turista eu também jamais iria pra lá, mas é esse o meu trabalho...— disse Santeri.
— Verdade.
Depois dessa conversa, Santeri saiu do laboratório e voltou à Interpol. Lá, soube que a equipe partiria para a China em setenta e duas horas. Decidiu passar a maior parte possível desse tempo no hospital, com Alex e Sofia.”

 

No avião, os agentes estavam apreensivos, tensos. A região, para a qual iam, era extremamente perigosa. Nos cochilos que conseguiram tirar durante a viagem, sonhavam que eram torturados e mortos por Li Zhou, Meiying Guo e Iajuddin Wajedd e tinham seus corpos jogados na vala. Horas de voo depois, os agentes desembarcaram em Hong Kong, onde passaram uma hora à espera da conexão que os levaria a Kunming onde ficava o aeroporto mais próximo da pedreira. Lá chegando, Brian espantou-se ao ver o carro que utilizara em julho ainda parado no estacionamento. Comentava a coincidência com Jonathan quando dois homens se aproximaram dele.
— Esse carro é seu?— perguntou o sujeito identificando-se. Era o administrador/gerente/diretor do aeroporto.
— Eu peguei emprestado. Por quê?— respondeu e perguntou Brian.
— Esse carro está aqui desde julho, foi abandonado, com as chaves no contato e tudo. Ninguém o reivindicou desde então.
— Sério? Quanto devo?
— Cinco mil Iuans.
— Quanto dá isso em dólares?— perguntou Brian enquanto todos os agentes fuçavam em suas carteiras para pagar a dívida.
O gerente tirou uma calculadora do bolso e fez as contas para o agente.
— Você me deve, em dólares, a quantia de setecentos e setenta dólares.
Cada agente deu a Brian a quantia de noventa dólares. Brian juntou o valor da multa e devolveu o resto aos colegas. Entregou os setecentos e setenta ao gerente que pegou o dinheiro, entregou as chaves a Brian e deu as costas ao grupo, perguntando apenas o nome de Brian que, obviamente respondeu usando o nome falso:
— Meu nome é Zachary Kirk Roberts.
— Certo, senhor Roberts, aproveite sua estadia em Kunming.— disse afastando-se do local com o seu funcionário nos calcanhares.
Depois que o gerente se retirou, os agentes ficaram perplexos.
— O cara não pediu os documentos do carro nem nada... Se estivéssemos na Europa...— estranhou Renato.”

 

“No segundo dia, viram dois homens entrando na pedreira e Meiying os recepcionando amigavelmente. Matthew, ao lado de Santeri, também próximos a entrada da Pedreira, deu uma cotovelada no finlandês e disse:
— Ali, cara, o mais alto é o suposto pai biológico de seu filho.
— Igor Azarov?
— Exato.
— Quem é o outro?
— Maxim Carpov.
— Ei, Todd, sabe quem são aqueles dois?— perguntou Brian surgindo do nada atrás deles.
— Quer me matar de susto, Zacky?— zangou-se Matthew/Todd.— São Igor e Maxim. Igor é o altão.
— Ok, muito obrigado.— disse Brian fotografando a dupla como um paparazzo ao flagrar uma celebridade em situação escandalosa.
— Relatório pro Wang?— perguntou Matthew.
— Sabidamente.— respondeu Brian achando que já tinha fotos suficientes dos salafrários russos.”

 

Sozinho, Dario Fraschetti, ou melhor, Stephano Lucchesi, bisbilhotava uma sala extremamente desorganizada. Era lá que Li Zhou e Meiying guardavam, aparentemente, documentos e contratos velhos da pedreira. No meio da papelada, Dario/Stephano viu um envelope pequeno já amarelado com o nome BORIS POISONOVSKI escrito em letras garrafais em um dos lados. Sabendo que é esse o nome do criador do pó, pega o envelope, o abre e retira o papel que estava lá dentro. Quase cai de costas. Lá estava a fórmula do pó, com todos os componentes e suas concentrações. Tira várias fotos do envelope e do papel. “Santeri vai adorar ver isso” pensa. Em seguida, põe o papel no bolso traseiro de sua calça. Sai da sala. Por pouco não vê Igor e Maxim entrando na sala onde se situava o escritório de Li Zhou. Vai até o local onde dormiam e esconde sua descoberta junto com sua insígnia. Volta à entrada da pedreira e vê Santeri conversando com Brian, Matthew, Jonathan e Nikolas. Preocupa-se com a ausência de Gillian, Renato e Jean. Esquecera-se do envelope quando finalmente se aproximou de seus colegas:

 

Na sala de Li Zhou, Jean/Antoine olhava para um mapa da região fixado na parede quando Igor, Maxim e Meiying entraram na sala. Ao vê-los, Li pergunta imediatamente:
— Onde está Boris?
— Não pode vir. Falta um componente do pó. Ele trará o pó pronto dentro de dois dias.— explicou Maxim.
— Tudo bem. Iajuddin ainda não trouxe as próximas ofertas mesmo... Posso esperar.
— Então... Quando ele vem?— perguntou Igor.
— Acho que em três dias. Ele estava na Índia ontem, parece. Procurando pela mercadoria.
Mesmo com Li usando metáfora. Jean compreendeu que a mercadoria de que eles tratavam eram as crianças usadas na pedreira. Tratou de fingir que não sabia de nada.
— Certo... Dá pra esperar, então.
— Sim, mas eu queria poder trocar mais depressa. Esses aí não estão fazendo o serviço direito. Uma semana atrás peguei uma das crianças comendo lama. Literalmente. Choveu um pouco.
— E... O que você fez com ele?— perguntou Igor, ligeiramente preocupado com a criança. Jean tencionou-se esperando a resposta.
— Dei uma surra no menino. Ele desmaiou e eu o joguei na vala. Nem sem se ele estava vivo ou morto.
— Li, se você alimentasse essas crianças regularmente... Mas para lucrar cinco por cento a mais você resolveu promover essa matança. E quanto ele comeu, no máximo dez centavos.— era Igor.
— Não me interessa.— desconversou Li nada envergonhado do que fizera.
— Seu miserável!— disse Igor levantando-se.— O que você fez com meu filho?
— Eu não fiz nada disso com ele! Nem me lembro dele aqui. Aliás que fixação é essa em encontrar esse peste?
— Tem gente lá em Moscou sabendo da história. Preciso sumir com essa criança antes que o encontrem! Se não...
— Igor, relaxa! O corpo dele está naquela vala! Acha que seus rivais políticos virão até aqui e que terão coragem de revirar a vala atrás do corpo de uma única criança?”

 

No horário do almoço, os agentes ajustaram mais alguns detalhes do plano.
— Vai ser amanhã à noite, correto?— conferiu Gillian.
— Exatamente.— disse Jean.— Santeri, você conseguiu algo pra misturar com a bebida?
— Achei, aqui. É um anti-histamínico. Meio frasco desse xarope deve fazê-los “capotar” antes da metade da garrafa da bebida.— respondeu Santeri.— Vão misturando aos poucos na vodka.
— Anti o quê?— perguntou Nikolas.
— Anti-alérgico. Eu tomo isso de vez em quando.— contou o finlandês.
— Perfeito. Mas funciona mesmo?— perguntou Dario, cético.
— Claro. Está até escrito na bula, ele interage com o álcool potencializando seus efeitos.
— Tomara que você esteja certo. Não quero ficar por muito tempo na companhia deles.— disse Gillian.
— Nem eu.— emendou Nikolas.”

>>>>>CONTINUA NO PRÓXIMO POST<<<<<



Escrito por Mírian B. Rosa às 17h08
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GEOMETRIA BROMPTON - Trechos do Capítulo VII

Segue hoje, trachos do capítulo 7. Quem não adivinhou o que Igor contou a Li Zhou o capítulo anterior, fica sabendo agora o que foi dito. Até junho com trechos do capítulo 8. MUITA COISA vai acontecer nesse próximo capítulo: os agentes voltam a China e põe o malucoi plano de Jean em prática! Também se descobrirá por que Igor está atrás de seu "filho", Alexander/Aleksanteri.

Deixo uma foto do outro tio do Alex, o divertido Heikki Korhonen, que será vivido pelo MA-RA-VI-LHO-SO Bradley Cooper!


 

“Dia 25 de outubro: Brian ligou seu computador logo cedo, quando chegou à sede da Interpol. Logo depois, abriu seus e-mails, dois deles apenas lhe pareceram interessantes de imediato. Foram enviados pelo delegado de polícia que investigava o massacre na cidade russa. Um deles era de detalhes a cerca da estranha e misteriosa invasão:
— Ei, Johnny, olhe aqui. Descobriram quem invadiu e dizimou aquela cidade da Rússia. Um grupo de mongóis e chineses liderados por um tal de Iajuddin Wajedd.— comentou Brian ao ver seu colega no local.
— “Um tal de Iajuddin Wajedd”, Brian? Esse cara é o traficante de heroína que a equipe do Carlson está investigando. E, também é o responsável por levar crianças para a pedreira.
— Ih, é verdade. Bem, resolvida parte do problema. Tem outro e-mail aqui, preciso ler...— disse Brian envergonhado da sua falta de memória. Abriu o segundo arquivo e enquanto o lia, Jonathan saiu da sala tomando rumo ignorado pelo colega que, tão absorto na leitura, nem o viu saindo do local. Depois de ler o segundo arquivo...— PUTA QUE O PARIU!”

“— Com dois agentes da CIA?
— Convidados...— disse Wang.
— Wang, o senhor está ficando engraçadinho igual ao Carlson.— comentou Brian rindo.
— Vou tomar isto como um elogio, Sanders. Agora, voltando à vaca fria, o que o fez gritar aquela... Expressão?
— Recebi dois e-mails do delegado russo que está investigando o massacre lá naquela cidade. Um deles conta que foi um grupo liderado por Iajuddin Wajedd quem invadiu a cidade agora o outro tem informações bombásticas! Não vou estragar a surpresa, leia o senhor mesmo o texto.— disse Brian cedendo o computador para o chefe. Wang, que fazia leitura dinâmica, leu-o em velocidade recorde. Quando terminou, estava tão impressionado com o conteúdo quanto seu subordinado. Entretanto, diferentemente do mesmo, não soltou nenhum palavrão ao terminar a leitura.
— Meu Deus! Que história!
— Pois é... Eu bem que te avisei!
— Verdade. Quando isso vir à tona...
— O circo vai pegar fogo, desculpe-me pelo clichê.
— Desculpado.”

“— CARALHO! Que bomba!— gritou Jonathan perplexo.
— Ok, seu Stephen King de meia-tigela, dá pra acabar com esse suspense logo?— brincou Nikolas.— Que raios tem nesse segundo arquivo aí?
— Ok, Nik, vou contar. Segurem-se. É um relatório sobre o caso do abandono de Alex no hospital, depoimento da sua mãe biológica na ocasião...
— E o que tem demais nisso?— cortou Santeri.
— Eu ainda não terminei! Ela abandonou o garoto no hospital por se sentir ameaçada de morte pelo pai da criança e por um amigo dele... Ambos diziam que iriam matá-la e a criança se ela não desse um fim no bebê... Após depor, ela desapareceu, sendo encontrada morta uma semana depois com duas balas cravadas na cabeça... Alex tinha só doze dias de vida quando a mãe morreu.
— E daí?— disse Santeri não vendo nada demais naquilo, mas usa postura mudou com uma olhadela de Brian. Sofia apertou a mão do marido.— O pai dele é algum figurão importante?— perguntou, assustado.
Brian, Jonathan e Wang manearam afirmativamente a cabeça.
— O filho de vocês, Santeri e Sofia, tem como suposto pai biológico um funcionário do alto escalão do governo russo.— disse Brian.”

“— O pai biológico do meu filho é Igor Azarov.— disse Santeri atordoado, tentando assimilar a notícia.”

“— Pelo teor da história, Igor não queria esse filho. Deve é ter agradecido a Li Zhou por ter “matado” o menino.— disse Jean.
— É aí que a história muda... Igor foi visto na cidade dizimada, mais precisamente onde ficava o orfanato onde Alex vivia atrás do corpo dele. Acredito que ele sabia da invasão há muito tempo, mas achou que o garoto era novo demais para que Li Zhou e Iajuddin achassem que ele teria condições de trabalhar... E, enquanto estive lá na pedreira, o garoto não conseguia fazer nada, não tinha força física, lógico. Só que o Li Zhou e a Meiying não faziam nada contra ele.— disse Brian.
— Será que eles já sabiam quem era o garoto?— especulou Jonathan.— Como assim?— perguntou Dario.— Que ele era filho do Igor, do sócio deles. Por isso não agrediram o garoto quando ele não dava conta do serviço.— explicou Jonathan.— É... No dia do envenenamento, quando ele jogou a tigela cheia de comida no chão, Meiying só pegou a tigela e passou a mão na cabeça dele. Se fosse outra criança, acho que ela o forçaria a comer mais um pouco.— lembrou-se Gillian.— Ou então, por ele ser muito pequeno, achou que o pouco que ele comera ,seria suficiente para matá-lo.— era Jean.— Pode ser também. E Igor estava atrás dos dados de uma criança de aproximadamente dois anos. Não disse que é filho dele, mas dá a entender que é atrás de Alex que ele estava. Ele era a única criança daquela idade do abrigo. Aliás, ele era o caçula de lá. Não havia nenhum bebê mais novo que ele no local. Cidade pequena.— contou Brian.— Se ele estiver arrependido de ter abandonado a criança... Alto lá! Por que, então, o Governo russo está oferecendo tanta resistência para aceitar a criança de volta? É o filho dele, ele podia aceitar e depois ficava com o menino.— disse Dario.— Alex é MEU filho, Dario.— vociferou Santeri.— Ok, me desculpe. Mas volto a afirmar: Igor está atrás dele, pode não ter se atinado de que o menino que está aqui na França é o da pedreira. Quando ele descobrir, ele vem buscar o filho. Bom, isso SE ele descobrir.— disse Dario.”

“— Um minuto, me deixe ver aqui... Ah, ela era secretária de um advogado de Moscou. Não se sabe como ela conheceu Igor e os dois passaram a namorar. Tudo parecia bem até que ela engravidou. Igor, no início, não quis saber do filho, e, logicamente pediu que ela abortasse a criança. Diante da recusa, começou a ameaçá-la de morte. Ela largou o emprego e tudo mais que tinha em Moscou e foi parar naquela cidadezinha. Lá, uma mulher jovem, solteira e grávida só podia ser uma coisa: garota de programa. Não se sabe como, Maxim a localizou lá e ele e Igor voltaram a ameaçá-la. Isso uns sete meses depois. Queriam que ela abandonasse a criança recém-nascida, preferencialmente em um lugar em que demorasse tempo o suficiente para que ela morresse antes de ser encontrada. Ela abandonou a criança, mas dentro da clínica onde o menino nasceu. Para que ela não entregasse que era ele o pai, eles a mataram. Só que ela já tinha deposto pelo abandono do bebê para o delegado responsável pelo inquérito. Aí a assassinaram. Ainda não se sabe quem foi o autor dos dois disparos que a mataram. E, como ela tinha fama de garota de programa, o menino, que foi pra fila de adoção assim que souberam da morte da mãe; nunca foi adotado na Rússia. Acredita-se que por conta dessa fama da mãe.— disse Brian.— Mais alguma pergunta, galera?”

“Dois dias depois, Matthew trazia uma notícia-bomba na pasta:
            — Pessoal, vocês não vão acreditar: Igor Azarov foi visto na pedreira. Estava atrás do corpo de um menino de dois anos que acredita ser seu filho.— contou o agente da CIA.
            — Ele acredita que seu filho, com todo o respeito, Santeri, está morto?— perguntou Nikolas, ciente que era a Alex que Matthew referia-se.
            — Aparentemente sim, Nik. Pelo jeito, ele sabe que o menino foi pra lá e está deu um jeito de convencer o governo russo de fazer vista grossa para a dizimação. Arrependeu-se e agora está buscando o corpo da criança. Eu acredito que também foi por isso que o governo russo recusou o acordo com a França para receber Alex de volta. Ele estava se protegendo. Se vazar no alto escalão do governo russo que ele tem um filho bastardo, a corda pode apertar no pescoço dele.— disse Matthew.
— Mas, Matt, o Igor é casado?— perguntou Renato.
— Não. Solteiro.— Matthew estranhou o teor a pergunta do brasileiro.
— Então, por que ele deu esse “chega pra lá” na mãe do Alex? Se ele tivesse pulando a cerca, eu até entenderia, mas sói pra manter a boa vida de solteirão?— argumentou o brasileiro. Os colegas deste reagiram àquelas palavras como se um choque elétrico tivesse percorrido seus corpos.
— RENATO!— gritou Gillian.— Como nós nos esquecemos desse detalhe? De quem Igor queria esconder sua relação com Natasha?
— Bem lembrado. Acho que ser solteiro não é pré-requisito para ocupar o cargo que Igor ocupa.— disse Jonathan.
— Essa história dele está cada vez mais esquisita. Aparentemente ele estava tentando encobrir um erro dele. Agora se arrependeu e quer ao menos enterrar a criança. Só que não sabe que ele está aqui.— disse Dario.
— E nem é mais filho dele.— rebateu Santeri.
— O que será que Igor fará quando descobrir que o menino ainda está vivo?— refletia Brian.— Será que ele vai tentar pegar o garoto de volta?”

“— Bom, Baker, a CIA te mandou algo mais além dessa notícia?— disse Carlson querendo encerrar o assunto “Alex” na sala. Nada contra o filho de seus agentes. Em sua opinião, mesmo sendo o pai biológico do menino, Igor não teria mais qualquer direito sobre a criança. A sentença de adoção já fora prolatada e agora, Alex já tinha inclusive um novo nome: Aleksanteri Rossini Korhonen. E era oficialmente filho de Santeri Korhonen e Sofia Rossini Korhonen. Nada mais restava a Rússia fazer que não apenas aceitar a adoção.”

“Lá em Moscou, Igor vai até a casa de Maxim. Não para assustá-lo com notícias sobre a pedreira, e sim para desabafar sobre o caso de seu filho.
— Ah, Max, honestamente, estou fortemente arrependido de ter feito o que fiz com a Nat. Agora perdi meu filho...— disse Igor. Ele e Maxim bebiam vodka na sala da casa do segundo, enquanto rolava um CD de Blues ao fundo.
— E aquele menino lá da França, Igor? Já lhe passou pela cabeça que ele pode ser seu filho?— Maxim punha pilha na história.
— Talvez.— divagou Igor.— Ah, não é.— completou após alguns minutos em silêncio.— Como meu filho iria parar na França?
— Você me disse que a Interpol está investigando a pedreira sobre trabalho infantil. O garoto não está em Lyon?
— Li Zhou e Meiying disseram não ter visto nenhum agente da Interpol lá. Nenhuma criança sumiu... Eu já desisti, Max, meu filho está morto.— sentenciou Igor.
— Bom, você decide. O filho é seu mesmo...— encerrou Maxim, já bêbado, dando de ombros ao problema de Igor.
Igor foi embora para sua casa, chateado. Para manter uma inexistente fachada de “homem sério” dera um fim em sua “namorada”, Natasha, quanto ela engravidou. Ele, solteiro, poderia ter muito bem se casado com ela. Mas preferiu esquecer que houvera qualquer relacionamento e forçou-a a abortar. Recusando a ideia, a moça mudou-se para a minúscula cidadezinha no sul da Rússia, próxima à fronteira com a China e Mongólia. Igor e Maxim passaram meses procurando-a quando a localizaram na cidade em questão apenas duas semanas antes do parto. Se quando ela ainda estava em Moscou, lhe foi sugerido um aborto, agora era para que ela tivesse o bebê e o matasse após o parto, jogando o corpo em um lugar ermo. Algo que ela também não fez. Teve o menino na clínica da cidade e o deixou lá. Logo, foi localizada por agentes de polícia e foi levada a delegacia, encontrando-se com o delegado que colaborava com a Interpol. Lá, tranquilizada pela autoridade, declarou a paternidade de seu filho (Igor Azarov) e todas as ameaças sofridas por ele e por Maxim. Foi liberada, mas não quis ficar com a criança. Logo a confissão dela chegou aos ouvidos de Maxim, que ficaria na cidade em questão até resolver o problema. Assim que soube da declaração, fez um telefonema. Quarenta e oito horas depois o corpo de Natasha foi encontrado na beira de uma estrada secundária, com dois tiros disparados por trás: Um pegou-a no pulmão e outro na nuca. Agonizara por quase cinco horas antes de morrer.
Já a criança, ficou na clínica, sendo batizado de Alexander por uma enfermeira e ganhando o sobrenome de Ivanovitch (um dos mais comuns na Rússia). Foi posta para adoção, mas a fama de sua mãe, ser garota de programa, boato este que Maxim ajudou a espalhar, fez com que ele fosse recusado por diversos casais aptos a adoção. Até que, um dia, Iajuddin invadiu a cidade e o levou para a pedreira...”

“Sofia virou-se para Santeri assim que Pierre fechou a porta.
— Vai acabar tudo bem. Alex sai desse hospital bem antes do nosso filho caçula nascer.— disse a Italiana.
— Espero que sim. Mas o que aconteceu lá na Interpol?
— Descobrimos que Maxim e Igor são traficantes de heroína ligados à Iajuddin Wajedd e que eles são sócios de Li Zhou e Meiying na pedreira. Matt contou ainda que Igor, desde que descobriu que seu filho foi escravizado na pedreira tenta sair do negócio e tem sido, por isso, ameaçado por Li Zhou.— contou Sofia.
— Caramba! Igor, então, tecnicamente soube desde o início que o ex-filho dele foi para a pedreira.
— Ex-filho. Gostei. Agora ele é nosso filho.
— E ele encobriu a morte do próprio filho. Agora, está arrependido e quer a criança de volta. Sem chance. E... Ele está sendo ameaçado por Li Zhou?
— Está. Se ele sair no empreendimento, Li Zhou o matará.
— Essa coisa está ficando complicada... Eu estou com medo de ir pra China, So.— Confessou Santeri.
— Mas vai mesmo assim?
— Tenho que ir. Sou o subchefe da equipe do Carlson. Estou no mesmo nível hierárquico que você, o Dario, o Renato, o Jean e o Nikolas, mas sou uma espécie de líder da equipe. Não posso deixar de ir.— disse Santeri chateado.— Alex, o papai vai viajar mas vai voltar logo. Prometo.— continuou o finlandês beijando o menino. Depois, repetiu a frase para a barriga de Sofia, temerosa pela vida do marido depois de pesquisar sobre os investigados. Pro fim, Santeri virou-se para sua mulher.— Prometo ficar por lá o mínimo de tempo possível. Te amo.— terminou beijando-a.”

 

Esse moleque tá bem servido de tios...

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 19h21
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GEOMETRIA BROMPTON - Trechos do Capítulo VI

Com um enorme atraso, posto aqui trecho do 6º capítulo do Geometria Brompton. Divirtam-se! Ah, quem descobrir que segredo Igor Contou a Li Zhou ganha uma bala!!! Segue outra foto do gostosíssimo Ryan Gosling, o irmão de Santeri e Heikkii, cunhado da Sofia, filho de Markos e Paula, tio do Alex, Kimi Korhonen.

Dia vinte e três de outubro. Matthew chega ao trabalho com uma pasta repleta de papéis. Nikolas, ao vê-lo comenta com seu típico sarcasmo:
— O que é isso, Matt, o “Dossiê Odessa”?— brincou ao chegar trazendo consigo Gillian, quem estava namorando.
— Tecnicamente...— disse o agente da CIA emprestado a Interpol rindo e com um jeito sem-graça. Desde que conhecera Gillian era apaixonado por ela, mas a política da CIA impedia que agentes se relacionassem, algo permitido na Interpol. Ele poderia ter se aproveitado, mas Nikolas fora mais esperto. Aliás, Gillian se apaixonara instantaneamente pelo alemão, que só fora no embalo.”

“Harrell deu uma risada e abanou a cabeça:
— Carlson e suas piadinhas...— disse em tom debochado.— Agente Baker, o que são esses papéis?
— Ah, são uns relatórios que a CIA me mandou ontem. Sobre a região do Triângulo Dourado.— disse Matthew fazendo pouco caso.
— Ora essa, vão analisá-los!— ordenou Harrell com um tom amigável na voz.”

“— O criador da fórmula é um cientista russo chamado Boris Poisonovski. Ele é amigo de Maxim, que o apresentou a Li Zhou, que, por sua vez, encomendou o pó de Boris.— continuou Matthew.
— Ok. Ótimo. Já temos os nomes, mas ainda há uma pergunta não respondida: POR QUE Li Zhou encomendou esse pó do Poisonovski e o dá às crianças?— perguntou Jonathan.
— Bem, isso a gente não conseguiu descobrir. Só o Li Zhou poderia responder a essa pergunta.— disse Matthew.
— Então vamos voltar lá pra conseguir isso.— decidiu Brian olhando para Wang.
— Precisamos de uma estratégia para conseguirmos essa informação de Li Zhou. Alguma sugestão?— perguntou Wang dando um aval tácito para a viagem.”

“— Ok, sendo assim...— começou Jean.— Nikolas, sinto muito, mas terei de usar sua namorada.— finalizou o francês, sem jeito.
— O que sua mente diabólica maquinou dessa vez, Sir Jean Laffite?— perguntou Nikolas sem sentir ciúmes ou receio. Talvez por que ainda não soubesse o plano que Jean elaborava.
— Calminha aí, Nik. Matt, qual é a relação entre Li Zhou e Meiying Guo?
— Aparentemente apenas profissional. Digo, a pedreira. Se existe algo além disso, não me foi passado ou nada se sabe mesmo. Posso mandar um e-mail pra CIA perguntando isso.
— Beleza. Faça isso, por favor. Tudo o que eu preciso pro meu plano é de uma mulher boazuda e de uma garrafa de vodka.— disse Jean olhando para Gillian.
— Você quer que eu sedua e embebede Li Zhou para que ele conte por que envenena as crianças?— perguntou Gillian ciente de que a mulher “boazuda” de que Jean necessitaria para seu plano seria ela. Já que Sofia não iria e, mesmo se fosse, a italiana estava grávida e jamais faria uma loucura dessas.
— Exatamente, Gil. Alguma coisa contra, Nik?— era Jean respondendo à pergunta de Gillian e buscando a aprovação do namorado da americana.”

“Jean, de fato, precisava ajustar uma série de fatores do plano. Entre eles, a possibilidade, ainda que remota, de Gillian ser reconhecida na pedreira por Li Zhou e Meiying. Foi pra casa sabendo que teria muito trabalho nesse aspecto. O plano teria que estar ajustado e sem brechas para escapatórias dos chineses, mas que ao mesmo tempo, tivesse saída para os agentes e que os colocasse sob o mínimo risco possivel. Tudo isso antes de Jacobson dar o aval para a viagem. Jantou pensando no plano e, depois, passou horas roteirizando o plano, com detalhes da execução. A base parecia simples. A bela Gillian seduziria Li Zhou a ponto de o chinês “baixr a guarda” e levá-la para o quarto. Lá, se a primeira parte do plano desse certo, ela deveria embebedá-lo (Jean anotou neste ponto perguntar a Santeri se havia alguma droga que potencializasse o efeito do álcool na função “soltar o bebum”) e induzi-lo a contar os motivos que o levavam a matar as crianças. Nessa hora, a americana deveria tirar um MP4 da bolsa e gravar a falação de Li Zhou. Feito, isso quando Li Zhou “capotasse” pelo excesso de álcool, Gillian deveria limpar o local tirando todo e qualque objeto que pudesse identificá-la e sairia de lá com o gravador. Então, os agentes partiriam imediatamente para o aeroporto mais próximo. Para Meiying Guo, a ideia seria a mesma, mas, se fosse necessário “interrogar” a chinesa, quem faria o serviço seria Nikolas ou Brian. Os agentes bonitões teriam o trabalho de seduzir a chinesa. Nikolas, sarcástico, até teria mais facilidade que o “travado” Brian. Jean estava tão envolvido no plano que chegou a sonhar com ele. Acordou com novas ideias. Rabiscou-as num pedaço de papel e foi pra Interpol.”

“Os demais agentes ouviam a conversa de Jean e Santeri calados. Onde o ex-delegado de polícia queria chegar com aquele papo? Jean queria dopar Li Zhou e Meiying para que os agentes conseguissem as respostas que queriam?
— Jean, você quer dopar o Li Zhou e a Meiying para que eles nos contem por que matam as crianças?— perguntou Matthew.
— É por uma boa causa. Aliás eles nem perceberão que estão sendo induzidos.— disse o francês.
— Ainda assim, estou achando essa sua ideia um tanto esquisita, Jean.— disse Matthew.
— Eu também.— disse Jonathan.”

“— Aquele sujeito que você viu lá na pedreira não é o tal Boris Venenovski, Johnny?— perguntou Nikolas. Todos o olharam com cara de interrogação.
— É Poisonovski, não Venenovski, Nik.— corrigiu Jonathan rindo.
— Ah, poison e veneno são a mesma coisa.— escapou Nikolas.
— Tecnicamente, mas não num nome. Aliás esse sobrenome é dos mais sugestivos que já vi na minha vida.— completou Brian.
— Verdade. Mas que ficou engraçado, ficou.— disse Jonathan ainda rindo da piada.
— Falando sério agora, foi ele quem levou o pó pra pedreira, e pelo jeito, não era a primeira vez. Correto?— era Nikolas, guardando sua personalidade brincalhona na gaveta. Noutra ocasião a tiraria. Mas agora, ela era desnecessária.
— Exatamente. Na ocasião em que presenciei o encontro, Boris disse a Li Zhou que o pó que levava era idêntico ao que levara na última vez. O que prova que essa “parceria” é das antigas... Aquela vala cheia de corpos de crianças deve servir de prova.
— Isso mesmo. Eu já estava me esquecendo de falar pra vocês que a CIA analisou aquela vala. Nela há aproximadamente quinhentos corpos, todos de crianças entre três e doze anos. A faixa etária dos trabalhadores da pedreira. O que nos faz supor que Li Zhou e Meiying Guo utilizam essa estratégia há pelo menos dois anos. Coincidentemente, esse é o tempo de existência da pedreira em questão.— disse Matthew.
— Caramba! Ainda não consigo entender essa história das crianças. Não é possível que eles consigam tantas crianças sem despertar suspeitas!— disse Nikolas.
— A taxa de natalidade lá no sudeste asiático é extremamente alta. Há um grande número de famílias cm seis, sete, oito, nove dez ou até mais filhos, principalmente nas áreas rurais. Há pouca fiscalização do poder público e polícia é “coisa de cidade grande”. Pode-se entrar tranquilamente num vilarejo rural, matar os pais das crianças “desejadas”, por assim dizer, que não fazem nada. Não há um inquérito, uma investigação para se apurar o fato. Algo que é comum também, é o pai matar a mãe por qualquer motivo fútil, e abandonar as crianças, dependendo da classe social deles eles ficam sem qualquer amparo da comunidade e do Estado. Isso sem contar que, na maioria desses países, órgãos de proteção a infância como conselho tutelar são inexistentes. E, quando existem, são ineficientes e corruptos, os traficantes de crianças conseguem ludibriar o já precário sistema judiciário desses países.— explicou pacientemente Brian.”

“Os agentes estavam absortos na leitura dos relatórios quando Harrell e Jacobson apareceram na sala.
— Bom dia, turma!— cumpromentou-os Jacobson, assustando os agentes que estavam concentrados na leitura.— Como vão as investigações.
— Mais ou menos. Estamos respondendo à maioria das perguntas, mas a principal dela ainda está sem resposta: POR QUÊ Li Zhou mata as crianças após algum tempo? O Renato disse algu interessante a esse respeito mais cedo.— explicou Brian.
— Essa pergunta é complicada mesmo de responder, Sanders. O próprio Li Zhou deve ser o único a ter sua resposta, mas o que foi que o Almeida disse?— era Jacobson amenizando o fato de seus agentes não saberem os motivos da matança.
Renato explicou para a chefia da Interpol o que pensava sobre o fato. Depois...
— Tem razão, meu caro... Li Zhou deve estar tomando o maior prejuízo com essa estratégia... Bem, azar dele... E; mudando de assunto, soube que vocês tem um plano para descobrir a resposta dessa traiçoeira pergunta. Confere?
— Temos sim, mas é um pouco arriscado.— disse Jean expondo seu plano para a chefia.
— Embebedar e seduzir Li Zhou? Parece coisa de filme! Bem inusitado. Mas talvez funcione.— palpitou Harrell.— Mas creio que este seu plano seja um tanto surreal, Laffite. E, agora, quem vai executar esse plano?— perguntou o secretário olhando furtivamente para os agentes e, por alguma razão desconhecida, fixou o olhar em Nikolas. O alemão percebeu e soltou mais uma.
— Sai pra lá, Harrell. Eu não gosto dessa fruta. Quem vai fazer esse serviço é a Gillian.
— Ah, claro, óbvio. Gillian Mary Finnes, como não pensei nela?— perguntava-se Harrell rindo da situação.
— Brad, onde você estava com a cabeça pra achar que SCHWEIZER ficaria com um homem? Por mais surreal que seja o plano do Laffite imagino que isso não está no “script”. Correto, meu caro?— era Jacobson rindo da encrenca na qual seu amigo havia se metido.”

“Era mais um dia quente e seco na região da pedreira de Li Zhou e Meiying Guo. Outras crianças trabalhavam na sem parar, famintas e cansadas. Li Zhou, vendo-as trabalhar de forma ineficiente pela janela de seu escritório pensou em dar-lhes logo o arroz com o pó de Boris. Quando um homem alto e magro chegou a pedreira. Meiying Guo, que estava andando no meio dos “escravinhos” reconheceu-o imediatamente e foi até a entrada recebê-lo. Abriu o portão e deixou o sujeito entrar.
— Li está aqui?— perguntou o visitante.
— Sim, Igor.— respondeu-lhe Meiying secamente. Mas já lhe aviso, não encontramos o corpo daquela criança.”

“— Igor? Que você está fazendo aqui?— perguntou Li.
— Aquele menino, Li, o que aconteceu com ele?
— Que menino, Igor? Acha que tenho departamento de recursos humanos?— debochou Li Zhou.”

“— Você está falando sério, Igor?— perguntou Li Zhou assustado. Meiying, que ouvira a conversa, também estava boquiaberta com a revelação. “Minha nossa!” disse a chinesa, baixinho.
— Sim. Mais alguma coisa?
— Tenho sim. No que isso vai te prejudicar?
— Àquela época, Li, eu não tinha motivos para ter feito o que fiz, e agora, alguns inimigos políticos meus estão espalhando esses rumores lá em Moscou. Se eles provarem... Minha vida está acabada.
— Por isso você quer a criança?
— Exato. Ela é a única prova do que aconteceu.”

“— Problema seu, Igor e nem tente sair disso agora.— ameaçou Li Zhou.
— Vai fazer o quê? Por o Iajuddin atrás de mim?— devolveu Igor.
— Que tem eu?— perguntou o birmanês. Estava na porta da sala de Li Zhou ouvindo a conversa, só que não fora visto nem pelos chineses e nem pelo russo.
— Nada, Iaj. Li Zhou está me ameaçando de morte. E como sempre você ou um de seus capangas é quem vai fazer o serviço sujo se ele resolver levar a cabo a ameaça.
— Você sempre soube que era um caminho sem volta, Igor, pare de choramingar! Nem se arrisque a pular fora do barco. Quando começamos você já sabia que as coisas seriam assim. Nada do que Li Zhou falou era novidade. Já o que você disse... Anda usando meu produto?— disse Iajuddin.
— Não. E a gente muda com o tempo. Meus valores são outros agora.— disse Igor.
— São nada!— rebateu Iajuddin.— Você só está com esse discurso por que está com medo das podreiras que aprontou no passado virem à tona e te destruírem politicamente. Devia ter sido mais homem há três anos, meu caro. Ah, antes que me pergunte de novo, não levei essa criança suspeita para o Mianmar.”

 



Escrito por Mírian B. Rosa às 19h45
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