Quarta "Remessa" de trechos do livro sem "mulas" Hahaha. Foto da vez, o galã brasileiro do elenco, Rodrigo Santoro, que dará vida ao também Brasileiro Renato Almeida!
CAPÍTULO VII
“O relatório virou tema de conversas de todo mundo e todos, sem exceção, queriam matar os traficantes. Na Holanda também tal relatório era o assunto e Lars acabou com sua reputação manchada. Afinal era o único fornecedor holandês da rede de Javier. Os demais da rede se concentravam no leste europeu. E, claro Lars acabou lendo o jornal. Naquela hora nem Javier nem Henry se encontravam em casa. Mas Peter estava lá deitado no sofá curtindo a ressaca depois de ter tomado uma garrafa de uísque na noite anterior enquanto assistia a um jogo de rúgbi. Roncava como um porco.
— Peter acorde.— sussurrou o holandês.
— Não grita Lars! Minha cabeça vai explodir.”
“Intrigado, o colombiano começou a ler a matéria. Que nada mais era que o relatório de Santeri escrito em uma linguagem mais popular. Logo se transformou. Estava colérico quando terminou de ler a matéria.
— Peter, pode escrever: o Henry está morto.
— O que você pretende fazer, Jav?
— Logo você verá. Por enquanto vamos fingir que está tudo bem.— disse o colombiano tremendo.— Mas em breve...
— Calma, Jav, não vá fazer nenhuma besteira.
— É justamente por isso que não vou fazer nada agora. Odeio tomar decisões de cabeça quente...— ironizou o colombiano. Nesse momento Henry entra na sala. Estranha o diálogo dos colegas.
— Que raios de papinho é esse da cabeça quente?— perguntou o folgado nigeriano.
— Está por fora das coisas, hein, Henry? Leia essa matéria.— debochou Peter.
— Sabia que alguém misturou cal virgem e pó de vidro a nossa preciosa mercadoria?— perguntou Javier enquanto ele e Peter rodeavam Henry como se fossem dois predadores que queriam devorá-lo.
— O quê? Fizeram isso? Quem foi o desgraçado?
— Cabe a você descobrir isso. Já que eu lhe mandei a melhor “diamond blue” que eu tinha. E deixei uma de segunda linha pra distribuir na América Latina.
— É... Ô... Mas... Javier, eu... Eu... Eu não sei quem foi que fez isso.— gaguejou Henry, visivelmente nervoso.
— Ah, não é?— perguntou Javier ainda rodeando o nigeriano como um faminto predador.
— E o que você quer que eu faça?— perguntou Henry recuperando seu cinismo habitual.”
“— Não vou muito longe, não, vou pra Barcelona. Ficarei no hotel mais próximo do estádio do time de lá. Vai ser bacana”
“Por mais que tentasse disfarçar, Javier estava com Henry entalado na garganta. Tento o nigeriano feito alguma besteira ou não, o colombiano não conseguia se desfazer da suspeita de que Henry havia misturado a cal virgem e o pó de vidro à droga, além do açúcar e da farinha de trigo. Diziam-lhe que o nigeriano era extremamente esperto e folgado e que sempre se safava pondo a culpa em algum “bode expiatório”. Até que teve uma ideia e passou alguns dias maturando-a sentado na sacada do apartamento de Lars e fumando feito uma chaminé. Resolveu, depois de uma semana, pô-la em prática.
— Ô Lars! To vazando... Vou pra Hungria, Ucrânia...— avisou Javier.
— E... Vai fazer o que por lá?— perguntou o holandês.
— Passeio, turismo. Quando der e se der eu volto.
— Ah, tá. Ok. Divirta-se!— disse Lars estranhando a atitude de Javier.”
“Na Interpol, os agentes continuavam tentando descobrir qual dos dois era o “culpado” pela adulteração da droga, Jean já estava jogando a toalha quando uma notícia “maravilhosa” caiu no colo dos agentes com uma nova ordem de Carlson. Os agentes iriam viajar para a Espanha e um agente espanhol entraria na equipe.
Dois dias antes dessa “balbúrdia” dentro da Interpol acontecer, em Barcelona, Espanha, a situação ficou crítica. Em uma praça no centro de Barcelona, um corpo foi encontrado. Estrangulado por um cadarço de tênis que ainda estada apertando seu pescoço. Tratava-se de um homem negro, de aproximadamente trinta anos, estatura média. Identidade: Henry Simon. Como não teve impressões digitais queimadas nem rosto desfigurado como Ralf Schneider, a polícia identifica e confirma o exame. Era realmente Henry Simon o “dono” do corpo. Fazia uma semana que Javier havia deixado a Holanda quando o crime aconteceu.”
“— Isso eu já ouvi.— era Peter voltando a ser o “velho Peter ríspido e grosseirão de sempre”.— Quero os detalhes.
— O corpo foi encontrado em uma praça do centro da cidade. Estrangulado por um cadarço de tênis. Javier?
— Ele não está na Hungria?
— Ele disse que sim iria pra lá, mas vai saber se não mudou de ideia.
— O Jav é um tipo meio imprevisível mesmo... Mas ainda tenho minhas dúvidas sobre a autoria desse crime.”
“— Que seja. Querendo vocês ou não assistir a um joguinho de futebol, irão a Barcelona. Vão pesquisar as circunstâncias do homicídio que vitimou Simon...
— O homicida é ou o Javier ou o Mackintosh.— decretou Dario.
— Certamente. Aliás, amanhã, Ortega chegará.— informou Carlson.
— Que Ortega?— perguntou Nikolas.”
“— Aconteceu. Alguém lá tem culpa no cartório. Provavelmente Henry. Tentou tirar vantagem adulterando o pó.
— Seu óbito era algo previsível. E também revela que há atritos entre eles, caso contrário Henry Simon não adulteraria a droga com cal virgem e pó de vidro. Mas ficou uma questão sem resposta: qual foi real motivo que o fez misturar cal e vidro na cocaína?
— Impossível responder-lhe, Carlson.
— É, eu sei. Difícil. Mas podemos conseguir alguma coisa.
— Javier, Peter e Lars podem ter as respostas.
— Exclua o holandês. Me parece um tipo muito ingênuo para ter acesso a esse tipo de informação. Mackintosh deve ser o detentor das respostas.
— Ok. Mas esse caso pode ser também queima de arquivo.— disse Santeri saindo da sala do chefe deixando para o mesmo mais uma preocupação. Descobrir os motivos que levaram Henry a adulterar a cocaína eram muitos, mas o mais evidente de todos era o dinheiro. Talvez cada um deles tivesse uma “cota” da droga para vender e Henry queria ficar com uma quantidade maior e aí... Ou então, Santeri estava certo de sua última previsão. Henry sabia demais e poderia atrapalhar os novos planos dos colegas. Para não dar trabalho no futuro... Mas algo ainda estava sem explicação: se estavam todos em Amsterdã, por que o corpo de Henry foi encontrado em Barcelona?
No dia seguinte, Pablo Ortega foi apresentado aos colegas. O espanhol moreno, alto, de olhos azuis e rosto forte já começou a causar controvérsias com os agentes quando contestou Jean que disse que a morte de Henry foi muito provavelmente fruto de uma vingança pela adulteração de cocaína ou queima de arquivo
.— Isso é uma estupidez.— disse Pablo rindo debochadamente de Jean.
— Como assim?— questionou o francês.
— Quem matou o tal Henry só pode ter sido algum militante do ETA.— afirmou o espanhol.”
“O dia de trabalho dos agentes encerrou-se assim. Pablo, em qualquer oportunidade que tinha atribuía ao ETA a autoria do assassinato de Henry muito embora o crime não tivesse, em momento algum, características dos cometidos pelo grupo separatista basco. Dario, especialista em perfis criminosos, tratou de lembrar:
— O crime não tem características de ter sido cometido por uma organização terrorista. De certa forma é isso que o ETA é.
Nikolas foi pra casa com essa história na cabeça. O que Pablo queria tirando de Javier e Peter as suspeitas pelo crime? E também, por que insistia tanto na ideia? Enquanto jantava imaginou que Pablo teria alguma ligação com os traficantes, mas logo descartou a ideia. A Interpol não aceitaria em seus quadros um agente “bichado”. Foi dormir com essa sensação estranha. Mas não sabia que todos os outros agentes também estavam bastante intrigados com a tese do espanhol.”

De novo! Continuação dos trechos do próximo best seller... Haja prepotência, hahahahahaha. A foto no final vai ser de um dos vilões, o traficante escocês Peter Mackintosh, interpretado por Gerard Butler (Mulherada, segurem-se).
CAPÍTULO VI
“Horas mais tarde, tocaram a campainha do apartamento. Irritado, pois estava ocupado e Peter e Javier nunca faziam nada para ajudá-lo, Lars foi até a porta xingando até a tataravó de quem pretendia visitá-lo.
— Droga!— murmurou ao chegar perto da porta, depois de uma enxurrada de palavrões de deixar até o maior “boca suja” do mundo envergonhado. Abriu.— Ah, não! Jesus Cristo, que pecado eu cometi? Joguei pedra na cruz, por acaso?— perguntava-se o holandês ao reconhecer a visita inoportuna.— Marcaram uma reunião de cúpula e não me avisaram?
— Calma aí, cara. Vamos resolver essa situação pacificamente.— disse o visitante.
Reconhecendo a voz, Peter foi para a sala.
— O que você está fazendo por aqui, cara?— perguntou o escocês pego de surpresa. O visitante se desequilibrou e quase caiu no chão.
— São meus olhos ou o Peter está atrás de você? Sua casa tá mal-assombrada, Lars? Ele não está morto há quase três meses?
— Não está não pras duas perguntas, mas já estou pensando em chamar um exorcista.— era Lars dando mais uma indireta.— Elvis não morreu, nem Peter Mackintosh. São duas lendas. Uma da música a outra do narcotráfico.— debochou Lars.
— O que ele andou bebendo? Água estragada?— perguntou o visitante, estranhando o comportamento do holandês.”
“Em Lyon, enquanto o quarteto de traficantes se perdia em discussões, Jean quebrava a cabeça para localizar parentes de Ralf Schneider. Perguntou a polícia parisiense se já haviam cremado o corpo de Mackintosh e, para seu alívio, soube que não. Pois as circunstâncias da morte não foram totalmente esclarecidas ainda. Principalmente depois que a notícia de que Mackintosh não estava morto se espalhou. O corpo fora congelado no necrotério do IML de Paris desde quando foi encontrado e lá permanecia.
— Um problema a menos, não cremaram o corpo, um DNA ainda é possível.— disse Jean.
— Ótimo.— era Carlson que desde a volta de Mackintosh acompanhava a equipe mais de perto.— Agora só falta achar um parente dele. Pais, irmãos, filhos...
— Acho que isso vai ser bem difícil.— disse Jean sorrindo ligeiramente sem-graça.
— Isso é por conta do acaso, Jean. Não sei quando tempo teremos de esperar para que isso aconteça. Talvez amanhã ou nunca. Pode ser que essa pessoa não tenha parentes vivos ou então seja uma pessoa que viva só. Filho único, solteiro, pais já falecidos e sem contrato com parentes próximos.— era Carlson”
“Um dia após Peter reaparecer, o delegado de Paris que comandou as investigações de sua “morte” desde o início, decidiu investigar de quem seria aquele corpo, já que de Mackintosh ele não era. Estava realizando seus trabalhos no inquérito quando, três semanas após a reaparição do narcotraficante um sujeito falando uma mistura de inglês, francês e alemão entrou em sua sala. Disse o que lhe ocorrera para que fosse até lá. O delegado atermou o depoimento do alemão e remeteu-o a Lyon e também, aconselhou o mesmo a ir para lá e procurar por Robert Carlson, na sede da Interpol.
Dois dias depois, chega o depoimento do sujeito até Carlson. Com a observação, manuscrita pelo delegado de que recomendou que o sujeito o procurasse. Até aí tudo bem só que Carlson reagiu como se tivesse levado um soco no estômago ao ler o nome do “encaminhado” pelo delegado parisiense. Correu para a sala dos agentes agitando o papel como se fosse uma bandeira da Ferrari no meio de uma corrida de Fórmula 1.”
“Uns dois dias depois, Jean voltou a dar sinais de que era um cara mais esperto que a média. Puxou uns arquivos antigos da Interpol e descobriu um nigeriano ligado ao tráfico, mas também conhecido por ser um folgado e “espertalhão”. Ao encontrá-lo, avisa Nikolas:
— Nikolas, esse cara aqui não é traficante?
— Caramba, ele é um dos mais famosos! Não acredito que ele passou batido. Estou ficando nervoso com a minha distração. Esse sujeito é bem folgado e, para se livrar da cadeia, é capaz de entregar a própria mãe.— disse Nikolas.
— Verdade.— concordou Jean.— Ele é malandro mesmo.
— Quem é?— perguntou Santeri.
— Henry Simon. Nigeriano de Abuja.— disse Jean.
— Famosinho, a figura! Não foi ele quem foi pego tentando entrar no Camarões com cocaína, foi pego e botou a culpa num coitado que morreu fuzilado?— perguntou Santeri.
— Que coitado? Mas, independente do nome, sim, ele costuma fazer isso. Pisa na bola, apronta e põe a culpa em um terceiro, que normalmente acaba pagando o pato.— era Nikolas.”
“Nikolas pediu para Michael sentar-se e contou-lhe o que ocorrera e, por fim soltou a bomba numa frieza que espantou Carlson e espantaria até Santeri:
— Cremos que o corpo que foi entrado no arco do triunfo e que todos imaginavam ser de Mackintosh é, na verdade de seu irmão, Ralf.
— O quê? Esse tal de Peter Mackintosh matou meu irmão?— gritou Michael ao receber a notícia.
— Ainda não temos certeza. Para confirmarmos, só com um exame de DNA. Você aceita fazê-lo, Schneider?
Os ombros de Schneider caíram. Ele tinha alguma esperança de encontrar seu irmão vivo.”
“— Foram as circunstâncias. E eu também ainda não digeri muito bem aquela história...
— A de Nápoles?
— Também. Mas eu me referia mesmo a outra coisa.
— Ih, chega de mistérios, Schweizer, isso aqui não é um mosteiro, é uma organização policial. A última coisa que precisamos aqui é de “segredinhos”.
— Não tem mistério nenhum nisso, Carlson, é que o senhor já pediu não sei quantas vezes amostras das cápsulas dos nigerianos para o Korhonen analisar e até agora nada... É isso o que eu não digeri.
— Verdade. Eles estão me enrolando... Vou oficiá-los novamente. Mas, honestamente acho que é tempo perdido.
— Tenta vai, não custa nada...
— Custa alguma coisa sim, as despesas de correio.— brincou Carlson redigindo um novo ofício pedindo encarecidamente que os espanhóis lhe enviasse amostras das cápsulas dos nigerianos.
No que foi atendido prontamente dessa vez. Uma semana após seu ofício chegar a Madrid uma pequena caixa lhe foi remetida, chegando a Lyon alguns dias depois.
Assim que a recebeu, Carlson mandou outro ofício, para o laboratório de toxicologia forense de Lyon solicitando o “empréstimo” das dependências do laboratório e de um assistente, pois mandaria Korhonen com o material para lá para fazer as análises. Entretanto, Carlson não imaginou que a perícia de Korhonen começaria tão logo ele abrisse a caixa. Assim que recebeu as amostras, o americano tratou de chamar o finlandês.
— Pois não, Carlson?
— As amostras de cocaína dos nigerianos chegaram. Quero que você as analise para ver o que elas tinham. Achei muito estranho todos terem morrido.”
“Korhonen abriu a caixa e olhou as amostras por alguns segundos.
— O Javier não anda muito bem não.
— Por que diz isso?
— Ele costuma mandar cocaína pura pra cá, pelo que sabemos, mas essa foi completamente adulterada. Carlson, a granulação do pó está muito irregular.
Carlson ajeitou os óculos no rosto e se aproximou da caixa. Viu Santeri manuseando o pó, mas não percebeu nada de esquisito.
— Sinto muito Korhonen, mas não vi nada de anormal. Você é que é o especialista aqui.
— Espere e verá. Vai querer um relatório de quantas páginas?
— Reitero o que lhe disse quando voltou de Nápoles. Quantas páginas achar suficiente. Pode ser apenas uma ou sei lá, cem, duzentas páginas.”
“Thierry foi pra casa satisfeito com o “melhor dia de seu estágio” e louco para voltar ao laboratório. Descobrira definitivamente que a área forense era a sua “praia”.
Santeri também estava satisfeito com as análises, mas também estava intrigado. Quem será que adulterou a droga, Javier ou Henry? Foi com essa pergunta na mente para a casa, mas no meio do caminho seu foco foi substituído. Quem entrou em cena foi Sofia. A italiana lhe mandara uma mensagem. E se encontrariam no apartamento de Santeri à noite.”
“— Ok. Mas antes, Korhonen, você poderia me esclarecer um ponto?
— Diga. O que quer saber?
— Tenho até vergonha de perguntar isso, mas, o que é a tal “diamond blue”?
— É a expressão que usamos para nos referimos à cocaína pura, sem açúcar, farinha, cal, pó de vidro pelo meio. Quando colocamos o reagente a droga fica num tom azul transparente, quase da cor do meu olho.
— Ah, ok. Valeu.— agradeceu o jovem estagiário já chateado com o fim das pesquisas de Santeri.
— Disponha.
Santeri saiu do laboratório também chateado. Thierry era ótima companhia e poderia facilmente figurar no quadro de agentes da Interpol, tão logo preenchesse os requisitos necessários. Interessava-se pelo assunto e principalmente, tinha competência para um dia estar lá, naquela agência que era o sonho de vida de noventa por cento dos criminalistas do mundo.”
“Santeri acordou disposto a terminar o serviço, mas já com saudades do laboratório. Adorava seu trabalho na Interpol, mas sentia saudades do tempo em que trabalhava mais como bioquímico.
Lá chegando encontrou novamente seu eficiente estagiário no computador pesquisando.
— Desse jeito logo você está lá na Interpol.
— É essa minha vontade.— confessou Thierry abrindo um largo sorriso.
— Eu sei, também já passei por isso. Mas achava que seria difícil afinal eu estava lá na Finlândia, seria difícil chamar a atenção da Interpol. Mas logo teve uma seleção. E eu consegui entrar.
— Legal.— era Thierry.
— Bem, vamos trabalhar. Temos que pesquisar os efeitos da Cal virgem e do Pó de vidro no organismo humano. Cocaína não precisa, pois já decorei.
— Certo. Ah, achei essa página falando sobre cal virgem e imprimi uma parte.”
“Enquanto Thierry procurava sobre o pó de vidro na internet Santeri já abriu o editor de texto e começou a escrever o relatório, foi o mais técnico e sintético que pode ser. Era desse tipo de relatório que Carlson gostava. Descreveu tudo o que descobrira no laboratório. Que realmente a cocaína não era “diamond blue” a cápsula fora confeccionada com outro material e que havia cal virgem e pó de vidro na mistura e as porcentagens de cada substância. Descreveu os sintomas da ingestão de cocaína e de cal virgem. Além de mencionar que o pó de vidro facilitou o rompimento das cápsulas, através do atrito. Completou com uma observação pessoal “se não houvesse cocaína nas cápsulas as vítimas morreriam por desidratação por ingestão de óxido de cálcio.” Escreveu o finlandês.”
“No dia seguinte Jean, Dario, Nikolas e Renato também se tranquilizaram ao revir Santeri. E também bombardearam o finlandês com perguntas, entretanto antes que Santeri pudesse responder a qualquer delas, Carlson foi à sala buscá-lo para uma “conversinha”.
— Korhonen, venha comigo.— disse o americano.— Depois você coloca um dia seu papo com seus colegas.
— Ok. Daqui a pouco eu volto.
Na sala do americano, Carlson começou a perguntar sobre as pesquisas.
— Descobriu algo que interesse ao caso?
— Sim. Aqui está. Três páginas.
Carlson leu o relatório em velocidade recorde e olhou espantado para seu autor.
— Isso é sério? Pó de vidro e cal?
— É. Muito sério. Acredito que isso não foi feito só pra dar volume na carga. Quem quer que tenha adulterado essa cocaína tinha “más intenções” quando o fez.”
“— Honestamente, Korhonen, se Henry, Javier ou Mackintosh aparecerem mortos, juro que não sentirei remorso algum de ter divulgado seu relatório.”

Ois! Hoje, finalmente, vou colocar trechos novos de "Sangue em Pó" aqui. Duvirtam-se e podem criticar à vontade!
CAPÍTULO V
“Nikolas novamente escutou passos no corredor, mas sequer se preocupou. Prometeu-se que só levantaria da cama caso ouvisse um aterrorizante grito de pavor.”
“Por que cargas d’água Francesco resolvera CRIAR como seu o filho de um simples caporegime?”
“Descobriu o único nome provavelmente mafioso que tinha relações com narcotraficantes: Carlo Fioretti. O mesmo já fora preso por portar quarenta quilos de cocaína Diamond Blue provinda da Colômbia, e, para se livrar do xilindró, dera o nome do fornecedor”
“O trio discutia como mataria o amante de Paola e Pietro passou mais detalhes do amante. Ele tinha lá uns trinta anos de idade, e estava hospedado no Hotel Cavour, situado na Praça Garibaldi.
— Caraca, Renato, o sujeito está no mesmo hotel que a gente! Já era.— disse Nikolas.— É atrás do Korhonen que eles estão, não tenho mais dúvidas...”
“Angelo não conseguiu segurar a risada. Está preocupado com um cara que pelo jeito, não está afim de minha filha... Como é que é o final dessa história mesmo, Pietro?
O caporegime repetiu o final, tal como o Mafioso lhe pedira.
— Motel? MINHA FILHA tentou levar o forasteiro para um MOTEL?”
“Renato percebeu uma movimentação estranha do outro lado da rua e logo ligou as peças. “De fato, Korhonen era o alvo da máfia” pensou. Ao ouvir o “atire” não pensou duas vezes e puxou Santeri para o chão ordenando a Nikolas e Dario que se abaixassem. Logo se ouviu um disparo e Paola caiu ao lado deles. Com uma mancha crescente de sangue no abdômen. Nikolas pulou para trás num misto de asco e terror.”
“Os agentes foram deitar preocupados. Trancaram a porta de seus quartos e ninguém dormiu direito.”
Foi o tempo certo de Gianluigi olhar para frente e ver o tamanho da encrenca que surgia. O enorme caminhão Mercedes que vinha em sua direção acelerando sem parar para que ele tivesse tempo de abrir a porta e pular para fora do veículo. Gianluigi não usava cinto de segurança nem por decreto.
— Anda, Carlo, pule!
— Meu cinto travou!
— Azar o seu!”
“No dia seguinte Santeri desceu com cara de “culpado” para o café da manhã.
— Que cara é essa, Korhonen?— perguntou-lhe Dario.
— Fiz uma besteira ontem à tarde.
— O quê?
— Falei com o Carlson.
— Desde quando falar com ele é besteira?
— Ele me deu ordens expressas de que ELE me avisaria quando eu poderia falar com ele. Lembra aquele dia que fiquei preso na sala dele por quase duas horas?
— Lembro.
— Ele estava me passando essas regras... Ele me mandaria um e-mail quando quisesse se comunicar comigo... Quase queimou minha orelha ontem quando eu liguei...”
“— Isso tem o “selo de autenticidade” do Fiorella. Ele sempre fez isso com quem não cumpriu devidamente com seu trabalho, ou melhor, ele sempre manda caporegimes seus fazem isso. Provocar acidentes, simular assaltos, roubos, sequestros...
— Gostei dessa, Dario “selo de autenticidade”.— brinca Sofia.— Mas de fato, essas características são típicas de crimes da camorra.”
“Mas ao fim do terceiro dia, concluiu o relatório pedido por Carlson. Saiu da sala com um envelope no qual estava escrito CARLSON, Robert Joseph com uma cuidadosa caligrafia manuscrita.
— Vou levar o relatório pro Carlson, já volto.
Santeri entrou na sala do chefe e entregou o relatório para o mesmo.
— Aqui está, Carlson, tudo o que fizemos lá em Nápoles.”
“O finlandês saiu e assim que a porta fechou, Carlson começou a ler o já famigerado relatório. De caneta em punho, rabiscava partes que julgava ser importante. Pouca coisa no relatório precisaria de esclarecimentos. Mas ainda assim, Carlson decidiu conversar com cada um dos agentes em separado, já na última página do relatório leu uma observação de Santeri que chamou-lhe a atenção. Decidiu chamar o primeiro agente para seu interrogatório. O alemão Nikolas Schweizer.
Schweizer entrou tímido na sala de Carlson. Sempre achava que alguma “bomba” ira explodir em seu colo toda vez que o americano o chamava. E dessa vez tinha alguma razão. O americano começou a conversa sem tocar no ponto que o fizera de fato chamá-lo. Perguntou sobre o atentado, sobre as investigações acerca de Fiorella. Nikolas respondia tudo com uma calma controlada. Na verdade, estava extremamente nervoso. Até que Carlson, finalmente perguntou-lhe sobre o que realmente interessava:
— Schweizer, o que aconteceu pra você ter ficado tão irritadiço no segundo dia?
— Ah, eu... Eu... Eu... Comi lasanha demais no jantar e fiquei com uma azia infernal no dia seguinte e azia sempre me deixa de mau-humor.
— Só isso mesmo?— o americano perguntou ainda desconfiado. Falaria com os outros agentes e depois voltaria a falar disso com o Schweizer.”
“— Bem, Carlson, do nada ele começou a fazer alguns comentários irônicos e ríspidos, principalmente quando o Korhonen era envolvido na conversa.”
CAPÍTULO VI
“O Aeroporto de Madrid, Espanha, estava vivendo um dia como qualquer outro, sem nada complicado ou sério ocorrendo, os voos chegavam e partiam nos horários de costume. Relaxado em uma mesa de um bar próximo a um dos portões de desembarque, um sujeito alto, cabelos escuros, rosto forte, olhos azuis esverdeados tomava doses de uísque de alta qualidade. Usava óculos escuros e cavanhaque, e parecia tranquilo até que os alto-falantes anunciaram a chegada de um avião da Colômbia...
Ainda relaxado tomando seu uísque, o sujeito quase cuspiu a quinta dose quando reconheceu um dos passageiros que acabara de desembarcar.”
“— Eu sei... Outro eu te explico o que fiz... E por que cargas d’água você veio pra cá? Esqueceu que a Interpol pôs sua cabeça a prêmio?— perguntou o ex-finado escocês retirando os óculos escuros.— Aliás, ô bigodinho ridículo, cara!
— Tecnicamente, meu caro Peter, não desembarcou nenhum Javier Márquez aqui na Espanha, poucos minutos atrás, e sim um pacato turista chamado Juan Alonso.— disse Javier alisando o “bigode de zorro” que ostentava.— Vim consertar uns probleminhas na minha, hã “empresa”.”
“— Pessoal encrenca na área. Olhem aqui quem foi visto no aeroporto de Madrid. Peter Mackintosh e ao que tudo indica essa figura de bigode ao lado dele é Javier Márquez.
Surpresos, os agentes se entreolharam.
— Peter Mackintosh em Madrid? Mas ele não morreu há dois meses e meio?— perguntou Nikolas confuso.
— Era o que parecia, mas pelo jeito... Um momentinho que eu já volto.— disse Carlson saindo precipitadamente da sala.”
“— Eu sei. Mas temos que colaborar. A propósito, gostaria de lhes apresentar o novo colega de vocês, Jean Laffite, ele é daqui da França mesmo.
— Prazer, Nikolas Schweizer.— cumprimenta o alemão.
— Renato Almeida.— apresenta-se o brasileiro.
— Sofia Rossini.— era a italiana se identificando.
— Prazer em conhecê-los.— disse Jean simpático.
— Ô dupla dinâmica, vocês não vão se apresentar não?— perguntou Carlson.
— Sou o Santeri Korhonen.— apressou-se o finlandês.
— Dario Fraschetti.— disse o italiano com um tom de voz extremamente seco, mas isso não intimidou o novo integrante da equipe.”
“No mesmo dia em que Javier chegou a Europa, o colombiano e Peter embarcaram em um trem em Madrid para Amsterdã. Lá rumaram para o apartamento de Lars. Peter, que embora já tivesse pedido as chaves não as recebera, pois Lars recusava-se terminantemente a fazer-lhes as cópias, tocou a campainha do apartamento.
— Droga!— reclamou Lars abaixando o volume da TV.— Ah, não... Que raios de pecado eu cometi?— reclamou o holandês ao atender a porta e ver as “visitas”.
— Ê... Que mau humor é esse Lars?— disse Peter.
— Ah, não! E ainda me pergunta? Desde que você apareceu aqui em casa poucas horas depois de ser dado como morto na França eu só tenho tido dores de cabeça.
— Por que não vai até a farmácia comprar um analgésico?— continuou Peter, debochado acendendo um cigarro, mesmo sabendo que Lars odiava o cheiro de nicotina.”
“— Sei...— o holandês continuava irônico. Sentia que ainda dava as cartas do jogo de gato e rato que Peter e Javier faziam com a polícia.— Muito mal contada, aliás. Nunca te aconselharia a seguir carreira de escritor!”
“Em Lyon os agentes continuavam quebrando a cabeça. De quem era o corpo encontrado no arco do triunfo já que Mackintosh ainda estava vivo? Jean ainda filtrava as pesquisas no cadastro de desaparecidos da união europeia. Coçando a cabeça, o francês não conseguia sair do marco zero. Putz, não dá. Reclamou. Até que ganhou uma ajuda do acaso e da mania de Sofia de ler jornais velhos.”
“Os agentes ainda especulavam um jeito de encontrar algum parente de Ralf quando Carlson através do computador avisa que quer Nikolas em sua sala. Santeri lê a mensagem.
— Schweizer, sala do Carlson.
— Já volto.— disse o alemão temendo o que o esperava na sala do chefe.
Na porta, Nikolas dá duas fracas batidas, mas que são ouvidas pelo americano.
— Entre.— ordena Carlson.
— Me chamou?— perguntou Nikolas.
— Sente-se, por favor, Schweizer.
— O que o senhor quer de mim, Carlson?— Nikolas estava extremamente nervoso.
— Acalme-se. Quero apenas uma informação.
— O quê?— era Nikolas outra vez.
— O que aconteceu exatamente em Nápoles que o deixou tão alterado?— soltou o americano vendo a reação da pergunta no nervoso e disciplinado agente alemão.
— Tem certeza que o senhor precisa saber disso, Carlson?
— Tenho.— disse o americano esboçando um leve sorriso.— E então. Vai me contar ou não?
— Bem...— começou Nikolas tento um “surto” de ansiedade. Passou a mexer em praticamente tudo o que havia na mesa de Carlson que assistia à cena impassível. Sem esboçar qualquer reação. Por fora. Enquanto pensava por que Nikolas reagira assim. O que quer que fosse que o alemão estivesse escondendo, Carlson pressupôs que fosse coisa séria.
— Nikolas, anda, conte.— pediu Carlson pacientemente.
Nikolas estranhou o fato de Carlson tratá-lo pelo seu nome de batismo no lugar de seu sobrenome, e em vez de se acalmar, ficou ainda mais nervoso.
— Quer tomar um café ou um chá para se acalmar, Nikolas?— perguntou Carlson.
— Não, obrigado.— disse Nikolas.— Me dá azia.
— Então, Nikolas, vai me contar ou não?
— Está bem, Carlson, o senhor ganhou. Eu conto.
— Ok. O que houve então?
— (...). Pronto. Falei.— disse Nikolas levantando os braços como se estivesse rendido, ou querendo se isentar que qualquer possível responsabilidade.
Ao ouvir tal informação Carlson recostou-se na cadeira e embora estivesse sério, tratou o assunto com pouca relevância.”
E vai também uma foto do ator Jared Leto, o Nikolas "August" Schweizer.
|
||||
|
|
||||
![]() | ||||
|
||||