Aêêêêêê! Agora sim vai a última remessa de trechos do livro. Segue, com este, a foto do ator faltante: Jake Gyllenhaal intérprete do esperto agente francês Jean Laffite. Agora o Sangue em Pó só voltará a ser mencionado quando eu o acabar e, ainda assim, sem trecho novos. Apenas o último parágrafo da obra.
CAPÍTULO IX
“O italiano logo passou a fazer companhia ao alemão em sua observação do Ródano enquanto degustavam mais um pedaço do bolo. Ainda fitavam o rio quando Carlson entrou na sala contando sobre a reunião. Pouca coisa mudaria, apenas os chefes teriam mais liberdade. Foi o que Carlson disse servindo-se do capuccino e do brownie dos agentes. Estão ótimos. Comentou enquanto comia. Nesse momento, Nikolas, que ainda estava debruçado na janela, viu algo estranho no Ródano. O que é aquilo? Perguntou-se.” “Santeri obedeceu à ordem do chefe, e enquanto descia correndo as escadas, falava com policiais de Lyon. Chegaram à margem do Ródano alguns minutos antes da polícia local aparecer. “Nisso, Nikolas aproximou-se do corpo, para ver de perto o que fizera causar tanto alarde. Seu estômago virou do lado avesso e por um triz o alemão não vomitou. Sofia percebeu o mal estar do colega. Nikolas estava pálido, ligeiramente recurvado e com a mão direita sobre o estômago. Todos sabiam que o alemão sofria de crises de gastrite.” “Enquanto Nikolas se recuperava de suas dores estomacais e especulava com Carlson e os colegas o que fazer nas investigações, Peter, Lars e Pablo foram tomados por uma aflição ímpar. O que aconteceria quando o corpo de catalina fosse descoberto? Talvez nem liguem o corpo ao caso, disse Lars, um tanto otimista e de fato correto. Mas logo Pablo deu razões para seus amigos se preocuparem.” “No dia seguinte, a notícia apareceu estampando a primeira página de diversos jornais europeus. E obviamente todos queriam saber quem era aquela mulher e de que ela morrera; ninguém pensava em homicídio. “Embora Vampiro decidisse não voltar a Lyon para uma reliação, Pablo continuava nervoso. Principalmente quando divulgaram mais resultados: O DNA sêmen encontrado no corpo da mulher (ainda não haviam descoberto quem ela era) não correspondia ao DNA do Bebê. Resumindo. O homem com quem ela havia transado pouco antes do óbito não era o pai de seu filho. Restava saber quem a havia matado. Eu dos dois homens ou o uma terceira pessoa? Os legistas também confirmaram que a gravidez da romena era de apenas três semanas. “— Boa dedução.— aprovou Carlson.— O duro vai ser achar um banco que contenha o DNA do sexteto pra saber quem é o pai da criança e quem foi o último homem com quem ela foi pra cama.— disse Carlson. O americano recusava-se a usar o termo “transando” para se referir àquilo.” “— Pode ser. Se for... Que interessante! A namorada do Vampiro literalmente morreu pelo pescoço, só que não foi de mordida.— disse Nikolas fazendo graça.” “Enquanto Jean maquinava um plano para pegar Peter, Pablo e Lars, Dario volta no tempo e volta a ser o arrogante agente que era quando ingressou na equipe de Carlson. Invejando a bajulação em torno do astuto Jean, do intuitivo Renato e do sarcástico, porém genial, Nikolas, além de sentir um ciúme quase doentio da relação amorosa entre Sofia e Santeri, resolveu que pegaria o trio de traficantes desprevenidos sozinho. Passa boa parte do tempo alheio às discussões, confabulando seu plano quieto enquanto seus colegas ajudam Jean a pensar em algo pra atrair Peter para uma armadilha ainda não montada. Nikolas sugeriu algo que parecia ser a melhor solução: inventar que a morte de Javier era uma farsa e que o colombiano estava em poder da Interpol. A história do avião explodindo fora uma farsa para desorientar seus comparsas.” “Naquela noite, Dario saiu de seu apartamento, a dez quadras do estádio de Gerland. Vestido com roupas que em nada lembravam seu austero ambiente de trabalho, foi até o estádio e se misturou entre usuários e traficantes dos mais diversos tipos de drogas. Logo viu Peter, Pablo e Lars sentando-se em um canto com sacos de papel na mão. O local, instantaneamente foi tomado por diversas pessoas que disputavam os papelotes da Diamond Blue colombiana aos tapas. A medida que vendiam a droga, Peter aumentava o valor do pó, Lars, que preparava as ampolas diminuía a quantidade de cocaína na “fórmula” e Pablo dava um jeito da arrancar mais dinheiro dos usuários mentindo que eles haviam dado menos do que realmente era o preço do produto. Não reconheceram Dario até então, mais por estarem absortos no trabalho que em qualquer outra coisa. Os policiais chegaram com as sirenes ligadas e o que se passou foi uma correria sem tamanho. Dispersou usuários e traficantes, prendeu vários deles, menos o trio da Interpol, mas nessa hora, Pablo reconheceu Dario.” “Na Interpol, Dario contou que houve uma batida policial em Gerland e que todos se dispersaram. Inclusive os três. “— Ô Dario, Carlson quer falar com você lá na sala dele.— disse o alemão estranhando.” “Lá chegando, Dario congelou. Carlson o esperava com os braços apoiados no encosto de uma cadeira perdida no meio da sala. Vira aquela cena inúmeras vezes. Normalmente em cenas de tortura de filmes de espionagem. O torturado sentava-se e uma cadeira no meio da sala do bandido enquanto este e seus capangas o amarravam e o rodeavam fazendo perguntas para as quais quase nunca o “mocinho” tinha respostas e, depois, o torturando efetivamente. E seus algozes já pareciam relativamente posicionados. Carlson perto da cadeira de torturas e Korhonen pronto para também executar sua parte no projeto, embora tivesse encostado em uma parede. O finlandês parecia mais frio que de costume.” “— Ok. Dessa vez passa. Só não o expulsarei por que você ainda está do nosso lado. Caso contrário...— disse Carlson, nervoso.— Agora, vamos até a sala de operações onde vocês ficam. Quero que você retrate-se com Laffite. “No corredor Sofia estava nervosa sem conseguir imaginar o que a esperava, Santeri beijou a namorada. Não é nada muito sério, querida, o Carlson só quer fazer algumas perguntas. Disse Santeri.
Cinco agentes franceses retiraram o corpo da água enquanto outro fala com os agentes da Interpol perguntando o que ocorrera. Depois de retirado o corpo da água, os policiais puderam ver que se tratava de uma mulher, em avançado estado de decomposição.”
Passaram-se sete dias desde que o corpo fora encontrado e poucos resultados foram obtidos para ajudar nas investigações: tudo o que descobriram era que a mulher ainda não identificada morrera devido a um traumatismo pérfuro-contuso na região cervical sem conseguir determinar exatamente que tipo de arma o produzira. Já que ao contrário do corpo a arma de Marius não subiu à tona. E, também, descobriram que a romena estava grávida e que havia sêmen em seu corpo. Essas duas últimas notícias causaram pânico no trio de traficantes remanescentes em Lyon.”
— Nikolas, você está com o estômago zerado hoje?— perguntou-lhe Carlson.
— Sim. Por quê?— era o alemão desconfiado.
— Quero que você veja se reconhece essa pessoa. Comparando-a com essa foto. São parecidas?— devolveu Carlson mostrando uma foto do rosto do cadáver do Ródano e outra da namorada de Vampiro.
Friamente Nikolas olhou firmemente para as duas fotos e depois deu seu veredicto:
— As chances são grandes, mas não dá pra garantir. A decomposição está muito forte necrosou muito tecido. Fica difícil identificar, mas há alguma semelhança entre as duas sim. A viva, quem é?— disse Nikolas.
— A namorada do conde Drácula, quero dizer do Vampiro.— disse Carlson se atrapalhando todo.”
— Batida policial? Ali não é área de tolerância?— estranhou Santeri.
— Que estranho...— comentou Carlson.
— Temos que descobrir o que aconteceu.— disse Jean, chateado.— Droga! Dois dias jogados fora. Nossos planos foram para as cucuias.— reclamou o francês.
— É, e isso não vai ser fácil, pra não dizer impossível.— disse Nikolas pessimista além da média.
— Pois é, não entendi nada. Estava tudo tranquilo por lá de repente diversas viaturas policiais chegaram com as sirenes tocando e todos saíram correndo. Deve ter saído no jornal.— disse Dario fingindo-se de surpreso e chateado, mas rindo-se por dentro ao ver a chateação dos colegas. Pode não ter atingido seu objetivo real (Por Peter, Lars e Pablo na cadeia), mas atrapalhara significativamente a vida de seus colegas antes que Jean colhesse os louros da fama por ter colocado outro interante da rede Fiorella atrás das grades.
— É difícil mesmo entender essa situação.— disse Renato pensativo.
Os agentes passaram o dia discutindo o caso, o qual suscitou muitas dúvidas. Santeri saiu da Interpol cheio de questões. Dispensou, provisoriamente, a companhia de Sofia (não sem antes avisá-la que iria para a casa dela posteriormente) no início da noite e foi até uma delegacia na região do estádio que não fica muito longe do quartel da Interpol. Estava intrigado com a batida policial no estádio, que era visto por todos como uma área de tolerância da cidade. Era extremamente raro a polícia apreender drogas e/ou prender traficantes e usuários de entorpecentes naquela área. Conversou por um longo tempo com o delegado responsável e saiu de lá convicto de que quem atrapalhara os planos de Jean fora Dario. Nervoso com a descoberta e carregando provas do crime do colega na mão, entrou em seu carro, largou o envelope no porta-luvas e rumou para o prédio onde morava a italiana. Precisava descarregar a raiva e somente Sofia sabia como fazê-lo. Lá chegando, a italiana o esperava na porta. O casal jantou e foram dormir juntos, não sem antes terem uma boa relação sexual para acalmar o finlandês. O casal já cogitava a ideia de ter um filho, mas antes disso, precisariam ter coragem para assumir a relação dentro da Interpol. Acreditavam que, lá dentro, ninguém sabia do relacionamento do casal. E, em nenhum momento, Santeri contou à namorada o que descobrira sobre seu conterrâneo.”
— Sim senhor.
Enquanto caminhavam, Carlson decidiu que depois, faria Santeri e Sofia assumirem a relação. Nikolas não assistira a novas cenas entre o casal, mas era evidente que ambos estavam juntos. Carlson já os vira aos beijos em um restaurante, porém não foi visto pelo casal.
Na sala, Dario confessou que destruiu os planos de Jean o que o francês não engoliu fácil.”
— Ok.— disse a agente beijando Santeri.
Lá dentro Carlson disse apenas que Sofia confirmasse o que Santeri lhe havia dito.
— Sim Carlson. Estamos juntos desde o final de abril.— disse a italiana sem titubeios segurando a mão do finlandês e o beijando na frente do chefe.
— Ok. Por hoje é só. Só quero dizer-lhes que não precisam ficar escondendo que estão juntos aqui dentro. Como já lhes disse outras vezes, isso não é um mosteiro nem um convento. É uma organização policial e o relacionamento pode continuar desde que não atrapalhe as investigações...
Conversaram informalmente por algum tempo e Santeri acabou deixando escapar que ele e Sofia pensavam em ter um bebê.
— Ok, mas esperem essa loucura acabar. Não quero ver minha equipe desfalcada enquanto Mackintosh estiver solto. Ah, me convidem pro batizado.— brincou Carlson.”

Ois outra vez! Hoje vai mais uma suposta penúltima remessa de trechos do livro. (Era pra ser a última mas há muitos trechos escolhidos então, muito provavelmente daqui a pouco sai a última com o ator faltante) Segue, com este, mais uma foto do agente Dario Fraschetti (Hugh Jackman)
CAPÍTULO IX “Os traficantes estavam assustados com a história. Sem a diamond blue de Javier talvez não conseguissem mais tantos fregueses. Era a alta qualidade do pó de Javier que atraía a freguesia pra “rede Fiorella de Cocaína LTDA”. Os demais fornecedores, incluindo aí o peruano amigo de Vampiro e Agulha, eram apenas para fazer número. Javier era o carro chefe. Sempre. Mas agora estavam sem ele.” “Os dias se sucediam para ser mais exato doze deles haviam se passado desde a notícia de que Peter, Pablo e Lars estavam em Lyon e nada de a polícia de Lyon conseguir prender o trio. Tudo o que conseguiram foi descobrir que o trio havia virado um sexteto. Avisaram Carlson dessa mudança, mas nada fizeram. Agentes à paisana fotografaram o grupo com a nova formação e entregaram as fotos à Interpol. Nikolas não gostou do que viu: “Enquanto os agentes investigavam seus passos à distância, o sexteto em tela estava se enfiando uma tonelada de problemas. O fornecedor caribenho de Pablo, além de não ter gostado nada das reclamações de Peter, referentes à refinação da droga, queria triplicar o valor do quilo do pó. “— Estamos mexendo em um barril de pólvora e o pavio já está aceso. Logo explode. Temos que dar um jeito de nos protegermos desses estilhaços. Quero dizer. Estamos lidando com pessoas virtualmente e realmente perigosas que poderão nos prejudicar. Nikolas disse noutro dia que o Vampiro é um sujeito violento. Não presenciei cenas de violência, mas fica claro que ele não é muito de aturar desaforos. Gritava o tempo todo. Principalmente com o Agulha que a cada vez que era o alvo dos gritos de Vampiro encolhia os ombros num claro gesto de submissão. Vampiro esconde por trás do gênio difícil algo mais para conseguir fazer um traficante de heroína se sentir tão inferior perto dele. Mas temos que ver o que é. Pode ser uma arma de fogo, coisa que também não vi a conhecer algum episódio “podre” da vida de Agulha a ponto de poder controlá-lo. Ou então se Agulha deve algum favor daqueles pro Vampiro. Mas isso só se descobrirá se conseguirmos pegar os dois ou se um deles pisar na bola.— concluiu o italiano.”
— Más notícias. Esses dois aí são o Vampiro e o Agulha, o comparsa ou capacho, como preferirem, do Vampiro. Só não sei quem é essa mulher. Deve ter ligações com o Vampiro também.
— Que lugar romântico para passear com a namorada!— debochou Carlson olhando para as fotos e sem querer descobrindo quem era a mulher da foto: Catalina Tomescu, namorada de Vampiro. Mas sem ter condições de imaginar o tamanho do problema que viria em seguida, e do qual ela seria o pivô. Apenas não sabia o nome da moça.”
— Pablo tenta com o peruano. Não é Diamond Blue do Javier, mas dá pro gasto é bem melhor que essa porcaria caribenha que vocês arrumaram.— disse Vampiro tentando convencer Pablo a arranjar outra fonte.
— Acho bom começarmos a pensar nisso. Esse caribenho está me explorando. O que acha Pete?— concordou e perguntou Pablo.
— Ainda não sei. Mas quanto ele quer cobrar pelo pó?— disse o escocês cansado de negociar.
— Na primeira remessa ele me cobrou sessenta dólares por quilo. Agora o sacana que duzentos por quilo, quase.
— Ah, muda! Duzentos por quilo? O Jav não cobrava isso nem por diamond blue! Se não me engano custava cem dólares o quilo.— decidiu Peter.
— Esse caribenho é um sacana.— concordou Lars.
— Verdade. Diga a esse vigarista que não precisamos mais do pó dele. Quero ver o que vai acontecer. Mas seja firme na posição se ele fizer algum “desconto” diga que não queremos nem assim.— decidiu Peter.
O tempo foi passando e, depois, outras coisas aconteceram. Catalina que passara os dois primeiros dias praticamente quieta como uma recatada moça no início do século vinte, transformou-se no momento em que se viu sozinha com Pablo. Simplesmente “partiu pro ataque”. Pablo de início ficou sem reação, na verdade, ficara mesmo era apavorado com a possibilidade de Vampiro flagrá-los juntos. Seria uma carnificina. Catalina estava lá como namorada de Vampiro e violento do jeito que o romeno era...
Os furtivos encontros de Pablo e Catalina tornaram-se cada vez mais frequentes, e era apenas uma questão de tempo para que Vampiro ou Agulha descobrissem. E sabe-se Deus o que aconteceria quando a descoberta ocorresse.
Na Interpol os agentes apenas esperavam por resultados. Dario trazia diariamente uma folha com as anotações da noite enquanto Santeri e Nikolas anotavam mentalmente que o italiano não aprontara nenhuma mancada e foram aos poucos diminuindo a guarda.”
“Muito embora Carlson tivesse encerrado virtualmente o assunto e feito os agentes, depois, se concentrarem em maneiras bem diferentes de pegarem os traficantes no flagra e preferencialmente desprevenidos. Santeri sugeriu que Jean bolasse o plano já que ele fizera um bem sucedido para capturar Javier em Amsterdã.
O francês engoliu seco. Daquela vez, era só Javier. Agora eram seis traficantes para pegar de uma vez só. Um deles os conhecia, outro era conhecido por sua esperteza ímpar, havia, ainda, um terceiro que era famoso pela truculência e dois que topariam qualquer apenas a mulher, que fechava o sexteto, não era conhecida das autoridades policiais.
Enquanto Jean dava uma de “Mythbusters” (tentava fazer algo perigoso sem colocar a vida própria e dos colegas em risco) os traficantes estavam perdidos entre números, traição e muito pó.”
“— Ok, vamos fazer uma divisão igualitária.— sugeriu Agulha levando, por conta da proposta, um soco no olho dado por Vampiro.
— Está louco? Peter e eu é que vamos dar as ordens aqui, trate de ficar quieto. Não se intrometa, seu desprezível.— disse Marius.
— Marius, por favor! Por que foi logo batendo? Você poderia ao menos conversar antes de partir pro ataque!— interferiu Catalina.
“Ela fala” pensaram sincronizadamente, Peter e Lars que ainda não haviam escutado a voz da romena.
— Fique quieta você também.— devolveu Marius jogando Catalina bruscamente no sofá. Pablo pensou em intervir, mas achou melhor ficar quieto. Temia uma reação brusca de Vampiro. Lars e Peter também ficaram inertes pelo mesmo motivo. A truculência de Vampiro não conhecia limites.
Apesar da inércia de Pablo, Catalina e ele continuaram-se a se encontrar furtivamente, às vezes num hotel meia-boca próximo ao local onde se instalaram ou na casa mesmo, nos horários em que Vampiro, Agulha, Peter e Lars não se encontravam em casa. Mas, um dia, o quarteto voltou antes do horário de costume...
As luzes da casa estavam todas apagadas. Será que eles já dormiram? Perguntou Agulha, que faturara bastante na “boca” vendendo heroína. Acabara, apesar de ser um capacho em todos os sentidos da palavra de Vampiro, com muito mais dinheiro que Lars, Peter e o próprio Vampiro. Talvez. Respondeu Marius mexendo em sua arma, uma Rossi, calibre 22.”
“— Pablo!— insistiu Peter resolvendo ir até o quarto do espanhol, ante a ausência de respostas. Marius, Victor e Lars acompanharam o escocês e logo Vampiro estava à frente do grupo. Tentou abrir a porta. Trancada. Arrombou-a com um chute e presenciou a pior cena que poderia ter visto: Pablo e Catalina, nus, estavam transando.
Assustado com a repentina aparição dos “colegas”, o casal tentou se explicar, mas Marius não deu tempo para justificativas: Tirou a arma da cintura e abriu fogo. O primeiro disparo atingiu o pescoço de Catalina inundando a cena de sangue. Vampiro puxou novamente o gatilho, mas a arma, mesmo com os “cuidados” do romeno travou, mas no segundo disparo sua mão tremia de ira e nervosismo. Acertou Pablo de raspão no braço, enquanto o espanhol, atordoado, tentava desviar seu corpo do de Catalina que, nu e ensanguentado, desabava sobre o seu. Mas Marius não desistiu. Tentou de novo, mas antes de efetuar o disparo, teve sua arma tomada por Peter, que agia num lampejo de lucidez.
— Chega, cara! Já estamos suficientemente encrencados. Essa porcaria de arma ficará na minha posse a partir de agora.— disse Peter extremamente zangado, colocando a arma na própria cintura.— Outra hora a gente se livra do corpo. Pablo, você tá legal?”
“Por doze dias não puseram os pés pra fora de casa. Marius fora mantido constantemente amarrado; e Peter assumiu as funções de Carcereiro, enfermeiro e até “gerente de cemitério” dizendo a Lars o que fazer com o corpo da romena. O escocês não aguentou vê-lo na cadeira. No entanto, após esse período, acharam melhor se livrar de Catalina. A decomposição já estava em um estado bastante avançado. Pablo já havia se recuperado o bastante para acompanhá-los até as margens do Ródano onde decidiram jogar o corpo da romena e a arma do crime. Estavam todos tão alterados que nem se lembraram do “recado” de Pablo no primeiro dia da turma em Lyon. Com o corpo embrulhado em uma lona, caminham vários metros até as margens do rio. Lá, retiram o corpo de sua “embalagem” e Marius e Peter o jogam nas águas. O corpo afundou parcialmente e passou a seguir o fluxo da correnteza. Isso tudo numa fria madrugada de oito de dezembro. No mesmo dia, alguns minutos mais tarde, Vampiro e Agulha pegam um trem de volta para Bucareste.
Mais tarde, quando o dia já amanhecia, os agentes estavam na Interpol, debruçados na janela com vista para o Ródano enquanto saboreavam fumegantes canecas de Capuccino e comiam fatias de Brownie. Esperavam Carlson voltar de uma reunião com o presidente da instituição para, aí sim, iniciarem os trabalhos. Um vento gélido entrava pelas janelas abertas, mas os agentes não reclamavam. O Capuccino quente e o caso idem os impediam de ter queixas.”
Ois! Hoje vai a penúltima remessa de trechos do livro. (Era pra ser a última mas há muitos trechos escolhidos então, muito provavelmente daqui a pouco sai a última com o ator faltante) Segue, com este, mais uma foto do agente Nikolas August Schweizer (Jared Leto).
“Karl recostou-se na cadeira enquanto pensava no que fazer com Lars. O curador já lhe causara muitos problemas. E aproveitava-se do sobrenome. Aquilo era uma verdadeira vergonha.
— Esse Lars ainda me mata. Sobrinho-neto do van Gogh? Ah, essa foi boa!— disse Karl rindo convulsivamente de nervoso após a saída do iludido colecionador de artes. Curioso, desembrulhou o quadro que o sujeito largou lá. Assustou-se. De fato lembrava muito o estilo de van Gogh e chegou a pensar que fosse um quadro original. Entretanto Karl era um “expert” em van Gogh e logo começou a ver detalhes na obra que passariam despercebidos para um leigo. “Van Gogh está se revirando na sepultura”. Pensou. Foi até a entrada do museu pedindo que alguém avisasse Lars de que ele deveria ir até sua sala assim que chegasse. E passou a pensar no que mais deveria fazer com a recém-adquirida informação. Ligou para um de seus amigos advogado. Contou-lhe as últimas informações e recebeu a resposta. Desligou o telefone e tomou as providências.”
“— Não temos outra saída. Como a legislação sobre drogas é bem mais flexível teremos que usar a mesma tática quando o assunto foi o Peter: o homicídio. Diremos que estamos atrás de um homicida. E que o crime foi queima de arquivo e pra piorar tanto o criminoso quanto a vítima estão envolvidos com o narcotráfico. Contamos toda a história se preciso for. Deve haver alguma parte tipificada na legislação daqui como crime.— disse Jean.”
“Dois dias depois, o caso da prisão de Lars só fora notícia em jornais holandeses e Javier, que ao contrário de Carlson não falava o idioma, não ficou sabendo. Continuava no apartamento de Lars, voltara lá duas semanas após assassinar Henry em Barcelona, mas nem o curador nem Peter comentaram o fato. Saiu por algumas horas do apartamento, talvez a procura de pistas sobre o paradeiro da dupla. Passara os últimos dias com “Pablito” Ortega em outra área da cidade. Ao voltar encontrou um bilhete debaixo da porta. Curioso, pegou-o. Estava endereçado a Javier Márquez ou Juan Alonso. Gelou. “Quem sabe que eu estou aqui? E o pior: Quem sabe minha real identidade?” Pensou Javier aflito. Abriu o envelope e leu a carta. “Pablo sequestrado? Como? O cara trabalha na Interpol!” Javier estava cada vez mais surpreso com o que lhe acontecia.”
“Jean não perdeu tempo e foi atrás do colombiano logo ganhando a companhia dos colegas. Nikolas e Renato com fôlego extra empalharam-se com Javier depois de alguns metros de corrida. Entretanto Javier acelerou. O alemão e o brasileiro bem que tentaram acompanhá-lo, mas não aguentaram o ritmo do colombiano, entretanto, o clima de “já ganhou” que pegou Javier ao ver que deixara dois agentes pra trás o traiu. Virou-se de costas para ver Nikolas e Renato ofegantes, riu da tentativa exacerbada de ambos de recuperarem o fôlego, e quando voltou a olhar na direção em que corria, tropeçou e caiu de cara no chão. Era a vez dos agentes rirem. Nikolas se controlava para não ter um ataque de risos. Logo os agentes cedidos pela polícia holandesa cercaram o traficante e o prenderam.
Quando estes conseguiram imobilizar Javier o francês mostrou sua insígnia da Interpol:
— Foi rir da gente, levou.— provocou o agente segurando o riso. O tombo de Javier fora digno de um filme pastelão.— Quem acabou rindo fomos nós!
Depois que Javier foi levado do Vondelpark Carlson que assistiu a cena montada pela turma deu por encerrada a missão da turma na Holanda e foi com os agentes para o Hotel. Lá disse que iriam embora, na tarde do dia seguinte, de volta a Lyon. Sei que esse período aqui foi bacana, mas temos que voltar para a sede. Essas saídas não são algo muito regular.”
CAPÍTULO IX
“De fato Javier iria voltar pra “casa”, pois nem a Holanda nem a Espanha queriam saber de sua presença em seus respectivos territórios. Graças ao dia quando Nikolas viu o vídeo e o identificou. Foi indiciado pelo homicídio e quase dois meses após o crime estava em um avião a caminho da Colômbia. Entretanto, no meio do caminho, uma pane elétrica fez o avião chacoalhar violentamente. Logo os motores começaram a pegar fogo e o avião explodiu. Zero sobreviventes.”
“No dia seguinte, Lars, já fora da cadeia, seu processo por usar o nome de Vincent van Gogh fora anulado, ligou seu computador e abre um site de notícias. Leu sobre o acidente aéreo na região da Ilha da Madeira. Quase cai de costas quando percebeu que Javier estava na lista de passageiros do voo acidentado. Desespera-se, afinal perdera suas fontes de renda. Ainda pensava nisso duas semanas após o óbito de Javier confirmado pela companhia aérea responsável pela viagem quando tocaram a campainha de seu apartamento. Atendeu a porta. Por pouco não beijou os pés do visitante que estranhou a diferença da recepção. “Da última vez que vim aqui ele só não me enxotou por conta da companhia que trazia.” Pensou o visitante, que era ninguém menos que Peter Mackintosh.
— Quer parar com essa melação, Lars?— perguntou Peter.
— Peter, estamos perdidos! Soube o que aconteceu?— perguntou o Holandês se recompondo.
— Não o quê? Fiquei isolado num vilarejo perto de Glasgow. Sem internet, telefone, nada.
— Olhe.— disse Lars mostrando a notícia para o escocês.
— Ai não! O que faremos?— disse Peter ao assimilar a notícia. Agora era o atravessador e o produtor mortos. Eram só o distribuidor/receptador e um revendedor sobreviventes.”
“E de fato, dez dias após esse lacônico diálogo entre Carlson e Nikolas, o acaso resolve dar mais um empurrãozinho nas investigações.
Ainda naquele dia a “dupla dinâmica” chegou a Barcelona. Peter liga para Pablo que vai buscá-los na estação de trens e os levou para sua residência próxima ao Nou Camp.”
“O trio passou alguns dias em Barcelona, mas nem olharam pra droga nesse período. Pablo tinha outras ideias. Penava em sair da cidade ou até mesmo da Espanha. Fala sobre isso com Lars e Peter, sem dizer ao certo o que está planejando. Ambos topam, imaginando que o destino escolhido seria Lisboa, Portugal, onde Pablo tinha alguns contatos ou então, Bucareste, Romênia, outro país em que a rede de Fiorella era forte. Tal destino parecia ser o mais provável e logo começaram a surgir piadinhas:
— Don Fiorella parece que vai comprar o castelo que foi do Conde Drácula.— brincou Peter.
— É, eu sei, está baratinho...— ironizou Pablo.— “Só” oitocentos milhões de Euros.”
“— Você perdeu o juízo, seu Zé Ruela? Sabem o que está há cinquenta quilômetros daqui seu besta?— perguntou o Holandês, aos gritos, segurando Pablo pelo colarinho da camiseta.— A Interpol! Quer nos deixar na mira deles, seu lesado? Está do lado deles, é? Que foi? Quer voltar a trabalhar com aquela agente gostosa, é?— Lars estava transtornado. O problema foi que ele surtou ainda dentro da estação de trens e a discussão acalorada chamou a atenção de seguranças. Seis deles os viram brigando e um reconheceu Peter e deduziu que os outros dois fossem Lars e Pablo pela descrição feita pelos agentes da Interpol. Avisaram à polícia local que não demorou nada pra notificar a Interpol. No mesmo dia, final de trabalho dos agentes em Lyon, Carlson entrou na sala:”
“— Sabemos disso. Mas precisamos de grana. Faz quase oito meses que essa loucura toda começou, estamos sem cocaína do Jav. Esse povo quer cheirar coisa boa, não essa porcaria do caribe.— disse Peter chutando o que sobrara da droga que estava entro de um saco de papel.
— Ô cara, presta atenção! Nossa chance de ganhar uns trocados foi pro espaço agora. Você acabou com a droga. Nós é que vamos usar. O ar está impregnado de cocaína.— gritou Pablo nervoso.
Nessa hora Peter começou a juntar com as mãos parte do pó que estava no chão enquanto Lars espirrava violentamente após aspirar o ar com cocaína. Em segundos estava tendo os sintomas típicos que um usuário tem após cheirar algumas carreiras...
Pablo passou a ajudar Peter enquanto Lars delirava por causa da cocaína. A dupla recuperou parte do pó enquanto Lars ainda sofria dos efeitos da droga. No dia seguinte foi a vez dos efeitos colaterais após o uso do Pó. Ainda que sem a intenção. Dores de cabeça intensas, dores musculares, fotofobia e cansaço exagerado.
— Parece que fui atropelado por um caminhão e que estou há cinco dias sem dormir, estou praticamente morto!— disse o holandês com a voz fraca.”
“Após três dias só levando prejuízos em Saint Étienne, o trio resolveu sair de lá e voltou à “estação do barraco” e pegaram um trem com destino a Viena, Áustria. Lars e Peter acharam que finalmente Pablo recobrara o Juízo e estavam, finalmente a caminho de Bucareste, Romênia onde Vampiro e seu comparsa/capacho Agulha viviam juntamente com a provocante Catalina, namorada oficial de Vampiro, cujo verdadeiro nome era Marius Dragulescu, e nas “horas vagas” era namorada de Agulha, ou melhor, Victor Lupescu. Entretanto após alguns minutos de viagem, Pablo confessou aos colegas que comprara passagens até Lyon, apenas. Em aproximadamente meia hora chegariam lá.
— Ô Pablo, qual’é? Onde foi que você bateu a cabeça? Não sei se você percebeu, mas fui eu quem cheirou a cocaína. Acidentalmente, mas fui eu. E agora você quer nos colocar na boca da Interpol? Está fazendo jogo duplo?— era Lars cada vez mais nervoso com as esquisitices do espanhol.
— Fui expulso quando me flagraram com o Javier em Amsterdã. O chefe me tirou a insígnia, não sou mais um agente internacional. Sou um de vocês.— disse Pablo.”
“Desceram na estação de trens de Lyon, um pouco distante da Interpol e Pablo lhes avisou que havia um local onde venderiam fácil a cocaína. Perto do estádio de Gerland, madrugada fica cheio de gente da nossa laia. Vamos vender essa cocaína como conseguíamos fazer com a Diamond Blue do Jav. Disse o espanhol lembrando-se dos bons tempos do tráfico.
— É.— disse Peter.— Tomara que consigamos alguma coisa. Se não vendermos nada essa noite, Pablo você é um homem morto.
— Vai me afogar no Ródano?— disse Pablo referindo-se ao rio que cruzava a cidade de Lyon.
— Talvez.
— Já vou lhe avisar que ele passa atrás do prédio da Interpol. Da sala onde a equipe que nos investiga trabalha tem vista pra ele.— contou o ex funcionário de Carlson.”
“Enquanto Carlson discutia com seus agentes um modo de pegar o trio de traficantes, os mesmos começaram a se envolver em mais problemas e, comparado a esses, ser perseguido por agentes da Interpol soaria como um mero passatempo. Dia doze de novembro, Marius Dragulescu, vulgo Vampiro, aparecera em Lyon para entregar as drogas que recebia do Peru via oriente. Agulha, ou melhor, Victor Lupescu, também fora para acobertar o serviço de Vampiro e também para entregar Heroína vinda do Afeganistão. Até Catalina, namorada de Marius, fora para a França.
— Pete, a coisa vai ferver. Adivinha quem apareceu aqui?— perguntou Lars entrando pálido na casa que utilizavam.
— Faço ideia, Lars. E deixe de ser apavorado. Você está parecendo um boiola com toda essa frescura.— rebateu o escocês enchendo um copo de uísque.
— Bom, mesmo assim vou lhe contar a notícia. Quem chegou agora a pouco na cidade e estava lá perto do Estádio Gerland é ninguém menos que o Vampiro. Ou Marius Dragulescu, se preferir.
Atônito Peter derruba o copo de uísque no chão.
— Como é que é? O Vampiro está aqui? Isso não é nenhuma palhaçada?
— Por que eu mentiria? Se fosse pra inventar notícias eu diria que destruíram o prédio da Interpol.— respondeu Lars ríspido não gostava nada de quando Peter debochava dele ou pior, duvidada de informações importantes que ele trazia.
Entretanto, nem Lars nem Peter tinham razões para se apavorarem. Era fato notório que Vampiro era um sujeito truculento, mas ele não fora a Lyon com a clara intenção de matar Peter, Pablo e Lars. Aliás, Vampiro nem esperava encontrar o trio em Lyon onde também ficava a Interpol, já que eram visados pela famosa Polícia Criminal Internacional. Tanto é que Vampiro surpreendeu-se ao ver o trio na sua frente:
— Peter? Pablo? Lars? O que vocês estão fazendo aqui? Vocês estão malucos? A Interpol está os caçando como leões famintos atrás de zebras.— disse o Romeno, dono de estatura média, olhos claros e rosto quadrado. Encontraram-se no mesmo dia da chegada do Romeno à cidade francesa.”
Até daqui a pouco com o último Post!
Ois! Hoje vai a penúltima remessa de trechos do livro. (Era pra ser a última mas há muitos trechos escolhidos então, muito provavelmente no fim de semana sai a última com o ator faltante) Segue, com este, foto do agente Santeri Korhonen (Kiefer Sutherland).
CAPÍTULO VIII
“Com essa preocupação em mente, os agentes foram à delegacia, não para avisar do sumiço de Pablo, mas para contar a história de Mackintosh. Era aconselhável que ao menos alguma autoridade policial holandesa soubesse que o traficante escocês estava perambulando em seu território.”
“O delegado examinou-as e devolveu-as sem dizer nada:
— Veremos o que fazer.— disse depois.
Chateados, os agentes saíram da delegacia e voltaram ao Hotel. Almoçaram por lá, descansaram alguns minutos e foram para a galeria. E nada de Pablo, nesse meio tempo. Santeri já estava preocupado com o espanhol. O que deu nele pra sumir desse jeito? Perguntou.
— Fucei nas coisas dele e achei um número de celular. Liguei pra esse número, mas não consegui nada. Diz que o número não existe.— confessou Nikolas.
— Tudo bem, Schweizer. Sem problemas. Mas ele vai enfrentar muitos quando reaparecer.
Furioso, Santeri tentou se acalmar antes de irem à galeria desmascarar Mackintosh. Aproveitou que só iriam à galeria mais tarde, dentro de duas horas para relaxar. E foi pedir ajuda à Sofia. A italiana sabia muito bem que espécie de ajuda Santeri queria. Entrou no quarto do finlandês já o jogando na cama, desabotoando sua camisa e beijando-o.”
“— Exato. Vamos nessa. Chame o Schweizer.— decidiu Santeri indo para a porta do quarto de Jean.— Laffite, vamos pro museu agora, desmascarar Mackintosh.
— Oba! Demorou...— disse o francês chamando o italiano.— Dario, vamos pro museu! Korhonen, o que faremos com o Pablo?
— Sei lá. Depois a gente pensa nisso.— decidiu Santeri desencanado.— Quando ele aparecer... Acertamos as contas.
— Sendo assim...— disse o francês.
— Renato, museu!— grita Nikolas. — Beleza. Vamos nessa.— era o brasileiro.
— Michael, vamos pro museu puxar o tapete do Peter!— disse Nikolas avisando a “peça chave” do caso.
— Opa... Vamos nessa. Não vejo a hora de acabar com a raça desse desgraçado.— disse Michael saindo de seu quarto e “pondo pilha” nos agentes.”
“— Mackintosh, digo Schneider está naquele corredor... Exposição de Monet...— disse Karl com a voz abobalhada. Fora pego totalmente despreparado.”
“— O que você está falando? Não entendi nada.— disse Peter já de pé.
— Estou lembrando um episódio de nossa vida. Como você não está entendendo?— era Michael provando ser um excelente ator.
— Como assim?— era Peter de novo. E o pior: não estava fingindo.— Quem é você?— perguntou estranhando. Talvez algum cliente velho dos tempos em que eu traficava perto de Frankfurt, pensou o escocês que mesmo tendo “trabalhado” na Alemanha por cinco anos não aprendera muito o idioma local.
— Caramba, Ralf, sou o Michael! Não está me reconhecendo? Sou seu irmão, cara!
— Como?— Peter a essa altura do campeonato já estava tremendo.
— Aliás, meu amigo ali está com um problema sério...— começou Michael chamando Nikolas para perto.— conheci esse cara aqui lá em Munique ele é de... Frankfurt ou Stuttgart?
— Frankfurt.
— Ok. Bem, como eu ia dizendo conheci esse cara lá na minha empresa e descobri que ele tem um problema cardíaco meio complicado. Arritmia. O que você acha que ele deve fazer?
— Quê?— Peter continuava sem entender nada. Nessa hora Lars apareceu por lá. Ficou estarrecido ao ver o que acontecia com seu “amigo” e “sócio”.— Que conversinha esquisita é essa?
— Fala sério! Você é o melhor cardiologista de toda a região de Munique! Como não pode fazer nada?— era Michael.— Que tal implante de marca-passo?
— Do que você está falando?
— De você!— Michael já estava quase gritando.
— Desde quando eu sou isso?— era Peter sem querer dando a deixa que Nikolas precisava.
— Nunca foi mesmo. Ralf Schneider foi morto, não é verdade, Peter Mackintosh?”
“— Bom... Ele disse que Don Fiorella provavelmente o mataria quando soubesse das mulas mortas, ele já estava desconfiado do Henry quando graças a vocês soubemos da verdade. Aí o Jav foi atrás dele, tomar satisfações...”
“Na rua, Mackintosh correu por algumas quadras mostrando ter condicionamento físico de um maratonista até alcançar um ponto de ônibus e entrou no primeiro que passou, poucos segundos depois, e viu a turma do museu que o perseguira estancar ofegante na esquina ao vê-lo dentro do veículo.
—Perdemos o cara de vista.— xingou Nikolas soltando um punhado de palavrões em alemão.
— Paciência. Se aquele delegado de araque tivesse nos ajudado... Aliás, cadê o Almeida, o Laffite, o Fraschetti e a Rossini?— perguntou Santeri.
— Devem ter ficado no Museu.— respondeu Nikolas mais cansado por ter falado diversos palavrões em sequência do que pela corrida de quase trezentos metros.— Aliás, o Lars está lá dentro ainda, espero. Só falta ele ter conseguido sair correndo também e eles o perseguiram. Desencontro total.
— Espero que não. Em todo caso, tenho os celulares deles. Era só ligar.”
“— Para onde aquele ônibus foi?— perguntou Michael apontando para a rua em que o ônibus entrou e sumiu da vista da turma.
— Se não me falha a memória, pra...— Karl lembrou-se assustado.— Estação central de trens! Sei trem pra tudo quanto é canto do continente de lá.”
“— Ai meu Deus! Vocês são da Interpol? Da polícia internacional mesmo?— perguntou o agente surpreso.
— Não, é a banda interpol. Aquela de Nova Iorque.— respondeu Nikolas irritado.— Sou o Paul Banks.— o alemão continuou ironizando.
Santeri riu da brincadeira de Nikolas. Conhecia o grupo e sabia que Nikolas não se parecia nem um pouco com o vocalista da banda em questão. O integrante que o alemão mencionara. E voltou ao assunto de forma séria.”
“— Nem a sombra do Mackintosh foi encontrada na Alemanha.— contou Nikolas chateado.— E o canalha do Pablo que não aparece?
Os agentes ainda estavam na Holanda e de lá só sairiam depois de desbaratar a bagunça.
— Caramba! Até me esqueci dele. Faz quanto tempo que ele sumiu?— perguntou Santeri.
— Três dias. O gerente do hotel já veio me azucrinar por conta disso. E o pior que não adiantou nada eu dizer que não tenho nem idéia do que aconteceu com o cara. Se ele saiu da cidade, bateu a cabeça e perdeu a memória, foi atropelado, assassinado, abduzido por incas venuzianos...— numerou Nikolas.”
“— É, eu sei.— disse Jean pensativo. Recostou-se na cabeceira da cama quando Nikolas saiu. Pra onde mais que Mackintosh poderia ter ido? Não estava em nenhum dos locais onde era previsível ou faltara algum? Cansado, o francês abandonou as pesquisas para tomar uma chuveirada. Debaixo d’água... Um estalo. Enxugou-se, vestiu uma calça e correu atrás de Nikolas. Chamando-o desesperadamente.”
“Por mais dois dias não houve qualquer resultado que os agentes pudessem aproveitar. Entretanto no segundo dia à tarde a tão esperada ajuda do acaso ocorreu. Cansados de tantas buscas infrutíferas, os agentes resolvem sair à toa em Amsterdã para se divertiram. Santeri estava tão descontraído que beijou Sofia na frente dos colegas e nem deu importância. Sofia correspondeu ao beijo do finlandês para a completa decepção de Dario (que ainda alimentava uma paixão secreta pela conterrânea) e surpresa de Nikolas (que jamais imaginaria que os dois fariam aquilo em público) Renato e Jean embora tivessem visto o beijo também encararam-no com naturalidade, sem qualquer reação adversa. Não era nada demais, pensaram eles invejando Santeri. Continuaram o passeio enquanto Nikolas e Dario se refaziam da cena, o que não demorou muito tempo. Nem mesmo o casal em tela se tocou de que haviam quebrado a promessa feita quando iniciaram o relacionamento. Andaram por mais alguns quarteirões, quando Nikolas, distraído com as piadas de Renato, olhou para a calçada oposta a que eles circulavam e reconheceu, surpreso, dois sujeitos sentados no Hard Rock Café. “Empaca” na calçada. Jean e Santeri deram pela falta do alemão.
— Nikolas! Anda!— gritou Santeri voltando para o ponto onde Nikolas parara.—O que aconteceu?
— Korhonen, veja só quem está ali.— disse Nikolas em câmera lenta apontando para a mesa onde seus “reconhecidos” estavam. O finlandês olhou na direção que o alemão apontava. O rosto do especialista em entorpecentes enrubesceu violentamente. Dava até para ver uma veia pulsando em sua têmpora. Sacou o celular do bolso, fotografou o encontro, conectou-se à internet e enviou a fotografia recém-tirada para Carlson.
Dois dias se passaram da cena. Pablo Ortega reapareceu no hotel, dera uma fraca desculpa de seu sumiço, que não convencera nem a ele mesmo. Santeri encarregou Nikolas e Jean de o vigiarem, principalmente após as últimas descobertas dos agentes. Já quanto a Mackintosh, o grupo continuava na estaca zero. Desde quando fora desmascarado o escocês sumira. E não se sabia do paradeiro do mesmo. Pablo, por sua vez, era mantido em “liberdade vigiada” Nikolas e Jean se revezavam na vigilância do Espanhol: trocavam a “guarda” a cada três horas na porta do quarto do mesmo e quando Pablo resolvia sair era seguido de perto pelo responsável do momento ou por ambos. E todo o tempo na rua, anotavam o que o espanhol fazia. Santeri estava sendo rigoroso. E todos imaginavam o tamanho da fúria de Carlson. O caso de Pablo era sério.”
“Seis dias após o reaparecimento do espanhol, dois homens furiosos desembarcaram em Amsterdã. Ambos portavam seus “objetos de fúria” em mãos. Um deles um enorme embrulho com aproximadamente um metro de largura por um pouco menos que isso de altura. O outro um envelope branco padrão A4. Do aeroporto, dirigem-se ambos a região onde está situado o museu Van Gogh. O do embrulho entra no Museu indo direto para a sala do simpático Karl. O outro foi para o hotel que levava o nome do pintor. Dirigiu-se ao quarto andar depois de perguntar algumas coisa na recepção. Quando lá chegou, deu um susto no rapaz sentado à porta do quarto número 415.
— O que o senhor veio fazer aqui?— perguntou o rapaz pondo-se de pé.
— Acertar as contas com o hóspede desse quarto. Por favor, reúna seus colegas.— ordenou o portador do envelope.
— Sim, claro.— respondeu o rapaz ainda em choque. Bate na porta do quarto de um de seus colegas avisando-o.— Jean, o Carlson está aqui.
— Como? O Carlson?— era o francês assustado abrindo a porta do quarto de supetão.— Você está de brincadeira, Nikolas?
— Quem me dera. Ele está no quarto do Pablo arrancando o couro do mesmo. Me ajuda a chamar o pessoal? Acho que não precisamos mais ficar vigiando a figura...
— É, tem razão. Ajudo sim.
Nikolas dirigiu-se ao quarto de Santeri enquanto Jean avisava Dario. Nikolas ia bater na porta do finlandês quando o mesmo abre a porta. Algum problema? Perguntou.
— Carlson está aqui. Pediu-me para chamar vocês. Faltam o Renato e a Sofia.
— Ok. Chame o Almeida que eu me encarrego de chamar a Rossini.
— Tudo bem.
— Schweizer, cadê ele?— perguntou Santeri.”
“— Isso já foi resolvido, Schweizer, esse sujeitinho desprezível aqui nunca mais conseguirá entrar em uma organização policial, nem mesmo no ETA, IRA, Al Qaeda ou na Máfia.— exagerou Carlson.
— Bom saber.— disse Nikolas sem entrar na questão de que ETA, IRA, Al Qaeda e Máfia não eram organizações policiais e sim criminosas.”
“Falando atropeladamente, o sujeito contou a história: cinco meses antes comprara de um sobrinho-neto de van Gogh, uma tela que o mesmo dizia pertencer ao acervo da família. Pagou quatro milhões de euros pela mesma. Entretanto, decidiu doá-la, poucas semanas depois para um instituto de arte da cidade. Logo, um especialista em obras de arte analisou o quadro e disse que apesar de o estilo da obra ser similar ao de van Gogh, aquela tela não fora pintada por ele. Mas sim por qualquer outra pessoa. Karl recostou-se assustado na cadeira.”

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